Mensagem

"Não permita que aquilo que você chama de amor se transforme em obsessão.
Amor é liberdade.
Amor é vida.
Jamais prisão ou limitação."

Militão Pacheco

sexta-feira, 31 de março de 2017

A mensagem do Cristo


Não se reveste o ensinamento de Jesus de quaisquer fórmulas complicadas.

Guardando embora o devido respeito a todas as escolas de revelação da Fé com os seus colégios iniciáticos, notamos que o Senhor desce da Altura, a fim de libertar o templo do coração humano para a sublimidade do amor e da luz, através...

da fraternidade,
do amor
e do conhecimento.

Para isso, o Mestre não exige que os homens se façam heróis ou santos de um dia para outro. Não pede que os seguidores pratiquem milagres, nem lhes reclama o impossível.

Dirige-se a palavra dEle à vida comum, aos campos mais simples do sentimento, à luta vulgar e às experiências de cada dia.

Contrariamente a todos os mentores da Humanidade, que viviam, até então, entre mistérios religiosos e dominações políticas, convive com a massa popular, convidando as criaturas a levantarem o santuário do Senhor nos próprios corações.

Ama a Deus, Nosso Pai — ensinava Ele —, com toda a tua alma, com todo o teu coração e com todo o teu entendimento.
Ama o próximo como a ti mesmo.
Perdoa ao companheiro quantas vezes se fizerem necessárias.
Empresta sem aguardar retribuição.
Ora pelos que te perseguem e caluniam.
Ajuda aos adversários.
Não condenes para que não sejas condenado.
A quem te pedir a capa cede igualmente a túnica.
Se alguém te solicita a jornada de mil passas, segue com ele dois mil.
Não procures o primeiro lugar nas assembleias, para que a vaidade te não tente o coração.
Quem se humilha será exaltado.
Ao que te bater numa face, oferece também a outra.
Bendize aquele que te amaldiçoa.
Liberta e serás libertado.
Dá e receberás.
Sê misericordioso.
Faze o bem ao que te odeia.
Qualquer que perder a sua vida, por amor ao apostolado da redenção, ganhá-la-á mais perfeita, na glória da eternidade.
Resplandeça a tua luz.
Tem bom ânimo.
Deixa aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos.
Se pretendes encontrar-me na luz da ressurreição, nega a ti mesmo, alegra-te sob o peso da cruz dos próprios deveres e segue-me os passos no calvário de suor e sacrifício que precede os júbilos da aurora divina!

E, diante desses apelos, gradativamente, há vinte séculos, calam-se as vozes que mandam revidar e ferir!... E a palavra do Cristo, acima de editos e espadas, decretos e encíclicas, sobe sempre e cresce cada vez mais, na acústica do mundo, preparando os homens e a vida para a soberania do Amor Universal.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Para satisfazer sua curiosidade sobre os "autores" da Obra Fundamental do Espiritismo


ERASTO (discípulo de Paulo - representado acima em gravura) Tesoureiro de Corinto, foi discípulo de Paulo de Tarso, tendo-o acompanhado em sua viagem missionária a Éfeso. E citado no livro dos "Atos dos Apóstolos": "E, enviando a Macedônia dois daqueles que o serviam, Timoteo e Erasto, ficou ele por algum tempo na Ásia" (Atos, 19:22); "Saúda-vos Gaio, meu hospedeiro, e de toda a igreja. Saúda-vos Erasto, procurador da cidade, e também o irmão Quarto" (Romanos, 16:23); "Erasto ficou em Corinto, e deixei Trofimo doente em Mileto" (II Timoteo, 4:20).

FÉNELON, François de Salignac de la Motne Prelado francês nascido em 1651 e desencarnado em 1715. Pertencia a uma família muito ilustre nas armas e na diplomacia. Ordenado sacerdote, votou-se ao seu ministério com a intolerância da época. Para seu aluno real compôs uma obra pedagógica: "As Fabulas", "Dialogo dos Mortos" e "Telêmaco". Este livro caiu em desagrado devido a questão do quietismo, doutrina pregada por Madame Guyon. Fénelon defendeu o quietismo, enquanto Bossuet o condenou. Posteriormente foi condenado pelo papa, passando a viver como simples pastor em sua diocese. Deixou muitas obras, em geral sobre assuntos políticos, religiosos e educativos.

GIRARDIN, Delphine de O nome exato, de solteira, era Delphine Gay. Tendo-se casado com Emile de Girardin, político e homem de letras, seu nome passa a aparecer como Sra. Emile de Girardin. Sob o nome de Delphine Gay publicou muitas obras poéticas. Em 1827, aos 23 anos de idade, viu-se coroada no Capitólio, quando de sua viagem a Itália. Apos o seu casamento publicou varias poesias e romances. Era positivamente grande médium inspirada. Aos 6 de setembro de 1853, desembarcou na Ilha de Jersey, a fim de passar pequena temporada junto a família Victor Hugo, tendo então realizado numerosas sessões mediúnicas através do sistema de "mesas-falantes".

HAHNEMANN, Samuel-Chretien-Frederic Medico alemão nascido em Meissen, a 10 de abril de 1755, e desencarnado em Paris, Franca, no dia 2 de julho de 1843. Graduou-se medico pela Faculdade de Medicina da Universidade de Erlang (Alemanha), no ano de 1779. Observador arguto, concluiu que as reações medicamentosas no organismo poderiam ter outra ordem de sintomas, porque a terapêutica deve obedecer a métodos racionais e naturais. Com essa dedicação entregou-se a estudos sérios, tornando-se independente, desde logo, das escolas empíricas e reacionárias, fundando a Medicina Homeopática, em 1796. A fama do seu nome atravessou fronteiras e, em pouco, os desiludidos e doentes de toda a sorte procuravam seus recursos médicos. Mas sua Homeopatia era racional e não milagreira. Dai também os insucessos e o descrédito ante seus detratores. Perseguido, teve que recorrer a proteção das autoridades em Leipzig, onde se firmou no nobilitante mister de 1811 a 1821. Ai os médicos alopatas conseguem aliciar a população contra ele e sua casa e apedrejada e queimada.

HEINE, Henri Poeta alemão nascido em Dusseldorf, em 1797, e desencarnado em Paris, em 1856. Autor de poesias de uma melancolia dolorosa (Intermezzo, Esboço de Viagem, e Canto; Ensaios sobre a Moderna Literatura Alemã, A Escola Romântica e A Alemanha), escritos estes cintilantes de espírito, mas eivados de profundo ceticismo.

JOÃO EVANGELISTA Apostolo de Jesus Cristo, filho de Zebedeu e irmão do Apostolo Tiago Maior. Foi o autor do Quarto Evangelho, de três Epistolas, e, quando exilado na ilha grega de Patmos, recebeu, via mediúnica, o Apocalipse. Viveu cerca de 100 anos. Juntamente com os Apóstolos Pedro e Tiago Maior, era invariavelmente convocado por Jesus: Cristo, para presenciar os fatos mais importantes ocorridos no seu Messiado.

LACORDAIRE, Jean-Baptiste-Henri E o padre Lacordaire, do qual se trata na Revue Spirite. Houve um outro, irmão deste, também notável, Jean-Theodore Lacordaire, naturalista, professor e jornalista, nascido em 1801 e desencarnado em 1870. Seguramente se trata do primeiro, nascido em 1802 e desencarnado em 1861. Era dominicano, orador brilhante, discípulo de Lamennais, com quem rompeu em 1834. Foi vigário de Notre-Dame e, apos cinco anos de recolhimento, entrou para a ordem dominicana, em 1839. Fez parte da Academia Francesa. Suas obras principais foram conferencias diversas, "Vida de S. Domingos" e "Considerações sobre o sistema filosófico de M. de Lamennais".

LAMENNAIS, Felicite Robert de Nascido em Saint-Malo, em 1782, e desencarnado em Paris, em 1854. Ordenou-se sacerdote em 1816. No ano seguinte publicou "Ensaios sobre a indiferença em matéria de religião considerada em suas relações com a ordem política e civil", uma tradução da "Imitação de Jesus Cristo"; "A Escravidão Moderna". Fundou o jornal "L'Avenir", onde preconizou a aliança da Igreja e da Liberdade. O papa Gregório XVI desautorizou tais opiniões na encíclica Mirari vos. A seguir publicou "Palavras de um Crente", condenadas na encíclica Singulari nos. Seguiram-se de forma ininterrupta: "Os Afazeres de Roma", "O Livro do Povo", "Esboço de uma Filosofia" e outras. Foi condenado a prisão, no ano de 1840. Em 1848 foi eleito para a Assembléia Nacional. A seu pedido foi sepultado entre os pobres.

MORLOT, François Nicolas Madeleine Prelado francês, arcebispo de Paris e Cardeal. Nascido em 1795 e desencarnado em 1862.

PAULO, APOSTOLO Nascido em Tarso, florescente cidade da Cilicia, possivelmente no ano 10 ou 12 da nossa era, e martirizado em Roma, no ano 67. Cognominado "O Apostolo dos Gentios", foi um dos mais destacados divulgadores das idéias cristas, levando as palavras de Jesus Cristo aos grandes centros populacionais da época, principalmente Antioquia, Atenas, Éfeso, Corinto, Macedônia, Jerusalém e Roma. Escreveu grande numero de Epistolas, que estão contidas no livro dos "Atos dos Apóstolos", onde também se encontram descrições bastante elucidativas sobre o seu apostolado e suas atividades incomparáveis em favor da propagação do Cristianismo nascente. Seu nome de origem era Saulo, alatinado posteriormente para Paulo. Embora não fosse um dos apóstolos de Jesus, mereceu esse titulo devido a grandiosa tarefa por ele desempenhada.

PASCAL, Blaise Geometra, físico, filosofo e escritor francês, nascido em Clermont, no ano de 1623, e desencarnado em Paris, em 1662. Aos onze anos de idade compôs um tratado dos sons; aos doze descobriu a trigésima segunda proposição do primeiro livro de Euclides. Aos dezesseis anos escreveu o seu "Ensaio para os cônicos" e, para ajudar o trabalho matemático do pai, aos dezenove anos imaginou a sua maquina aritmética, na qual levou dez anos de trabalho. Escreveu trabalhos sobre o vácuo, sobre os cálculos das possibilidades e, depois de uns tempos de vida mundana, voltou-se para a religião, dedicando-se a produção de obras de cunho metafísico e espiritual. Foi um dos grandes expoentes do pensamento religioso e filosófico de seu tempo.

S. AGOSTINHO (Aurelius Augustinus, 354-430) Bispo de Hipona, teólogo, filosofo, moralista e dialético. Apos uma mocidade conturbada, foi atraído a vida religiosa sob a inspiração do Espírito iluminado de Ambrosio. Por injunção de sua mãe, Mônica, deixou a África e foi tentar carreira mais promissora no Império, indo para a Itália. Escreveu numerosos sermões, ajudou os pobres e manteve-se na segunda parte de sua vida no firme propósito de servir a Igreja e ao Cristo, chegando a ser o mais celebre dentre os doutores da Igreja Católica. Procurou conciliar o platonismo com o dogma católico, a inteligência com a fé. Suas principais obras: "A Cidade de Deus", "Confissões" e um tratado sobre a graça.

S. LUIS (Luis IX) Rei de Franca, viveu de 1215 a 1270. Reinou primeiramente sob a tutela de sua mãe, Branca de Castela. Tomou parte nas 7a e 8a Cruzadas e desencarnou vitima de peste ao desembarcar em Cartago. Foi bom e piedoso, sendo canonizado pela Igreja Católica em 1297. E citado constantemente na Revue Spirite, mercê das numerosas comunicações dadas pelo seu Espírito.

S. VICENTE DE PAULO (1576-1660) Sacerdote francês, celebre pelos seus atos caridosos. Foi o instituidor das creches e hospitais de caridade. Quando as províncias de Lorena, Picardia e Champagne foram assoladas pela guerra e pela fome, esse apostolo da caridade deu tudo de si, a fim de minorar as agruras das populações daquelas regiões.

VIANNEY, Jean Marie Baptiste Viveu de 1786 a 1859. Quando na Terra, era cura da pequena aldeia de Ars, na Franca, sendo mais conhecido por Cura de Ars. Durante o século passado logrou grande popularidade, devido as inúmeras curas que conseguiu realizar e pelo atendimento fraterno que dispensava aos doentes de todos os matizes, que demandavam a sua obscura aldeia. Projetou sua paróquia por forca dos fenômenos mediúnicos, dos quais era intermediário, e que o povo encarava como autênticos milagres. A sua celebridade fez com que outros sacerdotes se sentissem diminuídos, apesar de ser ele um pároco que "não tinha onde reclinar a cabeça". Diziam: "E um ignorante que foi ordenado por comiseração, por caridade. Que não sabe três palavras do latim, nem uma migalha de teologia, que se atreve a confessar multidões, a tratar, freqüentemente, de casos complexos e perigosos", e com essas acusações proibiam aos adeptos de irem visitá-lo. O abade Borion escreveu-lhe: "Senhor Cura: quando se tem tão pouca teologia como e o seu caso, deveria haver relutância de sua parte em entrar num confessionário." Ao receber essa carta, o Cura de Ars prorrompe em choro e exclama: "E verdade, e verdade!" Em sua resposta a essa critica, ponderou: "Meu querido e venerado irmão: Quanta razão tenho para amar-vos! Unicamente vos me haveis conhecido bem. Ajudai-me a obter a graça que venho pedindo ha tanto tempo, no sentido de que, sendo substituído neste cargo, para cujo exercício não me considero digno, devido a minha ignorância, possa retirar-me a um pequeno lugarejo, onde possa chorar sobre minha pobre vida".

quarta-feira, 29 de março de 2017

Serenidade para enfrentar os problemas


Enfrentar problemas é da Vida na Terra. Você não ficará sem passar por isso e sabe disso!

Então, encare-os com sabedoria.

Não se debata, não se revolte.

Faça o possível para olhar para os problemas buscando uma solução ao invés de ficar se queixando ou se lamentando, pois estas posturas são pura perda de tempo.

Reaja intimamente e lute para encontrar uma saída, mas lute com lógica, com razão, sem se deixar dominar pelo medo, pois o medo faz com que você perca a visão e a capacidade de raciocinar.

Enfim, se quer ser dominado por alguma coisa, seja dominado pela coragem e determinação!

Lembre-se: você será sempre acompanhado por Espíritos amigos que querem seu Bem, que estarão lhe inspirando para que você busque uma solução, para que você a encontre!

Basta que dê ouvido a eles! E, para isso, é preciso estar sóbrio, o mais sereno possível e sem ser dominados por emoções inferiores.

Busque no Evangelho de Jesus a base estrutural para que seus pensamentos se elevem a um nível melhor para que seus pensamentos fiquem mais claros.

A serenidade é o melhor estado de espírito para resolver os problemas, ainda que eles pareçam insolúvies!


Júlio César
29 de março de 2017

terça-feira, 28 de março de 2017

Oportunidade de trabalho


O trabalho mediúnico na Casa Espírita é oportunidade para que se possa aprofundar nas lides espíritas, pois e nele que se pode ter um estímulo "a mais" para estudar bastante a Doutrina e colocar em prática o que se aprende, efetivamente.

Aplicar passe, "receber" Espíritos, falar em público, ou mesmo o trabalho voluntário - que envolve também a questão mediúnica, de modo indireto, enfim todas as tarefas nos dão a chance de, de algum modo, preencher um certo vazio que se pode ter dentro do íntimo com o trabalho em prol do próximo.

Quando lhe surgir tal oportunidade, faça o possível para não perdê-la!

É uma preciosidade que precisa ser muito valorizada para o próprio aproveitamento, para a própria evolução.

Dela surgirão as oportunidades para o contato interpessoal que poderá fazer crescer e evoluir.

Dela surgirá a oportunidade para o amadurecimento íntimo, no trabalho executado com discrição, dedicação, disciplina e carinho.



Militão Pacheco
28 de março de 2017

segunda-feira, 27 de março de 2017

O desafio do Amor


Sendo o Amor o mais nobre sentimento de que é capaz um ser humano, evidentemente não consiste em mera simpatia romântica, e muito menos em atração sexual; consiste em algo muito mais profundo, consiste na afirmativa do Cristo:- Mestre qual é o maior mandamento da lei?- "Amareis o Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, de toda a vossa alma e de todo o vosso espírito; é o maior e o primeiro mandamento. E eis o segundo, que é semelhante àquele: Amareis vossa próximo como a vós mesmos." (Mateus, cap. 22, v, 34 a 40).

Se compreendêssemos a grandiosidade dessa máxima ensinada por Jesus, certamente a humanidade já não se lamentaria de tanta dor e sofrimento, já não se lamentaria tanto das vicissitudes da vida, por que a vida deslizaria tranqüila como as águas límpidas de um rio calmo; não haveria tantas mágoas e nem tantas lágrimas. A dor de cada um, o rio de lágrimas que corre na fronte dos mais desalentados, com certeza, são vestígios de desamor a si e ao próximo.

Amar ao próximo como a si mesmo, é a receita prescrita pelo divino Mestre, capaz de desarmar corações enfurecidos, capaz de transformar pensamentos desprovidos desse sentimento que se pode afirmar ser a maior carência do ser humano que o impossibilita de experimentar e aprender a amar; amar para ser feliz, amar para fazer o outro também feliz. Leo Buscaglia, autor de um livro que fala sobre a maior experiência da vida, que é o AMOR, escreveu:- "Ninguém pode dar aquilo que não possui; para dar amor, precisamos ter amor. Ninguém pode ensinar aquilo que não sabe, para ensinar o amor, precisamos compreendê-lo. Ninguém pode conhecer aquilo que não estuda; para estudar o amor, precisamos viver no amor. Ninguém pode admitir aquilo a que não se entrega; para se entregar ao amor, precisamos estarmos vulneráveis a ele."

Estarmos vulneráveis ao amor, é vivermos de tal forma que as nossas atitudes e exemplos possam servir de ponte recíproca para tantos quantos por ela trafeguem, ou seja, para consolidação na praticidade da regra de ouro, que é fazer ao outro somente o que gostaríamos que fosse feito a nós.

Cumprida esta assertiva, ninguém jamais se queixaria de ninguém, porque sendo o aprendizado do amor, o maior desafio na vida do homem, e este tivesse de perecer por não absolvê-lo, a humanidade certamente inteira, pereceria, por falta de amor.

Mas, tendo sido a criatura humana, criada para ser feliz, e a felicidade consistindo na vivência e prática do amor, estamos todos fadados a conhecer, experimentar, praticar e viver a maior experiência e desafio da vida, que é o AMOR.

Ninguém, tão bem expressou o sentimento de amor do que Paulo de Tarso, o apóstolo dos gentios, em sua primeira Epístola aos Corintios, no cap.13, em bela forma poética.

"Ainda que eu falasse línguas, a de todos os homens e a dos anjos, e não tivesse amor, seria como um sino ruidoso ou um címbalo estridente.

E ainda que eu tivesse o dom de todas as profecias e o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência, e ainda que eu tivesse toda a fé ao ponto de transportar montanhas, se eu não tivesse amor, eu nada seria.

E ainda que eu distribuísse toda a minha fortuna para alimentar os pobres, e que eu entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse amor, nada disso me adiantaria, por que o amor não é vaidoso, é benigno..., não é leviano e não se ensoberbece."

sábado, 25 de março de 2017

Em busca da Luz




Falamos tanto do Cristo e é tão bom falar do Cristo!

A impressão que nos dá é que quando conversamos sobre Ele, o nosso íntimo de alguma forma se irradia de Amor, porque o Cristo é Amor, verdadeiramente.

Há cerca de 4 bilhões e 500 milhões de anos atrás, esse Espírito que já era portador da pureza, começou a gerenciar a formação planetária de Gaia, este planeta que habitamos.

Unido a uma plêiade de Espíritos Superiores, todos imbuídos de Amor e de Fé, todos de alguma maneira ligados ao Criador, transformou a esfera terrena em um verdadeiro laboratório para a formação da vida material.

No correr de milhões de anos a esfera terrena sofreu inúmeras transformações, sempre sob a égide do Cristo de Deus, até que na última etapa, a menor de todas, a humanidade começou a habitar particularmente em regiões africanas, o ambiente terrestre.

Essa humanidade já guardava dentro de si princípios espirituais profundos sempre ligados a Jesus.

Ainda que não tivessem a clareza da existência do Cristo em função dos primórdios da humanidade estarem ainda engatinhando, já tinham registrados dentro da mente, do coração e do próprio ser, que o mentor de toda aquela obra era o Cristo Jesus.

Para auxiliar em toda a evolução dos seres humanos que habitavam e que habitariam a Terra, Jesus enviara sempre seus apóstolos, seus missionários, seus emissários, para levar uma palavra mais clara sobre a Vida, sobre o Universo, sobre a Reencarnação, sobre a Natureza.

Foi povoando a Terra progressivamente trazendo de outras esferas irmãos que necessitavam de oportunidades imensas para se reparar, que a Terra foi tomando a forma que tinha que tomar.

Três ciclos humanitários - estamos no terceiro - e em todas as ocasiões os emissários do Cristo estão presentes, sempre, por mais materialista, por mais ateu que seja o ser humano, ele tem gravado dentro dele a presença do Cristo em sua existência porque para que viesse habitar a Terra passou pelo Cristo.

Este o Grande Emissário do Criador que comanda, ordena, ampara, conduz, inspira e auxilia a cada um de nós.

Precisamos ter profunda gratidão a esse Espírito Superior, a esse Espíritos Puro que nos ama infinitamente.

Que Deus nos abençoe.

Psicofonia recebida no NEPT em 22/03/2017


sexta-feira, 24 de março de 2017

Inquilinos deste mundo, mas cidadãos do Universo


Assim podemos nos sentir perante a necessidade das encarnações com as quais o Pai misericordioso nos presenteia.

Habitamos está casa cuidadosamente preparada durante milênios para nossa estadia, o Planeta Terra, o corpo biológico que nos abriga, todos estes cenários e paisagens que nos recebem através de nossas inúmeras passagens pela matéria.

Mais do que isso, delicada e o brigada engenharia Celeste cria para todos nós a mesa farta de oportunidades através do convívio e das relações que nos são estabelecidas em cada precioso momento.

Alertemo-nos a isto com permanente atitude de gratidão incondicional ao Criador.

Estas "realidades" que vivenciamos nada mais são do que o que exatamente precisamos para nosso progresso e evolução.

Sigamos portanto cuidadosos e conscientes de nossas responsabilidades para com tudo e com todos os atores desta maravilhosa "performance".

Que possamos aprender um pouco do amor e da compaixão a cada vivência.

Este Amor e está compaixão que farão de nós aptos cidadãos deste maravilhoso Universo do Pai.

Abraços fraternos
Roberto Blólio
22 de março de 2017

quinta-feira, 23 de março de 2017

Caridade e compreensão


Os Espíritos Superiores advertem que fora da caridade não há salvação.

É verdade, claro

Mas é preciso ter claro, no íntimo, que a compreensão é dileta amiga da caridade e que, sem ela, a caridade acaba por falhar.

Se alguém não compreende as limitações dos outros, certamente não conseguirá atuar no âmbito da caridade.

Ser sábio é entender que outras pessoas nem sempre alcançam o que o sábio alcança.


Militão Pacheco
23 de março de 2017

quarta-feira, 22 de março de 2017

Vida e Evolução


O homem, no atual estágio do desenvolvimento científico, ainda não conseguiu conhecer, com exatidão, o mecanismo como foi criado o seu Universo material.

O obscurantismo do processo da criação do Universo vem instigando a inteligência humana a formular várias hipóteses a respeito.

Inquestionável, podemos afirmar, somente um fato: alguém ou algo, com inteligência superior, o criou! Inquestionável porque o raciocínio é plenamente lógico: não existe efeito sem causa e para um efeito inteligente deve haver uma causa inteligente. O acaso sendo cego e arbitrário jamais poderia dar origem à tão magnífica obra.

A Ciência progride a passos largos e o pensamento religioso deve acompanhar a soma destes novos conhecimentos. Não adianta as religiões enfiarem a cabeça num buraco, tal qual as avestruzes, ignorando o que está ocorrendo em volta.

O Espiritismo, dentro de sua postura marcadamente evolutiva, afirma, de forma corajosa, que, se o avanço científico demonstrar que algum ponto de sua doutrina merece reparos, ela se modificará naquele ponto de referência, assimilando a orientação da Ciência.

Entretanto, já no ano de 1857, os espíritos nos informavam que tudo se encadeia na natureza, do átomo primitivo até ao arcanjo.

Por conseguinte, passado - presente - futuro do microcosmo ao macrocosmo, tudo se relaciona de forma harmoniosa obedecendo as Leis Gerais criadas por Deus. Não estaria neste singular, mas profundo ensinamento, uma das chaves para desvendar os grandes enigmas da humanidade?

O notável cientista Albert Einstein lançou, em 1905, a Teoria da Relatividade, que revolucionou todo o conhecimento científico sobre o Universo, que prevalecia na época. O Espaço e o Tempo, tidos como matérias abstratas, passaram a ser realidades concretas, sujeitas às influências de forças físicas.

Mais recentemente surgiu a teoria da criação do Universo através de uma formidável explosão - "Big-Bang" - de toda matéria altamente concentrada, que teria ocorrido há, aproximadamente, 20 bilhões de anos. O Tempo e o Espaço não seriam eternos e infinitos como se pensava, mas teriam surgido no mesmo instante da grande explosão.

O Universo, portanto, seria finito, tanto no tempo como no espaço. Assim, não haveria sentido em especular sobre o tempo antes do momento da criação do Universo, porque, simplesmente, o tempo não existia. Estima-se que o planeta Terra tenha se formado há bem menos tempo: cerca de 4,5 bilhões de anos.

Infelizmente, a grande complexidade desses estudos, dificulta, em muito, o seu conhecimento para a maioria das pessoas. No entanto, é importante que, pelo menos, se tenha à noção do posicionamento do nosso mundo no espaço sideral.

O planeta Terra pertence a um sistema planetário que tem uma estrela-sol como centro. Entretanto, nossa estrela-sol pertence a uma galáxia (Via-Láctea) que, por sua vez, contém outras 100 bilhões de estrelas-sóis, cada qual, com possíveis sistemas planetários.

Por sua vez, nossa galáxia integra um Universo que contém bilhões e bilhões de outras galáxias, cada qual com bilhões e bilhões de estrelas-sóis e, conseqüentemente, com bilhões e bilhões de outros sistemas planetários, contendo bilhões, bilhões e bilhões de planetas. Isso tudo, sem considerar a hipótese de que a Ciência, através da teoria dos colapsos gravitacionais - "Buracos Negros" -, assinala a existência de outros Incontáveis universos!

Diante de tanta grandiosidade, ainda existem pessoas que pensam que o homem é o soberano e único ser pensante deste Universo.

Coerente com a lógica, a Doutrina Espírita sempre proclamou a pluralidade de mundos habitados, conclusão esta que fatalmente a Ciência irá confirmar brevemente.

O surgimento da vida na Terra também é motivo de polêmicas. Dentro da escala evolutiva das espécies, proposta por Charles Darwin, em 1859, estima-se que as primeiras formas rudimentares de vida teriam surgido há 3,5 bilhões de anos; os peixes, a cerca de 500 milhões de anos; os anfíbios, cerca de 325 milhões de anos; os répteis, cerca de 300 milhões de anos; os mamíferos, cerca de 200 milhões de anos e as aves, cerca de. 180 milhões de anos.

A Ciência, até o momento, também não conseguiu desvendar por completo, o momento e o local onde surgiu o espécime que pode se considerado como, efetivamente, o elemento da atual raça humana.O espécime "australapithecus", hominídea de forma animalesca antecessor do gênero humano, data de cerca d 4 milhões de anos. O "Homo Halis", considerado o primeiro espécime pré-humano a utilizar rudimentares ferramentas de pedras, viveu há cerca de 2 milhões de anos. O "Honro Erectus", um pouco mais evoluído, viveu há cerca de l milhão e 500 mil anos. O "Honro Sapiens", já corri razoável grau de inteligência, viveu há Cerca de 250 mil anos. Finalmente o "Honro Sapiens Sapiens", que possuía a mesma anatomia do homem atual, data de, apenas, 50 mil anos.

A Ciência atual estima que o Homem primitivo deve ter surgido em algum ponto da escala evolutiva situado entre o "Homo Erectus" e o "Homo Sapiens". Obviamente, as datas e as classificações aqui mencionadas não podem ser tomadas com rigor absoluto, embora possuam certo consenso cientifico. Este é um campo no qual tanto a Ciência como a Doutrina Espírita ainda tem muita a revelar.

Deve ser ressaltado que, em princípio, a Teoria da Evolução das Espécies, proposta por Darwin, se harmoniza perfeitamente com o que prega a Doutrina Espírita.

O conhecimento da cronologia da criação do Universo e da evolução da vida nos permite um entendimento maior sobre o caminho evolutivo percorrido pelo espírito, magistralmente sintetizado por Léon Denis: a Alma dorme na pedra, sonha no vegetal, agita-se no animal e acorda no Homem. A espécie humana, portanto, continua em constante evolução em todos os sentidos: físico, moral e espiritual.

Como vemos, apesar do progresso cientifico, as questões e as incertezas ainda são muitas, mas a Ciência continua a avançar de forma inexorável.

E não há duvidas de que em algum próximo milênio presenciará o encontro do cientista com a realidade do Espírito e, conseqüentemente, com a Divindade.

terça-feira, 21 de março de 2017

Aparições: um pequeno resumo


Vamos apresentar as respostas que os Espíritos deram acerca do assunto:

Os Espíritos podem tornar-se visíveis, sobretudo, durante o sono. Entretanto algumas pessoas os vêem quando acordadas, porém, isso é mais raro.

Os Espíritos que se manifestam fazendo-se visíveis, podem pertencer a todas as classes. Mas, nem sempre têm permissão para fazê-lo, ou o querem.

Se permitido manifestar-se, quando para mau fim, é para experimentar os a quem eles aparecem. Pode ser má a intenção do Espírito e bom o resultado.

O fim que tem em vista o Espírito que se torna visível com má intenção é o de amedrontar e muitas vezes vingar-se. Os que vêm com boa intenção, visam consolar as pessoas que deles guardam saudades, provar-lhes que existem e estão perto delas; dar conselhos e, algumas vezes, pedir para si mesmos assistência.

Estando o homem constantemente cercado de Espíritos, o vê-los a todos os instantes o perturbaria, embaraçar-lhe-ia os atos e tirar-lhe-ia a iniciativa na maioria dos casos, ao passo que, julgando-se só, ele age mais livremente.

NOTA. Tantos inconvenientes haveria em vermos constantemente os Espíritos, como em vermos o ar que nos cerca e as miríades de animais microscópicos que estão sobre nós e em torno de nós. Donde devemos concluir que o que Deus faz é bem feito e que Ele sabe melhor do que nós o que nos convém.

Em certos casos, é permitido ver os Espíritos, para dar ao homem uma prova de que nem tudo morre com o corpo, que a alma conserva a sua Individualidade após a morte. A visão passageira basta para essa prova e para atestar a presença de amigos ao vosso lado e não oferece os inconvenientes da visão constante.

Sabes muito bem existirem pessoas que hão visto e que nem por isso crêem, pois dizem que são ilusões. Com esses não te preocupes; deles se encarrega Deus.

Quanto mais o homem evolui e se aproxima da natureza espiritual, tanto mais facilmente se põe em comunicação com os Espíritos. A grosseria do vosso envoltório é que dificulta e torna rara a percepção dos seres etéreos.

Quanto o nos assustarmos com a aparição de um Espírito, quem refletir deverá compreender que um Espírito, qualquer que seja, é menos perigoso do que um vivo. Demais, podendo os Espíritos, como podem, ir a toda parte, não se faz preciso que uma pessoa os veja para saber que alguns estão a seu lado. O Espírito que queira causar dano pode fazê-lo, e até com mais segurança, sem se dar a ver. Ele não é perigoso pelo fato de ser Espírito, mas, sim, pela influência que pode exercer sobre o homem, desviando-o do bem e impelindo-o ao mal.

Aquele a quem um Espírito apareça poderá travar com ele conversação. É o que se deve fazer em tal caso, perguntando ao Espírito quem ele é, o que deseja e em que se lhe pode ser útil. Se se tratar de um Espírito infeliz e sofredor, a comiseração que se lhe testemunhar o aliviará. Se for um Espírito bondoso, pode acontecer que traga a intenção de dar bons conselhos. Nesse caso o Espírito poderá responder, algumas vezes o faz por meio de sons articulados, como o faria uma pessoa viva. Na maioria dos casos, porém, pela transmissão dos pensamentos.

Uns aparecerão em trajes comuns, outros envoltos em amplas roupagens, alguns com asas, como atributo da categoria espiritual a que pertencem.

As pessoas que vemos em sonho são quase sempre as que os vossos Espíritos buscam, ou que vêm ao encontro deles.

Os Espíritos zombeteiros podem tomar as aparências das pessoas que nos são caras, para se divertirem à vossa custa, tomam eles aparências fantásticas. Há coisas, porém, com que não lhes é lícito brincar.

Os Espíritos nem sempre podem manifestar-se visivelmente, mesmo em sonho e mau grado ao desejo que tenhais de vê-los. Pode dar-se que obstem a isso causas independentes da vontade deles. Freqüentemente, é também uma prova, de que não consegue triunfar o mais ardente desejo. Quanto às pessoas que vos são indiferentes, se é certo que nelas não pensais, bem pode acontecer que elas em vós pensem. Aliás, não podeis formar ideia das relações no mundo_dos_Espíritos. Lá tendes uma multidão de conhecimentos íntimos, antigos ou recentes, de que não suspeitais quando despertos.

NOTA. Quando nenhum meio tenhamos de verificar a realidade das visões ou aparições, podemos sem dúvida lançá-las à conta da alucinação. Quando, porém, os sucessos as confirmam, ninguém tem o direito de atribuí-las à imaginação. Tais, por exemplo, as aparições, que temos em sonho ou em estado de vigília (acordado), de pessoas em quem absolutamente não pensávamos e que, produzindo-as no momento em que morrem, vem, por meio de sinais diversos, revelar as circunstâncias totalmente ignoradas em que faleceram. Têm-se visto cavalos empinarem e recusarem caminhar para a frente, por motivo de aparições que assustam os cavaleiros que os montam. Embora se admita que a imaginação desempenhe aí algum papel, quando o fato se passa com os homens, ninguém, certamente, negará que ela nada tem que ver com o caso, quando este se dá com os animais. Acresce que, se fosse exato que as imagens que vemos em sonho são sempre efeito das nossas preocupações quando acordados, não haveria como explicar que nunca sonhemos, conforme se verifica freqüentemente, com aquilo em que mais pensamos.

Certas visões ocorrem com mais freqüência quando se está doente, simplesmente, porque no estado de doença, os laços materiais se afrouxam; a fraqueza do corpo permite maior liberdade ao Espírito, que, então, se põe mais facilmente em comunicação com os outros Espíritos.

As aparições se dão de preferência à noite, pela mesma razão por que vedes, durante a noite, as estrelas e não as divisais em pleno dia. A grande claridade pode apagar uma aparição ligeira; mas, errôneo é supor-se que a noite tenha qualquer coisa com isso. Inquiri os que têm tido visões e verificareis que são em maior número os que as tiveram de dia.

A visão dos Espíritos se produz no estado normal ou estando o vidente num estado extático. Entretanto, as pessoas que os vêem se encontram muito amiúde num estado próximo do de êxtase, estado que lhes faculta uma espécie de dupla vista.

Os que vêem os Espíritos julgam ver com os olhas, mas, na realidade, é a alma quem vê e o que o prova e que os podem ver com os olhos fechados.

O Espírito pode fazer-se visível pelo princípio de todas as manifestações, reside nas propriedades_do_perispírito, que pode sofrer diversas modificações, ao sabor do Espírito.

No estado material em que vos achais, só com o auxílio de seus invólucros semimateriais podem os Espíritos manifestar-se. Esse invólucro é o intermediário por meio do qual eles atuam sobre os vossos sentidos. Sob esse envoltório é que aparecem, às vezes, com uma forma humana, ou com outra qualquer, seja nos sonhos, seja no estado de vigília (acordado), assim em plena luz, como na obscuridade.

Pela combinação dos fluidos, o perispírito toma uma disposição especial, sem analogia para vós outros, disposição que o torna perceptível.

Em seu estado normal, os Espíritos são inapreensíveis, como num sonho. Entretanto, podem tornar-se capazes de produzir impressão ao tato, de deixar vestígios de sua presença e até, em certos casos, de tornar-se momentaneamente tangíveis, o que prova haver matéria entre vós e eles.

Durante o sono, todos têm aptidão para ver os Espíritos; em estado de vigília (acordado), não. Durante o sono, a alma vê sem intermediário; no estado de vigília, acha-se sempre mais ou menos influenciada pelos órgãos. Daí vem não serem totalmente idênticas as condições nos dois casos.

O homem, em estado de vigília (acordado), depende da organização física. Reside na maior ou menor facilidade que tem o fluido do vidente para se combinar com o do Espírito. Assim, não basta que o Espírito queira mostrar-se, é preciso também que encontre a necessária aptidão na pessoa a quem deseje fazer-se visível. Essa faculdade pode desenvolver-se pelo exercício, como todas as outras faculdades; mas, pertence ao número daquelas com relação às quais é melhor que se espere o desenvolvimento natural, do que provocá-lo, para não sobre-excitar a imaginação. A faculdade de ver os Espíritos, em geral e permanentemente, constitui uma faculdade excepcional e não está nas condições normais do homem.
Algumas vezes é possível provocar a aparição dos Espíritos, porém, muito raramente. A aparição é quase sempre espontânea. Para que alguém veja os Espíritos, precisa ser dotado de uma faculdade especial.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Alimentação dos desencarnados


Encarecendo a importância da respiração no sustento do corpo espiritual, basta lembrar a hematose no corpo físico, pela qual o intercâmbio gasoso se efetua com segurança, através dos alvéolos, nos quais os gases se transferem do meio exterior para o meio interno e vice-versa, atendendo à assimilação e desassimilação de variadas atividades químicas no campo orgânico.

O oxigênio que alcança os tecidos entra em combinação com determinados elementos, dando, em resultado, o anidrido carbônico e a água, com produção de energia destinada à manutenção das províncias somáticas.

Estudando a respiração celular, encontraremos, junto aos próprios arraiais da ciência humana, problemas somente equacionáveis com a ingerência automática do corpo espiritual nas funções do veículo físico, porque os fenômenos que lhe são consequentes se graduam em tantas fases diversas que o fisiologista, sem noções do Espírito, aborda-los-á sempre com a perplexidade de quem atinge o insolúvel.

Sabemos que para a subsistência do corpo físico é imprescindível a constante permuta de substâncias, com incessante transformação de energia.

Substância e energia se conjugam para fornecer ao carro fisiológico os recursos necessários ao crescimento ou à reparação do contínuo desgaste, produzindo a força indispensável à existência e os recursos reguladores do metabolismo.

O alimento comum ao corpo carnal experimenta, de início, a digestão, pela qual os elementos coloidais indifusíveis se transubstanciam em elementos cristaloides difusíveis, convertendo-se ainda as matérias complexas em matérias mais simples, acessíveis à absorção, a que se sucede a circulação dos valores nutrientes, suscetíveis de aproveitamento pelos tecidos, seja em regime de aplicação imediata, seja no de reserva, destinando-se os resíduos à expulsão natural.

A ciência terrena não desconhece que o metabolismo guarda a tendência de manter-se em estabilidade constante, tanto assim que, reconhecidamente, a despesa de oxigênio e o teor de glicemia em jejum revelam quase nenhuma diferença de dia para dia.

É que o corpo espiritual, comandando o corpo físico, sana espontaneamente, quando harmonizado em suas próprias funções, todos os desequilíbrios acidentais nos processos metabólicos, presidindo as reações do campo nutritivo comum.

Não ignoramos, desse modo, que desde a experiência carnal o homem se alimenta muito mais pela respiração, colhendo o alimento de volume simplesmente como recurso complementar de fornecimento plástico e energético, para o setor das calorias necessárias à massa corpórea e à distribuição dos potenciais de força nos variados departamentos orgânicos.

Abandonado o envoltório físico na desencarnação, se o psicossoma está profundamente arraigado às sensações terrestres, sobrevém ao Espírito a necessidade inquietante de prosseguir atrelado ao mundo biológico que lhe é familiar, e, quando não a supera ao preço do próprio esforço, no auto-reajustamento, provoca os fenômenos da simbiose psíquica, que o levam a conviver, temporariamente, no halo vital daqueles encarnados com os quais se afine, quando não promove a obsessão espetacular.

Na maioria das vezes, os desencarnados em crise dessa ordem são conduzidos pelos agentes da Bondade Divina aos centros de reeducação do Plano Espiritual, onde encontram alimentação semelhante à da Terra, porém fluídica, recebendo-a em porções adequadas até que se adaptem aos sistemas de sustentação da Esfera Superior, em cujos círculos a tomada de substância é tanto menor e tanto mais leve quanto maior se evidencie o enobrecimento da alma, porquanto, pela difusão cutânea, o corpo espiritual, através de sua extrema porosidade, nutre-se de produtos sutilizados ou sínteses quimioeletromagnéticas, hauridas no reservatório da Natureza e no intercâmbio de raios vitalizantes e reconstituintes do amor com que os seres se sustentam entre si.

Essa alimentação psíquica , por intermédio das projeções magnéticas trocadas entre aqueles que se amam, é muito mais importante que o nutricionista do mundo possa imaginar, de vez que, por ela, se origina a ideal euforia orgânica e mental da personalidade. Daí porque toda criatura tem necessidade de amar e receber amor para que se lhe mantenha o equilíbrio geral.

De qualquer modo, porém, o corpo espiritual com alguma provisão de substância específica ou simplesmente sem ela, quando já consiga valer-se apenas da difusão cutânea para refazer seus potenciais energéticos, conta com os processos da assimilação e da desassimilação dos recursos que lhe são peculiares, não prescindindo do trabalho de exsudação dos resíduos, pela epiderme ou pelos emunctórios normais, compreendendo-se, no entanto, que pela harmonia de nível, nas operações nutritivas, e pela essencialização dos elementos absorvidos, não existem para o veículo psicossomático determinados excessos e inconveniências dos sólidos e líquidos da excreta comum.


André Luis / Evolução em dois mundos

sábado, 18 de março de 2017

Sonhos são sonhos...


Na questão 403, do Livro dos Espíritos, Allan Kardec indaga :

"Por que não nos lembramos de todos os sonhos?"
R : - "Nisso que chamas sono só tens o repouso do corpo, porque o Espírito está sempre em movimento. No sono ele recobra um pouco de sua liberdade e se comunica com os que lhe são caros seja neste ou noutro mundo. Mas, como o corpo é de matéria pesada e grosseira, dificilmente conserva as impressões recebidas pelo Espírito durante o sono, mesmo porque o Espírito não as percebeu pelos órgãos do corpo."

Algumas considerações em torno da resposta acima:

No estado de vigília (acordado):

- As percepções se fazem com o concurso dos órgãos físicos;
- Os estímulos exteriores são selecionados pelos sentidos; são transmitidos ao cérebro pelas vias nervosas; no cérebro físico, são gravados para serem reproduzidos pela memória biológica a cada evocação.

Quando dormimos:

- Cessam as atividades físicas, motoras e sensoriais;
- O Espírito liberto age e sua memória perispiritual registra os fatos sem que estes cheguem ao cérebro físico; tudo é percebido diretamente pelo Espírito; excepcionalmente, por via retrógrada, as percepções da alma poderão repercutir no cérebro físico;
quando lembramos, dizemos que sonhamos.

Conclusão:

A análise dos sonhos pode nos trazer informações valiosas para nosso auto-descobrimento. Contudo, devemos nos precaver contra as interpretações pelas imagens e lembranças esparsas. Há sempre um forte conteúdo simbólico em nossas percepções psíquicas que, normalmente nos chegam acompanhadas de emoções e sentimentos.

Se, ao despertarmos, nos sentirmos envolvidos por emoções boas, agradáveis, vivenciamos uma experiência positiva durante o sono físico.

Ao contrário, se as emoções são negativas, nos vinculamos certamente a situações e Espíritos inferiores.

Daí a necessidade de adequarmos nossas vidas aos preceitos espíritas, vivenciando o amor, o perdão, a abnegação, habituando-nos à prece, à meditação antes de dormir, para nos ligarmos a valores bons e sintonia superior. Assim, teremos um sono reparador e sonhos construtivos.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Abnegação


Fora da carne, compreende-se a excelência da abnegação e do sacrifício em prol de outrem.

A maioria das nossas obras pessoais são como bolhas de água saponada que se dispersam nos ares, porque, visando ao bem-estar e ao repouso do “eu”, têm como base o egoísmo que atrofia a nossa evolução.

Toda a felicidade do Espírito provém da felicidade que deu aos outros, todos os seus Bens são oriundos do bem que espalhou desinteressadamente.

Compreendendo essas verdades, muitas vezes após as transformações da morte, não as assimilamos tardiamente, porque, de posse das realidades próximas do Absoluto, concatenamos as nossas possibilidades, laborando ativamente na obra excelsa do bem comum e do progresso geral, encontrando, assim, forças novas que nos habilitam a merecido êxito em novas existências de abnegação que nos levarão às esferas felizes do Universo.

Venturosos são os raros Espíritos que sentem a excelsitude dessas verdades na vida corporal.

Sacrificando-se em benefício dos semelhantes, experimentam, mesmo sob a cruz das dores, a suave emoção das venturas celestes que os aguardam nos planos aperfeiçoados do infinito.

quinta-feira, 16 de março de 2017

O golpe das paixões


A paixão propriamente dita é o exagero de uma necessidade ou de um sentimento e esse exagero se torna mau quando tem por conseqüência algum mal.

Agir sob o império e domínio de um estado passional é agir cega e descontroladamente o que pode conduzir a tormentos inimagináveis, tornando o Ser escravizado e reprimindo os sentimentos mais nobres

Nesse aspecto veremos:

- o homem apaixonado pela bebida, abandona o trabalho, as aspirações nobres, bebe mais e mais, mantém-se caído, passa o tempo, a vida sem condições de produzir;
- o apaixonado pelo jogo, noites e dias a frente de cartas, dados, roletas, galos, cavalos, etc. sem perceber o mundo, sem notar familiares, lar, amizades, amor;
- o apaixonado pelo dinheiro, priva-se até do mínimo necessário para ter mais, guardar e amontoar mais;

Vivem enfim, em função do objeto da sua paixão, sofrendo horrivelmente, caso perceba algum empecilho que atrapalhe, interfira nas buscas desenfreadas. É um estado mórbido, onde a satisfação, a plenitude, o estar bem nunca é alcançado.

Paixão não satisfaz - quer, exige, necessita - usa de todos os meios e nunca se plenifica, se sente alimentada. É a chamada "sede da água salgada"...

Desejos sensuais, gozos de sensações exaltados, posse, poder, prestígio constituem-se de modo geral como as mais comuns, que prendendo o ser, prende-o aos aspectos materiais da vida.

No momento atual apresenta como o grande desafio, inimigo mesmo desse homem que se embrutece, nada se permitindo ver, perceber, além do círculo fechado em que a sua paixão o retém.

E no entanto, que paradoxo! O princípio da paixão é natural, necessário, uma vez que usado na sua real função e objetivo, conduz o homem, a humanidade a grandes realizações. Incentiva, dá colorido, luz, vibração, estímulo para prosseguir.

Funcionam aí como alavancas que decuplicam as forças desse homem que cumpre assim, nesse crescer, os desígnios da Providência.

Nesse aspecto, necessário despertar também aí para dirigi-las pela razão, na vontade disciplinada, nos objetivos elevados. Transformar-se-á então em força motriz que colore a vida em elevação e beleza.

Nos dois casos é ela comparada a cavalo que marcha por estrada ladeada por barrancos e precipícios.

O animal trotará bem, se contido pelo freio, guiado pelas rédeas de cavaleiro firme e experiente, percebe-se dirigido. Se porém, não achar essa condição, como os freios nos dentes, desabalará em corrida, deixará a estrada e, sem dúvida, sobrevirá o desastre, a fuga dos objetivos, cansada pela incapacidade de direção e governo daquele que monta.

Se as coerências da razão não indicarem limites, objetivos justos, maiores, ideais, crescimento, superação, teremos o Homem fraco, que dominado perde os próprios limites, na indignidade das ações que passa a realizar e viver, prejudicando tantos quantos com quem convive. agregando em si, os desequilíbrios que semeia.

Iracema

quarta-feira, 15 de março de 2017

A gênese de todas as religiões


A gênese de todas as religiões da Humanidade tem suas origens no coração augusto e misericordioso do Cristo.

Não queremos, com as nossas exposições, divinizar, dogmaticamente, a figura luminosa do Cristo, e sim esclarecer a sua gloriosa ascendência na direção do orbe terrestre, considerada a circunstância de que cada mundo, como cada família, tem seu chefe supremo, ante a justiça e a sabedoria do Criador.

Fora erro crasso julgar como bárbaros e pagãos os povos terrestres que ainda não conhecem diretamente as lições sublimes do seu Evangelho de redenção, porquanto a sua desvelada assistência acompanhou, como acompanha a todo tempo, a evolução das criaturas em todas as latitudes do orbe.

A história da China, da Pérsia, do Egito, da Índia, dos árabes, dos israelitas, dos celtas, dos gregos e dos romanos está alumiada pela luz dos seus poderosos emissários.

E muitos deles tão bem se houveram, no cumprimento dos seus grandes e abençoados deveres, que foram havidos como sendo Ele próprio, em reencarnações sucessivas e periódicas do seu divinizado amor.

No Manava-Darma, encontramos a lição do Cristo;
na China encontramos Fo-Hi, Lao-Tsé, Confúcio;
nas crenças do Tibete, está a personalidade de Buda
e no Pentateuco encontramos Moisés;
no Alcorão vemos Maomet.

Cada raça recebeu os seus instrutores, como se fosse Ele mesmo, chegando das resplandecências de sua glória divina.

Todas elas, conhecendo intuitivamente a palavra das profecias, arquivaram a história dos seus enviados, nos moldes de sua vinda futura, em virtude das lembranças latentes que guardavam no coração, acerca da sua palavra nos espaços, tocada de esclarecimento e de amor.


trecho adaptado de "A caminho da Luz", pelo Espírito Emmanuel

terça-feira, 14 de março de 2017

Apometria, corrente magnética e cromoterapia



O médico carioca residente em Porto Alegre desde os anos 50, Dr. José Lacerda, espírita que era então, começou a realizar atividades mediúnicas normais numa pequena sala de Hospital Espírita de Porto Alegre e ali realizou investigações pessoais que desaguaram no movimento denominado "apometria".

Não irei entrar no mérito nem no estudo da apometria, porque eu não sou apômetra: eu sou espírita, mas o que posso dizer é que a apometria, segundo os seus próprios seguidores, não é Espiritismo. Suas práticas estão em total desacordo com as recomendações de “O Livro dos Médiuns”.

A presunção de alguns chegou a afirmar que a apometria é um passo avançado ao Movimento Espírita e que Allan Kardec encontra-se totalmente ultrapassado, já que sua proposta era para o século XIX e parte do século XX, e que a apometria é o degrau mais evoluído.

A prática e os métodos violentos de libertação dos obsessores que este e outros métodos correlatos apresentam, a mim me parecem tão chocantes que me fazem recordar da lei de Talião, que já foi suavizada por Moisés, com o código legal, e que Jesus sublimou através do amor.

De acordo com aqueles métodos, quando as entidades são rebeldes os doutrinadores, depois de realizarem uma contagem cabalística ou um gestual muito específico, as expulsam com violência para o magma da Terra, substância ainda em ebulição do nosso planeta, ou as colocam em cápsulas espaciais que são disparadas para o mundo da erraticidade.

Não iremos examinar a questão esdrúxula desse comportamento, mas se eu, na condição de espírito imperfeito que sou, chegasse desesperado num lugar pedindo misericórdia e apoio à minha loucura, e outrem, o meu próximo, me exilasse para o magma da Terra, para eu experimentar a dureza de um inferno mitológico, ou ser desintegrado, ou se me mandassem expulso da Terra numa cápsula espacial, renegaria aquele Deus que inspirou esse adversário da compaixão.

A Doutrina Espírita, baseada no ensino de Jesus, centraliza-se no amor e todas essas práticas novas, das mentalizações, das correntes mento-magnéticas, psico-telérgicas, que, para nós, espíritas, merecem todo respeito, mas não atêm nada a ver com Espiritismo.

O mesmo se dá com as práticas da Terapia de Existências Passadas, realizadas dentro da Casa Espírita ou da cromoterapia, que foge, totalmente, da finalidade do Espiritismo.

A Casa Espírita não é uma clínica alternativa. Não é lugar onde toda experiência nova deve ser colocada em execução. Tenho certeza de que aqueles que adotam esses métodos novos não conhecem as bases kardequianas e, ao conhecerem-nas, nunca as vivenciaram.

Temos todo o material revelado pelo mundo espiritual nestes tantos anos de codificação, no Brasil e no mundo, pela mediunidade incomparável de Chico Xavier; as informações que vieram pela notável Yvonne do Amaral Pereira; por Zilda Gama e por tantos médiuns nobres conhecidos e desconhecidos.

Então, se alguém prefere a Apometria, divorcie-se do Espiritismo. É um direito! Mas não misture para não confundir. A nossa tarefa é de iluminar, não é de eliminar. O espírito mau, perverso, cruel é nosso irmão na ignorância. Poderia haver alguém mais cruel do que o jovem Saulo de Tarso? Ele havia assassinado Estevão a pedradas, havia assassinado outros, e foi a Damasco para assassinar Ananias. Jesus não o colocou numa cápsula espacial e disparou para o infinito. Apareceu a ele! Conquistou-o pelo amor. “Saulo, Saulo, por que me persegues?” pode haver maior ternura nisso? E ele tomado de espanto perguntou: “Que é isto?” “Eu sou Jesus, aquele a quem persegues”. E ele, então, caiu em si. Emmanuel ensina que o termo “caindo em si” significa que a capa do ego cedeu lugar ao encontro com o ser profundo. Ele despertou, e graças a ele nós conhecemos Jesus pela sua palavra, pelas suas lutas, pelo alto preço que pagou, apedrejado várias vezes, jogado por detrás dos muros nos lugares do lixo, foi resgatado pelos amigos e continuou pregando.

Então, os espíritos perversos merecem nossa compaixão e não nosso repúdio. Coloquemo-nos no lugar deles.

Não temos nada contra a Apometria, as correntes mento-magnéticas, aquelas outras de nomes muito esdrúxulos e pseudocientíficos. Mas, como espíritas, nós deveremos cuidar da proposta Espírita.

Na minha condição de Espírita, exercendo a mediunidade por mais de 60 anos, os resultados têm sido todos colhidos na árvore do amor e da caridade e a nossa mentalidade espírita não admite ritual, gestual, gritaria, nem determinados comportamentos.

(transcrito do programa Presença Espírita da Rádio Boa Nova
a partir de palestra de Divaldo Pereira Franco)

segunda-feira, 13 de março de 2017

Sobre o Magnetismo...


Identificar as origens da terapia espírita conhecida como passes é realizar longa viagem aos tempos imemoriais, aos horizontes primitivos da pré-história, porquanto essa técnica de cura está presente em toda a história do homem. "Desde essa época remota, o homem e os animais já conviviam com o acidente e com a doença. Pesquisas destacam que os dinossauros eram afetados' por tumores na sua estrutura óssea; no homem do período paleolítico e da era neolítica há evidência de tuberculose da espinha e de crises epilépticas".

"Herculano Pires diz que o passe nasceu nas civilizações antigas, como um ritual das crenças primitivas. A agilidade das mãos sugeria a existência de poderes misteriosos, praticamente comprovados pelas ações cotidianas da fricção que acalmava a dor. As bênçãos foram as primeiras manifestações típicas dos passes. O selvagem não teorizava, mas experimentava, instintivamente, e aprendia a fazer e a desfazer as ações, com o poder das mãos".

No Antigo Testamento, em II Reis, encontramos a expectativa de Naamá: "pensava eu que ele sairia a ter comigo, por-se-ia de pé, invocaria o nome do Senhor seu Deus, moveria a mão sobre o lugar da lepra, e restauraria o leproso".

Na Caldéia e na Índia, os magos e brâmanes, respectivamente, curavam pela aplicação do olhar, estimulando a letargia e o sono. No Egito, no templo da deusa Isis, as multidões aí acorriam, procurando o alívio dos sofrimentos junto aos sacerdotes, que lhes aplicavam a imposição das mãos.

Dos egípcios, os gregos aprenderam a arte de curar. O historiador Heródoto destaca, em suas obras, os santuários que existiam nessa época para a realização das fricções magnéticas.

Em Roma, a saúde era recuperada através de operações magnéticas. Galeno, um dos pais da medicina moderna, devia sua experiência na supressão de certas doenças de seus pacientes à inspiração que recebia durante o sono. Hipócrates também vivenciou esses momentos transcendentais, bem como outros nomes famosos, como Avicena, Paracelso...

Baixos relevos descobertos na Caldéia e no Egito, apresentam sacerdotes e crentes em atitudes que sugerem a prática da hipnose nos templos antigos, com finalidades certamente terapêuticas.

"Com o passar dos tempos, curandeiros, bruxas, mágicos, faquires e, até mesmo, reis (Eduardo, O Confessor; Olavo, Santo Rei da Noruega e vários outros) utilizavam os toques reais".

Depreendemos, a partir desses breves registros, que a arte de curar através da influência magnética era prática normal desde os tempos antigos, sobretudo no tempo de Jesus, quando os seus seguidores exercitavam a técnica da cura fluídica através das mãos. Em o Novo Testamento vamos encontrar o momento histórico do próprio Mestre em ação: E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da lepra. "Os processos energéticos utilizados pelo Grande Mestre da Galiléia são ainda uma incógnita. O talita kume! ecoando através dos séculos, causa espanto e admiração. A uma ordem do Mestre, levanta-se a menina dada como morta, pranteada por parentes e amigos".

Todos esses fatos longínquos pertencem ao período anterior a Franz Anton Mesmer, nascido a 23.05.1733 em Weil, Áustria. Educado em colégio religioso, estudou Filosofia, Teologia, Direito e Medicina, dedicando-se também à Astrologia.

"No século XVIII, Mesmer, após estudar a cura mineral magnética do astrônomo jesuíta Maximiliano Hell, professor da Universidade de Viena, bem como os trabalhos de cura magnética de J.J. Gassner, divulgou uma série de técnicas relativas à utilização do magnetismo humano, instrumentalizado pela imposição das mãos. Tais estudos levaram-no a elaborar a sua tese de doutorado - De Planetarium Inflexu, em 1766 - de cujos princípios jamais se afastou. Mais tarde, assumiram destaque as experiências do Barão de Reichenbach e do Coronel Alberto de Rochas".

Mesmer admitia a existência de uma força magnética que se manifestava através da atuação de um "fluido universalmente distribuído, que se insinuava na substância dos nervos e dava, ao corpo humano, propriedades análogas ao do imã. Esse fluido, sob controle, poderia ser usado como finalidade terapêutica".

Grande foi a repercussão da Doutrina de Mesmer, desde a publicação, em 1779, das suas proposições: A memória 50bre a descoberta do Magnetismo Animal, passando, em seguida, a ser alvo de hostilidades e, em face das surpreendentes experiências práticas de terapia, conseguindo curas consideráveis, na época vistas como maravilhosas, transformar-se em tema de discussões e estudos.

"Em breve, formaram-se dois campos: os que negavam obstinadamente todos os fatos, e os que, pelo contrário, admitiam-nos com fé cega, levada, algumas vezes até à exageração".

Enquanto a Faculdade de Medicina de Paris "proibia qualquer médico declarar-se partidário do Magnetismo Animal, sob pena de ser excluído do quadro dos doutores da época", um movimento favorável às idéias de Mesmer levava à formação das Sociedades Magnéticas, sob a denominação de Sociedades de Harmonia, que tinham por fim o tratamento das moléstias.

Em França, por toda a parte, curava-se pelo novo método. "Nunca, diria Du Potet, a medicina ordinária ofereceu ao público o exemplo de tantas garantias", em face dos relatórios confirmando as curas, que eram impressos e distribuídos em grande quantidade para esclarecimento do povo.

Como destacamos, o Magnetismo era tema principal de observação e estudos, sendo designadas Comissões para estudar a realidade das técnicas mesmerianas, atraindo a atenção de leigos e sábios. Em 1831, a Academia de Ciências de Paris, reestudando os fenômenos, reconhece os fluidos magnéticos como realidade científica. Em 1837, porém, retrata-se da decisão anterior, e nega a existência dos fluidos.

Deduz-se que essa atitude dos relatores teria sido provocada pela forma adotada pelos magnetizadores para tornar popular a novel Doutrina: explorando o que se chamou A Magia do Magnetismo, utilizando pacientes sonambúlicos, teatralizando a série de fenômenos que ocorriam durante as sessões, e as encenações ruidosas, que ficaram conhecidas como a Câmara das Crises ou O Inferno das Convulsões, tendo

como destaque central a Tina de Mesmer - uma grande caixa redonda feita de carvalho, cheia de água, vidro moído e limalha de ferro, em torno da qual os doentes, em silêncio, davam-se as mãos, e apoiavam as hastes de ferro, que saiam pela tampa perfurada, sobre a parte do corpo que causava a dor. Todos eram rodeados por uma corda comprida que partia do reservatório, formando a corrente magnética.

Todo esse aparato, porém, não era apropriado para convencer os observadores do efeito eficaz e positivo das imposições e dos passes.

Ipso facto, as Comissões se inclinaram pela condenação do Magnetismo, considerando que as virtudes do tratamento ficavam ocultas, enquanto os processos empregados estimulavam desconfiança e descrédito.

Os seguidores de Mesmer, entretanto, continuaram a pesquisar e a experimentar.

"O Marquês de Puységur descobre, à custa de sugestões tranquilizadoras aos magnetizados; o estado sonambúlico do hipnotismo; seguem os seus passos Du Potet e Charles Lafontaine".

No sul da Alemanha, o padre Gassner leva os seus pacientes ao estado cataléptico, usando fórmulas e rituais, admitindo a influência espiritual.

Em 1841, um médico inglês, o Dr.James Braid, de Manchester, surpreendeu-se com a singularidade dos resultados produzidos pelo conhecido magnetizador Lafontaine, assistindo uma de suas sessões públicas, ao agir sobre os seus pacientes, fixando-lhes os olhos e segurando-lhes os polegares.

Braid, em seus trabalhos e escritos científicos, procurou explicar o estado psíquico especial, que era comum nos fenômenos ditos magnéticos, sonambúlicos e sugestivos. Em seus

derradeiros trabalhos passou a admitir a hipótese de dois fenômenos de efeitos semelhantes: um hipnótico, normal, devido a causas conhecidas e um magnético, paranormal, a exemplo da visão a distância e a previsão do futuro.

Outros pesquisadores seguiram-no: Charcot, Janet, Myers, Ochorowicz, Binet e outros.

Em 1875, Charles Richet, então ainda estudante, busca provar a autenticidade científica do estado hipnótico, que segundo ele, mais não era que um estado fisiológico normal, no qual a inteligência se encontrava, apenas, exaltada".

Antes, porém, em Paris, o Magnetismo também atrairá a atenção do pedagogo, homem de ciências, Professor Hippolyte Léon Denizard Rivail. Consoante o Prof. Canuto Abreu, em sua célebre obra O Livro dos Espíritos e sua Tradição Histórica e Lendária, Rivail integrava o grupo de pesquisadores formado pelo Barão Du Potet (1796-1881), adepto de Mesmer, editor do Journal du Magnétisme e dirigente da Sociedade Mesmeriana. À página 139 dessa elucidativa obra, depreende-se que o Prof. Rivail freqüentava, até 1850, sessões sonambúlicas, onde buscava solução para os casos de enfermidades a ele confiados, embora se considerasse modesto magnetizador.

Os vínculos, do futuro Codificador da Doutrina Espírita, com o Magnetismo, ficam evidenciados nas suas anotações intimas, constantes de Obras Póstumas, relatando a sua iniciação no Espiritismo, quando em 1854 interessa-se pelas informações que lhe são transmitidas pelo magnetizador Fortier, sobre as mesas girantes, que lhe diz: "parece que já não são somente as pessoas que se podem magnetizar"..., sentindo-se à vontade nesse diálogo com o então pedagogista Rivail. São dois magnetizadores, ou passistas, que se encontram e abordam questões do seu íntimo e imediato interesse.

Mais tarde, ao escrever a edição de março de 1858 da Revista Espírita, quase um ano após o lançamento de O Livro dos Espíritos em 18.04.1857, Kardec destacaria: " O Magnetismo preparou o caminho do Espiritismo(...). Dos fenômenos magnéticos, do sonambulismo e do êxtase às manifestações espíritas(...) sua conexão é tal que, por assim dizer, é impossível falar de um sem falar de outro". E conclui, no seu artigo: "Devíamos aos nossos leitores esta profissão de fé, que terminamos com uma justa homenagem aos homens de convicção que, enfrentando o ridículo, o sarcasmo e os dissabores, dedicaram-se corajosamente à defesa de uma causa tão humanitária

É o depoimento inconteste do valor e da profunda importância da terapia através dos passes, e, mais tarde, em 1868, ao escrever a quinta e última obra da Codificação, A Gênese, abordaria ele a "momentosa questão das curas através da ação fluídica", destacando que todas as curas desse gênero são variedades do Magnetismo, diferindo apenas pela potência e rapidez da ação. O princípio é sempre o mesmo: é o fluido que desempenha o papel de agente terapêutico, e o efeito está subordinado à sua qualidade e circunstâncias especiais.

Os passes têm percorrido um longo caminho desde as origens da humanidade, como prática terapêutica eficiente, e, modernamente, estão inseridos no universo das chamadas Terapêuticas Espiritualistas.

Tem sido exitosa, em muitos casos, a sua aplicação no tratamento das perturbações mentais e de origem patológica. Praticado, estudado, observado sob variáveis nomenclaturas, a exemplo de magnoterapia, fluidoterapia, bioenergia, imposição das mãos, tratamento magnético, transfusão de energia-psi, o passe vem notabilizando a sua qualidade terapêutica, destacando-se seus desdobramentos em Passe Espiritual (energias dos Espíritos), Passe Magnético (energias do médium) e Passe Mediúnico (energias dos Espíritos e do médium), constituindo-se, na atualidade, em excelente terapia praticada largamente nas Instituições Espíritas.

Amparado por um suporte científico, graças, sobretudo, às experiências da Kirliangrafia ou efeito Kirlian, de que se têm ocupado investigadores da área da Parapsicologia, e às novas descobertas da Física no campo da energia, vem obtendo a aceitação e a prescrição de profissionais dos quadros da Medicina, sobretudo da psiquiátrica, confirmando a excelência do Espiritismo, que explica a etiologia das enfermidades mentais e oferece amplas possibilidades de cura desses distúrbios psíquicos, ampliando a ação terapêutica da Psicoterapia moderna.

Adilton

sábado, 11 de março de 2017

A vaidade contra o médium


É necessário realmente ter autoestima.

Valorizar-se é fundamental para que se possa seguir adiante e cumprir as tarefas de que somos e fomos incumbidos na Vida.

Mas, é essencial ter bastante cuidado com esta relação consigo próprio, evitando-se fundamentalmente o excesso de zelo por si mesmo, para não cair nas armadilhas que a vaidade pode provocar.

As artimanhas do excesso de autoestima são cruéis e levam qualquer pessoa à fascinação.

Para os médiuns esta situação é ainda mais complexa, pois eles guardam uma integração com o mundo espiritual ainda mais estreita do que as demais pessoas, notando-se a facilidade com que podem se comprometer nesta particularidade.

É muito delicada a relação do médium com a questão do aparente poder que a mediunidade lhe confere. Aparente, pois na verdade o tal intercâmbio não lhe pertence de verdade e, embora ele saiba disso, esquece-se disso, por ingenuidade ou conveniência e se deixa levar num mar de ilusões, como se fosse especial e "melhor" que os demais.

É extremamente importante a vigilância para com este detalhe com o objetivo de escapar das armadilhas já citadas e, para isso, lançar mão do estudo, da leitura do Evangelho, da aceitação da eventuais críticas que podem surgir de amigos e de adversários, tanto faz.

A cada crítica fazer uma análise de consciência e extrair algo de construtivo, com o objetivo de se corrigir, de se manter alinhado com os princípios evangélicos e doutrinários tão importantes para sua preservação enquanto indivíduo e para a preservação de todos aqueles por quem possa ser responsável em suas tarefas mediúnicas.

A disposição para se corrigir é um dos fatores mais importantes para que possa se proteger da vaidade.

Ela é artigo comum na vida das pessoas e pode ser insidiosa e traiçoeira.

É corrosiva, algumas vezes explosiva e outras, sorrateira.

Médiuns, cuidem-se contra a vaidade e evitem sofrimentos.

Observem-se atenta e permanentemente.

Sejam cautelosos e aceitem criticas, sempre!

O médium que segue Jesus, literalmente, estará sempre mais amparado do que aquele que não O conhece, lembrem-se disso!


Militão Pacheco
11 de março de 2017

sexta-feira, 10 de março de 2017

Escolhas


É fácil saber se uma pedra foi retirada de um rio ou se foi quebrada em uma pedreira. As de pedreira apresentam muitas quinas, são ásperas e irregulares, agressivas ao tato.

As pedras de rio são lisas e roliças, já sofreram um polimento natural.

Ao longo do tempo, a correnteza das águas vai se encarregando de atirá-las umas contra as outras, para arredondar-lhes as arestas.

Na medida em que vão se tornando polidas, vai sendo reduzido o atrito entre elas, já não se ferem, deslizam harmoniosamente umas entre as outras, como esferas lubrificadas de um rolimã.

O processo evolutivo espiritual das criaturas humanas pode ser comparado ao do burilamento das pedras de rio.

O Espírito é criado puro e ignorante.

Puro, porque não traz qualquer tendência para o mal. ignorante, porque não adquiriu ainda qualquer conhecimento.

Ao longo das reencarnações sucessivas, a correnteza da vida também nos atira uns contra outros: somos levados a conviver entre semelhantes.

Em nossa infância espiritual, ainda como pedras-brutas, essa convivência é marcada pelo atrito entre nossas arestas.

A rusticidade do homem das cavernas nos mostra o que foram nossas primeiras encarnações; o instinto animal predominando sobre a razão e o sentimento, a matéria sobre o Espírito, o estado de guerra como condição permanente.

Passaram-se séculos e milênios, abandonamos as cavernas, participamos da construção, do apogeu e da queda de diferentes impérios, vivenciamos diversas culturas.

Com as conquistas da ciência, domesticamos a natureza, transformamos a paisagem ao nosso redor, descobrimos como tornar a existência mais confortável.

Observando, no entanto, nosso mundo interior, nos deparamos com a presença incômoda e persistente de imperfeições atávicas, paleolíticas. A História nos revela que, mesmo após deixar as cavernas, o homem conservou traços do troglodita em sua intimidade espiritual.

Pois foi nossa ignorância rústica que, diante da vacilação de Pilatos, exigiu o martírio do doce Jesus.

Foi nosso orgulho e nosso egoísmo que produziram as guerras, os massacres das Cruzadas, as fogueiras da Inquisição e os horrores da Escravatura. Ingênuos os que supõem que não estavam lá. Assim, ao longo desses séculos, avançamos muito mais no progresso material, exterior, do que a jornada ética, íntima, do Espírito.

A evolução espiritual é contínua, não regride nunca, mas pode ser retardada em seu processamento se não se aproveitar bem a oportunidade que Deus concede ao Espírito reencarnante.

Viver em sociedade é aspecto essencial desta oportunidade.

Freqüentemente nos sentimos inconformados por termos de conviver com pessoas que nos aborrecem, nos irritam, nos são antipáticas, mas essa convivência é um dos processos naturais de nosso burilamento.

Tais pessoas são indispensáveis: elas nos incomodam exatamente em nossos pontos mais fracos, mais sensíveis, e nos apontam, portanto, quais são esses pontos, quais são nossas piores arestas: os que precisam de ajuda incomodam ao nosso egoísmo, os que julgamos melhores que nós nos ferem a vaidade e o orgulho, e assim por diante.

Cada conflito é um alerta e um roçar polidor de arestas. Quanto mais ásperos somos, mais dolorosos são os atritos, pois a dor é conseqüência de nossos atos de desamor para com o próximo, nesta ou em outras existências.

Diferentemente das pedras, entretanto, a criatura humana, sendo dotada de inteligência, consciência e livre-arbítrio, pode escolher caminho evolutivo menos doloroso. Jesus nos aponta o rumo: amarmo-nos uns aos outros.

Nenhum de nós Foi criado para sofrer e o Amor pode livrar-nos da dor, pois ele nos "cobre a multidão dos pecados" (1 Pedro IV, 8).

A evolução é lei universal e irrevogável, mas dois caminhos nos são oferecidos para percorrê-la: dor ou amor. A prática do amor proporciona polimento indolor em nossas almas, suaviza-nos as arestas, desenvolve-nos o altruísmo, harmoniza nossa convivência com os semelhantes. A decisão é sempre nossa.

Maurício Roriz

quinta-feira, 9 de março de 2017

O Orgulho


A humildade é uma virtude bem esquecida, entre vós. Os grandes exemplos que vos foram dados são tão poucos seguidos. E, no entanto, sem humildade, podeis ser caridosos para o vosso próximo? Oh!, não, porque esse sentimento nivela os homens, mostra-lhes que são irmãos, que devem ajudar-se mutuamente, e os encaminha ao bem. Sem a humildade, enfeitai-vos de virtudes que não possuis, como se vestísseis um hábito para ocultar as deformidades do corpo. Lembrai-vos daquele que nos salva; lembrai-vos da sua humildade, que o fez tão grande e o elevou acima de todos os profetas.

O orgulho é o terrível adversário da humildade. Se o Cristo prometeu o Reino dos Céus aos mais pobres, foi porque os grandes da Terra imaginavam que os títulos e as riquezas eram a recompensa de seus méritos, e que a sua essência era mais pura que a do pobre. Acreditavam que essas coisas lhes eram devidas, e por isso, quando Deus as retira, acusam-no de injustiça. Oh, irrisão e cegueira! Deus, acaso, estabeleceu entre vós alguma distinção pelos corpos? O invólucro do pobre não é o mesmo do rico? O Criador fez duas espécies de homens? Tudo quanto Deus fez é grande e sábio. Não lhe atribuais as idéias concebidas por vossos cérebros orgulhosos.


trecho de "O Evangelho Segundo o Espiritismo"
Lacordaire
Constantina, 1863

quarta-feira, 8 de março de 2017

Médium e fascinação


A vaidade é, efetivamente, um grande obstáculo para qualquer médium, afinal, pode levá-lo facilmente a um processo obsessivo profundo: a fascinação.

É difícil para ele mesmo (ou ela) conseguir ter distinção, ou seja, entendimento o bastante para entender que está fascinado!

O envolvimento com Entidades Espirituais chega a um ponto de aprofundamento que impede o discernimento e, aí, uma reencarnação pode até mesmo ser perdida da proposta pré-reencarnatória do trabalho mediúnico.

Por isso é fundamental que o médium cuide de ser vigilante continuamente e que aceite críticas de boa vontade dos amigos mais próximos e observe com atenção as críticas dos adversários, analisando-as na tentativa de notar se pode haver um "fundo de verdade".

Que o médium evite ao máximo julgar que possa ser infalível, invulnerável e até mesmo insubstituível, pois estes são os mais claros meios para o profundo envolvimento com Entidades perversas ou debochadas que acabam por dominá-lo!

O estudo é de fundamental importância. Fundamental. Não deixe o médium de estudar, crendo que já sabe o bastante.

O comportamento é sua expressão, particularmente no trato com as pessoas. A gentileza permanente é seu escudo de defesa contra as investidas das sombras.

A disciplina - em tudo - é o fundamento para afastar o máximo possível a possibilidade de ser abraçado por "amigos do alheio".

Por fim, cuide-se o médium de forma permanente, pois a mediunidade é porta aberta para o mundo espiritual e esta porta precisa ser vigiada e cuidada o tempo todo.

"Com Kardec e Jesus diante do coração e da proposta de trabalho certamente o médium estará adequadamente preparado para enfrentar os obstáculos que a mediunidade pode oferecer."


Militão Pacheco
08 de março de 2017

terça-feira, 7 de março de 2017

Os Espíritos e a Natureza


Tudo têm um fim providencial, os grandes fenômenos da Natureza, os que se consideram como perturbação dos elementos. Tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus.

Às vezes têm, como imediata razão de ser, o homem. Na maioria dos casos, entretanto, têm por único motivo o restabelecimento do equilíbrio e da harmonia das forças físicas da Natureza.

Alguns dentre os Espíritos exercem certa influência sobre os elementos para os agitar, acalmar ou dirigir. Deus não exerce ação direta sobre a matéria. Ele encontra agentes dedicados em todos os graus da escala dos mundos.

A mitologia dos antigos se fundava inteiramente em ideias espíritas, com a única diferença de que consideravam os Espíritos como divindades. Representavam esses deuses ou esses Espíritos com atribuições especiais. Assim, uns eram encarregados dos ventos, outros do raio, outros de presidir ao fenômeno da vegetação, etc. Semelhante crença, tão pouco destituída é de fundamento, que ainda está muito aquém da verdade.

Não há Espíritos que habitem o interior da Terra para presidir aos fenômenos geológicos. Tais Espíritos não habitam positivamente a Terra. Presidem aos fenômenos e os dirigem de acordo com as atribuições que têm. Dia virá em que recebereis a explicação de todos esses fenômenos e os compreendereis melhor.

Os Espíritos que presidem aos fenômenos da Natureza, são os que foram encarnados como nós ou que o serão. Quanto a ordem desses Espíritos, isso é conforme seja mais ou menos material, mais ou menos inteligente o papel que desempenhem. Uns mandam, outros executam. Os que executam coisas materiais são sempre de ordem inferior, assim entre os Espíritos, como entre os homens.

A produção de certos fenômenos, das tempestades, por exemplo, é obra de inumeráveis Espíritos, que se reúnem, formando grandes massas, para produzi-los.

Dos Espíritos que exercem ação nos fenômenos da Natureza, uns operam com conhecimento de causa, usando do livre-arbítrio, outros por efeito de instintivo ou irrefletido impulso.

Estabeleçamos uma comparação. Considera essas miríades de animais que, pouco a pouco, fazem emergir do mar ilhas e arquipélagos. Julgas que não há aí um fim providencial e que essa transformação da superfície do globo não seja necessária à harmonia geral?

Entretanto, são animais de ínfima ordem que executam essas obras, provendo às suas necessidades e sem suspeitarem de que são instrumentos de Deus. Pois bem, do mesmo modo, os Espíritos mais atrasados oferecem utilidade ao conjunto. Enquanto se ensaiam para a vida, antes que tenham plena consciência de seus atos e estejam no gozo pleno do livre-arbítrio, atuam em certos fenômenos, de que inconscientemente se constituem os agentes.

Primeiramente, executam. Mais tarde, quando suas inteligências já houverem alcançado um certo desenvolvimento, ordenarão e dirigirão as coisas do mundo material. Depois, poderão dirigir as do mundo moral. É assim que tudo serve, que tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou por ser átomo. Admirável lei de harmonia, que o vosso acanhado espírito ainda não pode apreender em seu conjunto!


trechos do Livro dos Espíritos

segunda-feira, 6 de março de 2017

A Vida é uma escola


Muitas pessoas reclamam da Vida, da situação em que se encontram, das pessoas que as cercam - seja em casa, no trabalho ou na escola - da saúde, do corpo que têm, do emprego, da falta dele, enfim, parecem um muro de lamentações o tempo todo.

Nenhuma gratidão para com a Vida, ainda que ela seja dura e difícil, pois sempre há o que agradecer.

O primeiro passo que todos precisamos dar no sentido de começar a mudar algo da Vida para melhor é mudar este padrão de pensamentos.

É necessário não gerar tantos pensamentos pesarosos.

É necessário olhar para a Vida e começar a ver algo de bom nela, pois, por mais complexa e difícil que ela seja, é certo que algo existe que vale agradecer.

Mesmo que você não veja, acredite: há o que agradecer! A própria Vida é algo muito importante para todos nós, pois nos dá a oportunidade de amadurecer, de crescer espiritualmente. A própria possibilidade de estar transitando na Terra já é, em si, fenômeno extraordinário que merece gratidão.

Gratidão ao Criador que nos deu esta oportunidade para aprender a lidar com o mundo material, com as experiências inerentes a ele e com as outras pessoas que estão tendo a mesma oportunidade.

A Vida é uma escola em graduação e pós-graduação, dependendo do estágio de cada um.

Tem sempre o que aprender nela, sempre, por mais que alguém julgue já saber o bastante. Pois nunca será o bastante.

Comece sua Vida novamente, dê o primeiro passo aceitando-se como é e como está. Daí em diante tudo será mais simples.



Militão Pacheco
06 de março de 2017

sábado, 4 de março de 2017

Mediunidade e desgaste orgânico


Pode o exercício da mediunidade ter, de si mesmo, inconveniente, do ponto de vista higiênico, abstração, feita do abuso.

Há casos em que é prudente, necessária mesmo, a abstenção, ou, pelo menos, o exercício moderado, tudo dependendo do estado físico e moral do médium.

Aliás, em geral; o médium o sente e, desde que experimente fadiga, deve abster-se.

Há pessoas para quem esse exercício seja mais inconveniente do que para outras, algumas relativamente às quais se devem evitar todas as causas de sobre-excitação e o exercício da mediunidade é uma delas.


do Livro dos Médiuns

sexta-feira, 3 de março de 2017

Doação de órgãos


Um gesto de amor, se praticado em Vida.

Todos sabemos que o ser humano está longe da perfeição espiritual, dai advindo a preocupação com o nosso corpo apos a morte.

Afinal, quem se apega a roupas e pertences variados certamente terá dificuldades para doar partes de seu corpo após a passagem...

Mas, o Cristo deixou bem claro que a nossa verdadeira morada não é neste Mundo.

Tendo esta afirmativa como verdadeira, encontraremos respostas para todas as dúvidas sobre o assunto, pois o nosso corpo físico pertence ao globo terrestre - somos matéria em transformação constante, morrendo e continuando vivos pela substituição de nossas células.

Nós, enquanto Espíritos apenas nos utilizamos desse corpo.

Se entendermos isso, ficará fácil aceitar a aplicação da ciência para aliviar compensar e dar condições novas ao corpo para que o Espírito que o habita - provisoriamente - cumpra os desígnios de Deus.

Ainda mesmo enfrentando as imperfeições das pessoas e das Instituições, sendo que ambos podem incorrer em equívocos relacionados aos mecanismos de doação e à comercialização indevida neste processo, precisamos recordar que Lei da Caridade estará, de algum modo sendo cumprida.

É preciso ter em mente que a doação de órgãos - incluindo neste caso a doação de sangue - é um gesto de caridade que salva Vidas e permite a muitas pessoas enfrentarem suas provas com maior dignidade e melhor qualidade de Vida.

Militão Pacheco
03 de março de 2017

quinta-feira, 2 de março de 2017

Anotações de Espíritos recém-livres da matéria




Todos os Espíritos afirmam ter encontrado novamente com a forma humana, nessa existência, após a morte

Ignoraram, durante algum tempo, que estavam mortos;

Passaram, no curso da crise pré-agônica, ou pouco depois, pela prova da reminiscência sintética de todos os acontecimentos de existência que se lhes acabava (“visão panorâmica”, ou “epílogo da morte”);

Foram acolhidos no mundo espiritual pelos Espíritos das pessoas de suas famílias e de seus amigos mortos;

Passaram, quase todos, por uma fase mais ou menos longa de “sono reparador”;

Viram um meio espiritual radioso e maravilhoso (no caso de mortos moralmente normais), e num meio tenebroso e opressivo (no caso de mortos moralmente iferiores);

Reconheceram que o mundo espiritual era um novo mundo objetivo, substancial, real, análogo ao meio terrestre espiritualizado;

Aprenderam que isso era devido ao fato de que, no mundo espiritual, o pensamento constitui uma força criadora, por meio da qual todo Espírito existente no “ plano astral” pode reproduzir em torno de si o meio de suas recordações

Não tardaram a saber que a transmissão do pensamento é a forma da linguagem espiritual, se bem certos Espíritos recém-chegados se iludam e julguem conversar por meio da palavra

Verificaram que, graças à faculdade da visão espiritual, se achavam em estado de perceber os objetos de um lado e outro, pelo seu interior e através deles

Comprovaram que os Espíritos se podem transferir temporariamente de um lugar para outro, ainda que muito distante, por efeito apenas de um ato da vontade, o que não impede também possam passear no meio espiritual, ou voejar a alguma distância do solo

Aprenderam que os Espíritos dos mortos gravitam fatalmente e automaticamente para a esfera espiritual que lhes convém, por virtude da “lei de afinidade”.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Ter e Ser, eis a questão


O Ser humano levado pela imaturidade que lhe faz companhia desde tempos imemoriais, costuma pensar nas coisas de forma imediata, ao sabor da sua vontade, sem paciência para esperar que as coisas aconteçam no momento adequado, esquecendo que a Natureza não dá saltos, e que tudo segue leis regidas pelo Universo.

A ausência de Amor em seu estado presente, que não lhe faculta uma melhor visão da Vida em seus múltiplos aspectos, pois é o Amor que ilumina e harmoniza a criatura, leva a humanidade a pensar assim e agir como tem agido.

As pessoas carentes e perturbadas pela ilusão das posses externas acreditam que a felicidade reside na sucessão das glórias que o poder faculta e nos recursos que amealha.

Grande engano, pois o tormento da posse aflige e impulsiona a sua vítima a metas cada vez mais desmedidas, tornando sua existência numa busca desenfreada para possuir cada vez mais, não refletindo que a felicidade independe do que se tem momentaneamente, mas sim daquilo que se é e não daquilo que se tem!

Esta compreensão de que o Amor propicia conduz à solidariedade nos momentos difíceis, nas grandes dores, na solidão, na amargura que periodicamente aflige todas as criaturas e que, enquanto a pessoa não o experimenta, não o vivencia, vive movimentando-se nos atalhos dos desejos, comandado pelos instintos, sofrendo sempre quando os seus interesses não se encontram atendidos.

É necessário compreender que nos localizamos num contexto social e nossa tarefa essencial é a de auto-iluminação, de aprendizado e de evolução que logo se desdobra em serviço a favor do progresso próprio e principalmente do seu semelhante.

Quanto mais se compreende a necessidade do "amemo-nos uns aos outros", mais nos inundamos de bênçãos alcançando as demais criaturas e envolvendo tudo a nossa volta, tornando-nos saudáveis, alegres, otimistas, sem preocupação doentia de possuir nada além do necessário para o nosso conforto e manutenção, entendendo definitivamente que os bens materiais não são capazes de nos fornecer felicidade por mais que os tenhamos em abundância.

Júlio César
01 de março de 2017