Mensagem

"Não permita que aquilo que você chama de amor se transforme em obsessão.
Amor é liberdade.
Amor é vida.
Jamais prisão ou limitação."

Militão Pacheco

sábado, 31 de março de 2012

Debates

Recebi esta postagem com relação à matéria publicada no blog em 23 de abril de 2009. Por favor, leia com atenção. "Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Erros de Tradução das Obras Básicas": Querido irmão Carlos, Sou Espírita de berço e pesquisadora dos Estudos da tradução. Acho sempre válido o questionamento de tudo na vida, inclusive daquilo que é tido como verdade. Como bom Espírita você se questionou e chegou as conclusões que achou pertinente. Entretanto, seria interessante que lesse sobre tradução de fontes e teóricos sérios. De forma simplificada, os Estudos da Tradução pós-modernos nos esclarecem que a língua não é um conjunto de signos fechado e intocável, pelo contrário, ela é ativa e é diretamente afetada pelo tempo e pela cultura. Esses estudos ainda nos esclarecem que os conceitos de "originalidade" "fidelidade" são irreais, já que a tradução não é um "tira da li e põe aqui", pelo contrário, o tradutor faz leituras do texto- fonte e assim escreve um novo texto, já que os significados não estão nas palavras, mas no discurso como um todo. Se eu disser apenas a palavra "manga", por exemplo, você pode pensar em duas coisas a parte da roupa e a fruta, agora se eu incluir a palavra em um discurso você com certeza saberá de qual "manga" estou me referindo. Outro ponto a ser considerado é que cada Língua possui uma particularidade, uma forma de se expressar ... um exemplo simples é a comparação entre a língua portuguesa de Portugal e a do Brasil. A língua é a mesma, mas com inúmeras diferenças devido a cultura, tempo de vida do país, economia, geografia.... No caso das traduções das obras básicas temos que considerar que a Língua Portuguesa e a Língua Francesa são muito diferentes. E que a chamada "tradução literal" ou "tradução fiel ao autor" com o sentido de palavra por palavra é irreal, por todos os motivos listados acima. A beleza da tradução está na capacidade de dizer o mesmo a outros de maneira compreensível aos leitores. Por isso o tradutor não é traidor, ele é um artista das letras que com um trabalho árduo garante a sobrevida da obra, assim como afirma Derrida. Um último adendo é a respeito da autoridade moral dos tradutores das obras básicas, tanto Herculano como Guillon foram exemplos de vivência e de conhecimento espírita. Sempre lembrando 'Tradução não é cópia é reescrita'". Vamos ao que penso a respeito: 1. Não me agrada postagem anônima. Parece que “alguém” está se escondendo por detrás de um biombo fenestrado. 2. Dizer que é espírita de berço não transforma ninguém em espírita de verdade. 3. Quando se escreve “chegou as conclusões”, deveria se escrever “chegou às conclusões”. 4. Quem são as “fontes e teóricos sérios”? A própria anônima, seria o caso? 5. Acredito que eu já sabia previamente ao texto publicado, que diga-se de passagem, não é meu, embora de um xará, Carlos de Brito Imbassahy, que a língua não é um “conjunto de signos (e não signos – atente para o acento agudo na letra ‘i’) fechado e intocável”. Aliás, o autor do texto é bastante letrado, culto e muito respeitado, e até por conta disso estou aqui em defesa dele e sei que ele também sabe disso, provavelmente bem melhor do que eu. Não precisaria perder tempo com essa questão. 6. Observações e afirmativas feitas no texto anônimo têm caráter de algo que “chove no molhado”, não têm consistência, não têm uma linha de raciocínio com assertiva que me convença de que o texto de Carlos de Brito Imbassahy tenha qualquer equívoco. 7. Eu sei que há vários tipos de manga, como manga rosa, manga espada, manga manteiga e por aí vai. Nem precisava me dizer. 8. O assunto do texto do Carlos de Brito Imbassahy tem coerência, linha de raciocínio, proposição e conclusão. Além disso, tem coerência histórica, pois ele sabe exatamente por conta de quê faz as afirmações que faz. Guillon Ribeiro foi um real expoente para o Espiritismo brasileiro, mas tinha algumas posturas ligadas a Roustaing (Jean Baptist Roustaing), que fez proposições, digamos, “diferentes” da obra de Kardec. Por conta disso, a importância de seu texto e sua publicação (do Carlos). 9. Herculano Pires não tinha esse tipo de pensamento, que eu poderia me atrever a chamar de “influenciação” e era fidelíssimo às ideias de Kardec. 10. Sugiro a todos que, antes de ler um texto, qualquer que seja, e criticá-lo, faça uma reflexão realmente profunda a respeito. Que aprenda sobre o assunto que irá criticar, para não expressar ideias equivocadas, como estas que me foram enviadas. 11. E mais uma vez: IDENTIFIQUE-SE. Muito grato.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Reencarnação e evolução




Cada encarnação encontra, na alma que recomeça vida nova, uma cultura particular, aptidões e aquisições mentais que explicam sua facilidade para o trabalho e seu poder de assimilação; por isso dizia Platão: “Aprender é recordar-se!”

Há quem não consiga acreditar nisso, mas os fatos da vida mostram a todo momento como a convivência tem construído existências e vidas em comum, no reencontro sucessivo de corações envolvidos em processos de reconstrução, construção e formação de ideais.

São tão comuns os reencontros, que, quando conduzidos de modo adequado, fazem deixar para a humanidade algum legado positivo e quando mal conduzidos, infelizmente produzem um legado infeliz.

Almas gêmeas evidentemente não existem na acepção do termo, mas criaturas com afinidades imensas que "marcam encontro" para prosseguirem com apoio recíproco, isso não se pode negar.

Infortunadamente muitos desses reencontros acontecem em palco da vida que não se constitui em cena favorável para que as pessoas possam concretizar sonhos comuns, pois, em função disso, de atentarem para o que guardam para si, graças ao eventual egoísmo, acabam gerando devastações em torno de si, causando algum lastro de destruição para com os que os acompanhem na experiência vigente.

Para que as almas se reencontrem, é necessário, também, o mérito para a oportunidade. De ambas as partes. Não adianta apenas se reconhecerem e decidirem a conviver em conjunto, se todo o ambiente em torno não é favorável. É preciso respeitar os limites que a vida atual oferece, para não gerar mais dor do que já se tem.

É preciso respeitar a vida como ela é e cumprir com os compromissos já assumidos, evitando contestar o incontestável, pois somente assim, com a sequência de reencarnações, haverá condição para claramente se poder evoluir, pois, quando se nada contra a correnteza, forçando a vida a assumir postura oposta ao fluxo natural, na verdade se assume os riscos da incerteza e das consequências referentes aos outros.

A evolução efetivamente acontece a cada encarnação. Mas os recursos para essa evolução são escolhidos por cada ser humano, nas escolhas que faz. Quem procura o caminho da serenidade, encontra a evolução lenta e progressiva do amor, mas quem busca apenas o caminho da satisfação pessoal, encontra o torvelinho das dores indiziveis, encarnação a encarnação, até que se depure para poder existir livre de impedimentos que tenha criado no correr da sequência delas, das encarnações.

Militão Pacheco

quinta-feira, 29 de março de 2012

Estudos Sobre os Livros de Chico Xavier




A Psicologia contida nos livros.

Nosso Lar

“Quando o servidor está pronto o serviço aparece”. Nota de chamada da Obra Nosso Lar, 1943, ditada pelo Espírito André Luis.

1. “Todo o leitor precisa analisar o que lê”. “O intercambio com o invisível é um momento sagrado, em função restauradora do Cristianismo puro”. Para tanto, precisamos, “em verdade, do Espiritismo e do Espiritualismo, mas muito mais, de Espiritualidade”.

2. A ORAÇÃO NA PSICOTERAPIA ESPÍRITA: “Às almas aflitas e cansadas recomenda-se a Oração como lenitivo para o esgotamento emocional”. No capítulo 2 da Obra Nosso Lar, André Luis, Espírito, afirma que: “é preciso haver sofrido muito, para entender todas as belezas da Oração”.

“As vibrações mentais durante a prece produzem imagens e carreiam energias balsamizantes”. “Há chuvas que destroem e chuvas que criam. Lágrimas há também, assim, é lógico que o Senhor não espera por nossas rogativas para nos amar, no entanto, é indispensável nos colocarmos em determinada posição receptiva, a fim de compreender a infinita bondade”.

3. “Para crescer necessitamos de realizações nobres e a realização nobre exige três requisitos fundamentais: Primeiro, desejar; segundo, saber desejar; e, terceiro, merecer”.

4. TERAPIA DA ALIMENTAÇÃO: “Estamos numa fase em que necessitamos nos adaptar as Leis da Simplicidade. Estamos entrando na era da espiritualização. Busca eliminar metodicamente todas as expressões de vida que nos proporcionem fenômenos puramente materiais será um grande passo no tratamento das sensações e emoções”.

5. MAGNETISMO: “Vemos a ação do magnetismo humano na água, fluido criador, que absorve, em cada lar”, as características mentais de seus moradores. A água carreia as expressões de nossa vida mental. A fluidificação da água, a benção do copo d’água e a sua magnetização." “Nociva nas mãos poderosas, útil nas mãos generosas”.

“O Espírito onde estiver é núcleo irradiante de forças que criam, transformam ou destroem exteriorizadas em vibrações”.

6. AMOR ALIMENTO DAS ALMAS: “A Alma em si se nutre de Amor”.

“A vida terrestre se equilibra no Amor, sem que a maior parte dos homens se aperceba. Almas gêmeas, almas irmãs, almas afins, constituem pares e grupos numerosos. Unindo-se uns aos outros se amparando mutuamente, conseguem equilíbrio no plano de redenção. Quando, porém, faltam companheiras as criaturas menos fortes costuma sucumbir em meio à jornada”. “Nem só de pão vive o homem”.

7. NOÇÕES DE LAR: “O lar é como se fora um ângulo reto nas linhas do plano da evolução divina. A reta vertical é o entendimento feminino, envolvido nas inspirações criadoras da vida. A reta horizontal é o sentimento masculino, em marcha de realizações no campo do progresso comum. O lar é o sagrado vértice onde homem e mulher se encontram para o entendimento indispensável. É templo, onde as criaturas devem unir-se espiritualmente antes que corporalmente”.

Essencial a ‘conversa’, o diálogo... Apaga-se a beleza luminosa do amor, quando os cônjuges perdem a camaradagem e o gosto de conversar”.

“Vão para a mesa inquietos e neurastênicos emitindo fluidos pesados e venenosos, que se misturam automaticamente aos alimentos...”.

8. SABER OUVIR: É UMA ARTE. “Ouvir para levar auxílio justo. E não somente para participar do desequilíbrio e da neurose”. “Deixemos os mortos enterrarem seus mortos”. “Abandone quanto lhe seja possível os propósitos de mera curiosidade; não deseje personificar a mariposa, de lâmpada em lâmpada”.

9. CURIOSIDADE: “A curiosidade sadia, pode ser zona mental muito interessante, mas perigosa, por vezes. Dentro dela, o espírito desassombrado e leal consegue movimentar-se em atividades nobilitantes; mas os indecisos e os inexperientes podem conhecer dores amargas, sem proveito para ninguém”.

Atenção: “Aprenda a construir seu círculo de simpatias e não olvide que o espírito de investigação deve manifestar-se após o espírito de serviço. Pesquisar atividades alheias, sem testemunhos no bem pode ser criminoso atrevimento. Muitos fracassos, nas edificações do mundo, originam-se de semelhante anomalia”. “Todos querem observar, raros se dispõem a realizar”.

“Trabalhe pelo bem dos outros para que possa encontrar o seu próprio bem”. “O espírito de serviço fornece tônicos de misterioso vigor”.

10. “O pensamento é a linguagem universal. A criação mental é quase tudo em nossa vida. O pensamento é a base das relações espirituais dos seres entre si”.

11. CASAMENTO: Por que condenar ao homem e a mulher que se casaram mais de uma vez? Há milhões de criaturas nessas condições." “O Mestre nos prometeu a vida dos Anjos, quando se referiu ao casamento na Eternidade”.

“O verdadeiro casamento é de Almas e essa união ninguém poderá quebrantar”. Há casamento de Amor, de fraternidade, de provação, de expiação, de dever’, de missão. “A união esponsalícia não deve trazer o esquecimento da vida social”.

12. CASAMENTO E SEXO: “É necessário, sobrepor a tudo os princípios de natureza espiritual”.

13. MEDO: Exercícios contra o medo. “Elevada percentagem de existências humanas estranguladas simplesmente pelas vibrações destrutivas do terror, que é tão contagiante como qualquer moléstia de perigosa propagação. O medo é um dos piores inimigos da criatura, por alojar-se na cidadela da Alma, atacando as forças mais profundas. O treinamento contra o medo é fundamental e esta muito acima das próprias lições de enfermagem. A calma é garantia de êxito”.

“Medicina preventiva, como medida primordial para a paz interna; assim é necessária condição de defesa contra o mal, acima das conveniências formais, sem repouso, e trabalho permanente no bem”.

“Preparação religiosa, não política, iluminando o raciocínio para a vida eterna. Com um sacerdócio cuidando essencialmente da Verdade de Deus. Assim inspirar-se-ão a fé e a confiança. Homens espiritualizados para o trabalho sério, coragem”.

14. PENSAMENTO: Quando nos unimos aqueles a quem amamos, ocorre algo de confortador e construtivo em nosso íntimo. É o alimento do Amor. ...Os “pensamentos se entrelaçam, formando núcleos de força viva, através dos quais cada um recebe o seu quinhão de alegria ou sofrimento, da vibração geral. É por essa razão que, no planeta, o problema do ambiente é sempre fator ponderável no caminho de cada homem. Cada criatura viverá daquilo que cultiva. Quem se oferece diariamente à tristeza, nela se movimentará; quem enaltece a enfermidade, sofrer-lhe-á o dano”;

15. NO TESTEMUNHO: Toda a criatura no testemunho deve proceder como a abelha, acercando-se das flores da vida, que são as almas nobres, no campo das lembranças, extraindo de cada uma a substancia dos bons exemplos, para adquirir o mel da sabedoria.

COMENTÁRIOS

“A vida continua além da vida”. “A morte é o jogo escuro das ilusões”.

Na verdade tudo é vida. Espiritualidade significa estar de posse do Subconsciente que ninguém consegue dizer o que seja e onde está.

A Oração é um componente da Meditação ou, melhor dizendo, é uma faze da Meditação...

Desejar esta para a vontade ativa; saber desejar para o trabalho persistente e merecimento justo.

A psicologia espírita nos apresenta estudos valiosos e métodos a seguir, se não seria inócua a obra Nosso Lar, teria sido perda de tempo.

Estudar e aplicar técnicas de respiração e da “absorção de princípios vitais da atmosfera” são métodos de espiritualização; bem como a água misturada com elementos solares,...e magnéticos (fluidoterapia) e alimentação convencional balanceada; para tanto a ciência do nutricionismo se constitui de valioso auxiliar na terapia da alimentação para o controle e aprimoramento dos sentimentos.

Eis aí as formas-pensamento dos egípcios, a ideoplastia do pensamento que plasma formas e sinais nas crianças e nas fotografias. É pelo pensamento que os homens se encontram. “Toda a alma é imã poderoso”.

Hoje é comuns os moradores de uma mesma casa tomarem as refeições com a TV ligada transmitindo notícias de acidentes e catástrofes, sem contar as novelas que são distribuições de neuroses; e a noite dormem com a dita TV ligada nos quartos com programação de violência e de terror...

O Sonho é um estado de emancipação da Alma.

Devemos ser irmãos. Unem-se comumente corpos casam-se dificilmente espíritos.

Quem entroniza o Otimismo terá saúde e alegria.

quarta-feira, 28 de março de 2012

A Evocação dos Mortos na Bíblia e a Sobrevivência do Espírito - Mediunismo





A sobrevivência do espírito, após a morte do corpo (desencarnação) é um pressuposto básico da Doutrina Espírita. Sem este conceito plenamente aceito, toda Doutrina não se sustenta. Mas há comprovação bíblica deste fenômeno?

A Bíblia condena claramente a comunicação com os mortos:

Lv 19:31 - “Não vos voltareis para os necromantes, nem para os adivinhos; não os procureis para serdes contaminados por eles: Eu sou o Senhor vosso Deus.”

Lv 20:6 - “Quando alguém se virar para os necromantes e feiticeiros, para se prostituir com eles, eu me voltarei contra ele e o eliminarei do meio do seu povo.”

Lv 20:27 - “O homem ou a mulher que sejam necromantes, ou sejam feiticeiros, serão mortos: serão apedrejados; o seu sangue cairá sobre eles.”

Dt 18:9-12,14 - “Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos. Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor...”

Is 8:19 - “Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos?”

{ Fonte: Hermenêutica - http://www.hermeneutica.com/estudos/1samuel28-02.html }

Ora, para condenar a comunicação com os mortos, é preciso que primeiramente seja aceita a premissa de que é possível a comunicação em si.

Sendo já aceita a comunicação com os mortos, encontramos um caso prático de comunicação no {Primeiro Livro de Samuel} onde no capítulo 28 “Saul Consulta a Necromante de Endor” há a descrição explícita de um diálogo entre o Rei Saul e o espírito do profeta Samuel, cuja morte havia ocorrido anteriormente.

1Samuel 28:11-13 “Então a mulher [necromante] perguntou: ‘A quem devo evocar?’ Ele [Saul] respondeu: ‘Evoca-me Samuel’. Mas quando a mulher avistou Samuel, deu um grito e disse a Saul: ‘Por que me enganaste? Tu és Saul!’ O rei lhe disse: ‘Não tenhas medo! Vamos, o que estás vendo?’ [o medo seria decorrido da proibição aos necromantes e oráculos, imposta pelo próprio Saul após a morte de Samuel] A mulher respondeu a Saul: ‘Estou vendo um espírito subindo das profundesas da terra’. (p. 195)

1Crônicas 10:13 “Saul morreu assim por causa do mal que tinha feito contra o SENHOR, por não ter obedecido à palavra do SENHOR e ainda por ter consultado o espírito dum defunto para obter uma revelação.” (p. 267)

Logo, a Bíblia Sagrada traz os elementos necessários, não só à comprovação da possibilidade da comunicação entre os mundos invisível e material, como também atesta quão antigos são so fenômenos mediúnicos na história. Nada mais do que o mestre Kardec trouxe à luz no século XIX.


Estudo enviado a nós por amigo, frequentador do NEPT.

terça-feira, 27 de março de 2012

André Luiz





O espírito que conhecemos como André Luiz, em sua última encarnação foi um médico brasileiro residente no Rio de Janeiro. Com bons conhecimentos científicos e grande capacidade de observação, foi-lhe permitido relatar, através do médium Francisco Cândido Xavier, suas experiências como desencarnado. Desejando manter o anonimato - possivelmente respeitando parentes ainda encarnados - quando questionado sobre seu nome, respondeu adotando o nome de um dos irmãos de Chico Xavier.

Alguns espíritas, talvez mais levados pela curiosidade do que por fins práticos, já criaram algunas hipóteses sobre a identificação do médico carioca desencarnado, mas são apenas especulações sem maior solidez ou confirmação pelo próprio André Luiz.

O primeiro livro de André Luiz é de 1943. Neste livro ele descreve sua chegada ao plano espiritual, iniciando pelo período de pertubação imediato após a morte, seguindo pelo seu restabelecimento e primeiras atividades, até o momento em que se torna "cidadão" de "Nosso Lar", colônia espiritual que dá nome ao livro.

Seguem-se outras obras que descrevem experiências e estudos do autor no plano espiritual, que ao longo da obra vão cada vez mais sendo direcionados a tarefa de esclarecimento dos encarnados sobre as realidades do plano espiritual, através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier (as datas são dos prefácios de Emmanuel):

26 de fevereiro de 1944 - Os Mensageiros, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
13 de maio de 1945 - Missionários da Luz, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
25 de março de 1946 - Obreiros da Vida Eterna, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
25 de março de 1947 - No Mundo Maior, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
18 de junho de 1947 - Agenda Cristã, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
22 de fevereiro de 1949 - Libertação, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
23 de janeiro de 1954 - Entre o Céu e a Terra, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
3 de outubro de 1954 - Nos Domínios da Mediunidade, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
1 de janeiro de 1957 - Ação e Reação, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
21 de julho de 1958 - Evolução em dois Mundos, médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, FEB
6 de agosto de 1959 - Mecanismos da Mediunidade, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
17 de janeiro de 1960 - Conduta Espírita, médium Waldo Vieira, FEB
4 de julho de 1963 - Sexo e Destino, médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, FEB
2 de janeiro de 1964 - Desobsessão, médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, FEB
18 de abril de 1968 - E a Vida Continua, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
21 de maior de 1975 - Respostas da Vida, Médium Francisco Cândido Xavier, IDEAL

Além destes livros, André Luiz, também participou de obras conjuntas com outros autores espirituais, principalmente Emmanuel. A relação abaixo, indica algumas destas obras (as datas são dos prefácios):

9 de outubro de 1961, O Espírito da Verdade, Autores Diversos, médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, FEB
2 de julho de 1963, Opinião Espírita, Emmanuel e André Luiz, médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, FEB
11 de fevereiro de 1965, Estude e Viva, Emmanuel e André Luiz, médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, FEB
15 de maio de 1965, Entre Irmãos de Outras Terras, Autores Diversos, médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, FEB
3 de junho de 1972, Mãos Marcadas, Autores Diversos, médiun Francisco Cândido Xavier, IDE
3 de outubro de 1973, Astronautas do Além, Autores Diversos, médium Francisco Cândido Xavier, J. Herculano Pires, GEEM
15 de maio de 1983, Os Dois Maiores Amores, Autores Diversos, médium Francisco Cândido Xavier, GEEM
6 de agosto de 1987, Cura, Autores Diversos, médium Francisco Cândido Xavier, G.E.E.M
17 de janeiro de 1989, Doutrina e Aplicação, Autores Diversos, médium Francisco Cândido Xavier, CEU

A obra medíunica de André Luiz teve - e ainda tem - uma influência considerável sobre o movimento espírita. Suas descrições do plano espiritual - tornando mais preciso e detalhado nosso conhecimento do mesmo - estabeleceram novo patamar de compreensão da vida espiritual, também incentivaram a criação de instituições espíritas devotadas as atividades assistências e grupos de estudos inumeráveis. Por exemplo, temos as "Casas André Luiz" e o "Grupo Espírita Nosso Lar", que se dedicam ao atendimento de crianças deficientes; a "Casa Transitória Fabiano de Cristo", que se dedica ao atendimento de gestantes carentes; o grupo "Os Mensageiros" que se dedica a distribuição gratuita de mensagens espíritas; a própria Associação Médico-Espírita, que tem aprofundado o estudo das obras mediúnicas de André Luiz e suas relações com a prática médica.

É interessante observar que o primeiro livro de André Luiz causou grande impacto pela novidade de suas informações, alguns chegaram a contestar suas descrições de uma vida espiritual muito semelhante a que levamos na Terra, mas o acúmulo de evidências - deste mensagens descrevendo de modo fragmentário a vida espiritual, até obras completas de outros espíritos, por médiuns como Yvonne A. Pereira - provaram sua veracidade.

O mais curioso é que descrições semelhantes já existiam desde os primeiros tempos do "Modern Spiritualism" - por exemplo, as que foram registradas por Andrew Jackson Davis (nasc. 1826 - desenc. 1910) - mas tinham caido no esquecimento.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Atitudes para melhorar




Quando certo órgão físico apresenta-se dolorido, fica identificado, com antecedência, que um problema qualquer está surgindo e que é preciso providências. Assim são a dor de dente, a úlcera, a cefaléia, uma articulação enrijecida, dores diversas.

Vejam que não estamos falando em profilaxia, que consiste em examinar-se antes de sentir qualquer sintoma de doença, em inteligente trabalho de prevenção. Estamos nos referindo aos quadros que já mostram a existência de problemas.

Os males do espírito também se identificam por meio de órgãos enfermos. Não há patologia física, mas apesar de o corpo ainda estar saudável, o inquilino não está cuidando da casa como deveria. A está poluindo e não a mantém dentro dos princípios de higiene.

Sujo o corpo, pelos desequilíbrios, começam os distúrbios do espírito. Assim é que rapidamente a pessoa começa a ficar insatisfeita com a sua vida. Nada do que ela tem lhe causa prazer. Chega a desagradar-se até do próprio nome, ainda que seja bonito. Olha a vida com óculos negros e o colorido do mundo começa a dissipar-se. Sente-se um abandonado.

Por essa razão, não podemos deixar que cresçam em nós os maus pensamentos. Eles são a negação da fé. Se ao rezar a oração do Pai Nosso concordamos que seja feita a vontade de Deus e não a nossa, temos que confirmar na prática, ainda que essa vontade não coincida com o que esperamos.

As doenças físicas são o registro das enfermidades espirituais. Uma vez nascidas na mente, e não nos referimos ao cérebro físico, elas lesam os órgãos do perispírito, os centros de forças, ou chacras como preferem alguns, até chegar aos tecidos e causar lesões.

É comum certas pessoas se dirigirem ao médico, em face de dores que as incomodam e, após os exames e as radiografias, o doutor afirmar que elas não têm nada. Na verdade não têm, ainda. Os sintomas estão nas telas fluídicas, duplo etéreo, perispírito, ou em uma ou mais camadas sutis que formam o homem juntamente com o corpo de carne. As enfermidades já nasceram e estão se dirigindo para o corpo, mas seu trajeto pode ser interrompido.

Esta é a razão por que o passe aplicado no centro espírita, que se destina a fortalecer magneticamente o assistido ou equilibrá-lo moral ou psiquicamente, tem sua eficiência. Funciona como um processo de reversão e a doença que já vinha caminhando em direção à matéria física começa a desintegrar-se no caminho até desaparecer. Por isso a medicina do futuro é a psicossomática. O médico que não tratar da alma juntamente com o corpo, está mais sujeito ao fracasso. A afirmativa de que não há doenças, mas doentes, cada dia é melhor compreendida.

Ninguém espere sua obsessão ficar grande para correr no centro em busca de socorro. Observe-se, e toda vez que perceber algo estranho, vá buscar ajuda nessas casas, que são todas filiais ou departamentos da mesma casa matriz de Jesus.

E as sementes que fazem nascer as grandes árvores da obsessão, são a sonolência sem razão, irritabilidade, incapacidade de dizer uma prece ou ler um livro edificante, desinteresse pela vida, preguiça, cansaço sem causa que justifique, mania de perfeição, avareza mesmo nas coisas mais miúdas, insistir em ser dono da verdade, queixas insistentes de dores reais ou imaginárias.

Em uma análise do que acima foi mencionado, todos argumentarão que se esses são os sintomas do desequilíbrio espiritual, que nos levam aos processos obsessivos, então a humanidade sofre de obsessão crônica e epidêmica. E se nos perguntassem, responderíamos que sim. Em razão dos valores que o mundo elegeu como básicos, onde o egoísmo ultrapassou os limites do suportável para uma convivência, não há espírito pisando o chão deste planeta que possa garantir-se sadio.

Esta afirmativa em nada desmerece o homem da Terra, que aqui reencarnou por ser gêmeo dela. Mas considerando-se a longevidade do espírito, não restrita aos poucos minutos espirituais de uma encarnação, o esforço de melhoramento deve fazer parte das nossas metas. Quem menosprezar as coisas miúdas, taxando-as de insignificantes e secundárias, é sério candidato a perder-se no labirinto de suas próprias aflições.

Octávio

sábado, 24 de março de 2012

Amigos




São aqueles que sentimos afinidades que nos despertam saudade e que conhecem a nossa realidade!

Amigos do peito são aqueles que se tornam especiais que se fazem essenciais.

Ouvindo quando necessitamos falar...

Calando quando necessitamos ouvir...

Estimulando quando pensamos em desistir...

Amparando quando achamos que vamos cair...

Amigos verdadeiros são aqueles que se entristecem com nossas derrotas...

Que se sentem felizes com as nossas vitórias...

Que caminham lado a lado na mesma direção...

Sempre nos impulsionando quando a vida parece perder a razão...

Amigos de verdade são amigos queridos, jamais esquecidos,

E mesmo quando ausentes, eles se tornam presentes, porque estão bem dentro do coração!


Simone

sexta-feira, 23 de março de 2012

Recomeços




Temos, todos os dias, a oportunidade de um recomeço, ao poder rever nossos atos diários e buscando ter sempre o entendimento para nossas dores e mais ainda sabendo enfrentar com coragem e amor todos os obstáculos que aparecem diante de nossa caminhada.

Temos diante de nossas vidas a possibilidade de mudança, sempre para melhorar, buscando o amor verdadeiro, o desapego material, guiando-nos, assim, através da Luz, aproximando-nos de Deus, de algum modo.

Que possamos sempre praticar o Bem, dando sempre o melhor de nós mesmos e que, através deste Bem, tenhamos a oportunidade de auxiliar a fazer do mundo algo melhor para todos.

mensagem recebida em psicografia no NEPT em março de 2012.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Pensamentos




O que se pensa sempre responde pelo clima emocional onde se vive.

A partir da vida espiritual observa-se a psicosfera de alguém pela incidência freqüente do seu pensamento, naquilo que elege como mais importante para si.

A integridade moral gera pensamentos de qualidades superiores e se constitui na melhor defesa para qualquer tipo de agressão.

O hábito da prece e da mentalização de nível elevado irradia em torno da pessoa forças opostas às eventuais investidas que tenham por objetivo destituí-la de sua integridade psíquica, emocional, física e espiritual.

A prática do bem, estendendo boa vontade aos que acompanhem acompanhem a jornada, fortalece os centros vitais do perispírito, que oprime quaisquer investidas contrárias à economia dela (a própria criatura).

O conhecimento mais adequado sobre as leis que regem a vida permite maior clareza nas posturas diante das dificuldades e maior serenidade para enfrentá-las.

Tudo questão de sintonia com padrões elevados de forma-pensamento que permeia lucidez e consciência, afastando quem assim se permita manter das paixões destrutivas e da vulgaridade deteriorante.

Aplique sua vontade para elevar a qualidade de seus pensamentos a um patamar acima das preocupações habituais do mundo, para poder viver melhor, mais amplamente, mais serenamente, com maior aproveitamento diante das companhias que você conquistou na vida, através de seu amor, de sua dedicação e da sua boa vontade.


Leopoldo

quarta-feira, 21 de março de 2012

Recomendações simples






Não se permita ouvir boatos e colocações que falem mal dos outros, pois intriga é uma víbora que se aninhará em sua alma.

Não focalize as imagens equivocadas que pululam à sua volta, pois elas viverão corroendo seu íntimo, na tela se sua mente.

Faça com que suas mãos sejam úteis ferramentas na sementeira do bem e não instrumentos geradores de dor e sofrimento para os outros e para você mesmo.

Evite colocar-se à disposição apenas dos prazeres e das satisfações, lembrando que você responderá pelo que fizer em tudo na vida.

Excitações contínuas geram dificuldades progressivamente maiores com o tempo. Tenha em mente que suas criações inferiores atormentarão seu mundo íntimo.

Não faça de tudo em sua vida um motivo para sofrer, ainda que você esteja sendo agraciado com excelentes oportunidades por ela e eduque seus sentimentos e suas emoções, para que eles não controlem você.

Se você quer ir para o “paraíso”, deseje que todos possam ir com você, pois ninguém consegue caminhar para luz isoladamente, apesar de cada um ter seu próprio caminho.

É fundamental caminhar de mãos dadas na experiência humana, para que todos alcancem a oportunidade da luz, pois somente assim cada um de nós terá dentro de si a paz tão almejada.


Leopoldo

terça-feira, 20 de março de 2012

O amor é o caminho





“Quando nos unimos aqueles a quem amamos, ocorre algo de confortador e construtivo em nosso íntimo. É o alimento do Amor. Os ‘pensamentos se entrelaçam, formando núcleos de força viva, através dos quais cada um recebe o seu quinhão de alegria ou sofrimento, da vibração geral’.
É por essa razão que, no planeta, o problema do ambiente é sempre fator ponderável no caminho de cada homem. Cada criatura viverá daquilo que cultiva.”

O amor é a grande força motriz da vida, mas, mesmo sabendo disso, vivemos num mar de ilusões passageiras que conduzem a equívocos e descaminhos.

Perde, a humanidade, o sentido do que é realmente mais importante e se deixa conduzir pelas imagens fenestradas por perturbações que contradizem o verdadeiro sentido de viver, pois maltratam o corpo e desbaratinam o Espírito, levando-o e outras imagens ainda mais perversas que fecham um círculo vicioso de paixões progressivamente mais cruéis, até o desfecho de uma encarnação com enorme perda de oportunidades que só serão resgatadas através de muitas lágrimas de dor.

O amor é confundido com prazer.

O prazer é o motor que conduz à dor.

A dor é o caminho que leva ao amor.

Ainda que tortuoso e cheio de atalhos onerosos para a economia da existência.

Lembrando que cada criatura viverá daquilo que cultiva, pode-se afirmar que quem semeia vento, colhe tormentas variadas.

Mas no amor, certamente encontrará a verdadeira libertação, como cita André Luiz, no trecho acima de Nosso Lar.

Mergulhe a criatura humana na luz, para que seja esclarecido.

Saia da escuridão, através do esforço e da luta, para conquistar a liberdade tão almejada!

Que assim seja!




Leda

segunda-feira, 19 de março de 2012

Mudanças planetárias




Os Espíritas gostam da idéia de que a Terra deixará de ser um mundo de expiações e provas para tornar-se mundo regenerador.

Nos mundos de regeneração, seus habitantes procuram viver sob a influência maior das necessidades e valores espirituais.

Vivem ainda sujeitos às leis naturais, têm as mesmas sensações e desejos que nós, mas estão libertos dos vícios e das paixões desequilibradas que ainda escravizam os homens na Terra.

Têm ainda de passar por provas, às quais compreendem e buscam vencê-las com confiança em Deus, em si, com serenidade.

Esforçam-se por viver de acordo com as leis naturais, participando então de uma sociedade mais justa, mais solidária e mais feliz.

Reconhecem sua realidade espiritual, assumem a responsabilidade, consciente e feliz, da sua evolução.

Seus objetivos maiores são satisfazer suas necessidades espirituais, visto que as sócio-econômicas estão sendo resolvidas, satisfatoriamente, sem privilégios particulares, pessoais ou de grupos, pois o bem de todos é a aspiração de cada um, ou pelo menos, da grande maioria.

Os deveres e os direitos dos homens são respeitados e todos têm as mesmas oportunidades de crescimento, de acordo com sua vontade, seus interesses.

São mundos felizes para nós que vivemos na Terra!

A Terra nos parece muito distante de tornar-se um mundo regenerador, embora já tenha evoluído muito, porque a progressão material e espiritual estão sempre presentes, seja através do esforço, da boa vontade no bem ou através da dor, do sofrimento, conseqüências das más ações dos homens.

Mas o caminho para a espiritualização da humanidade não acontece em um piscar de olhos e precisa de décadas, ou mesmo, séculos para acontecer.

Por isso, olham, os Espíritas, para a vida e sacodem a cabeça, em dúvida, perguntando a si mesmos “como será a transformação deste planeta?” Tudo parece tão distante...

Se aceitam, os Espíritas, o progresso como uma das forças da natureza, presente em tudo que existe, material e espiritual, precisam aceitar que a Terra e seus habitantes não continuarão como hoje.

Houve muita mudança desde sua formação e o aparecimento dos primeiros seres vivos. No corpo físico de hoje, difícil pensar no ser unicelular que lhe deu origem. Na alma de hoje, difícil pensar no princípio espiritual do qual se desenvolveu.

O homem de hoje e a Terra de hoje são muito diferentes da Terra e do homem primitivo.

Por que então, a humanidade terrena, constituída de encarnados e desencarnados, não pode transformar-se mais e tornar a Terra um mundo melhor?

Aceitam, os Espíritas, que essa mudança já está sendo realizada.

Aliás, pensam que já vivem na fase de transição, que se completará quando grande parte da humanidade estiver empenhada, realmente, em resolver os problemas sócio-econômicos e morais em
favor de todos os seus habitantes, derrubando as barreiras do fanatismo, do nacionalismo exacerbado, do racismo, do poder que quer dominar o outro, aproveitando-se das dificuldades do mais frágil.

Acreditam que, neste milênio, a luta maior da humanidade será o desenvolvimento do respeito aos direitos individuais e das nações, em direção ao amor ao próximo, que leva, somente, a fazer aos outros, o que se quer para si.

Aqueles que não conseguirem acompanhar esse progresso moral, permanecendo no mal pelo prazer do mal, serão conduzidos para mundos inferiores, onde viverão entre homens primitivos, reiniciando seu desenvolvimento moral.

Muitas coisas boas e más acontecem, mas o destaque maior, através da mídia, é para as coisa ruins.

Existe a parte boa dessa divulgação do mal, porque “necessário é que este seja conhecido, difundido para que os homens se horrorizem e busquem combatê-lo”, desenvolvendo o bem.

Como, por conta imperfeição humana, aprende-se e desenvolve-se mais em situações adversas e difíceis, temos hoje, as condições propícias ao desenvolvimento moral e ao encontro das melhores soluções para os grandes problemas que afligem os homens e as nações.

Se hoje a Terra ainda não está pronta para a grande mudança, oferece a todos uma boa época de transição, pelo chamado à responsabilidade de cada um na tarefa de regeneração da humanidade.

Que se possa aproveitar esse tempo para melhorar, porque a auto-educação é lenta e também para colaborar nessa gigantesca tarefa, onde se estiver, aqui ou na vida espiritual.

Pensar que nessa luta, na qual todos estão envolvidos, continuará havendo dores e sofrimentos, porque o homem, em geral, ainda não sabe usar a instrução, a informação, a saúde, o bem-estar, a ciência, a tecnologia, a arte no bem, em benefício de todos.

Confiar, porém, em Deus, em Suas leis justas e misericordiosas, na capacidade do homem em se transformar e de mudar o mundo, nas atividades de auxílio dos Espíritos Superiores, que trabalham sob a direção de Jesus, que nos ensinou a fazer sempre e em qualquer situação a vontade de Deus e que continua na direção do planeta Terra. Lembrar de sua afirmação: "Nenhuma ovelha que o Pai me confiou se perderá”.

Que cada um faça, pois, a sua parte, no cumprimento dos deveres, sem exigências em relação aos outros no lar, no trabalho, no lazer, com determinação e participação na resolução dos problemas que afetam a humanidade, porque são todos responsáveis na elevação da Terra a uma categoria maior, onde a humanidade poderá viver na sociedade justa e feliz que todos almejam e querem.



Leda.

sábado, 17 de março de 2012

A lei de amor




O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias sociais. Ditoso aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor os seus irmãos em sofrimento! ditoso aquele que ama, pois não conhece a miséria da alma, nem a do corpo. Tem ligeiros os pés e vive como que transportado, fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou a divina palavra -amor, os povos sobressaltaram-se e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.

O Espiritismo a seu turno vem pronunciar uma segunda palavra do alfabeto divino. Estai atentos, pois que essa palavra ergue a lápide dos túmulos vazios, e a reencarnação, triunfando da morte, revela às criaturas deslumbradas o seu patrimônio intelectual. Já não é ao suplício que ela conduz o homem: condu-lo à conquista do seu ser, elevado e transfigurado. O sangue resgatou o Espírito e o Espírito tem hoje que resgatar da matéria o homem.

Disse eu que em seus começos o homem só instintos possuía. Mais próximo, portanto, ainda se acha do ponto de partida, do que da meta, aquele em quem predominam os instintos. A fim de avançar para a meta, tem a criatura que vencer os instintos, em proveito dos sentimentos, isto é, que aperfeiçoar estes últimos, sufocando os germes latentes da matéria. Os instintos são a germinação e os embriões do sentimento; trazem consigo o progresso, como a glande encerra em si o carvalho, e os seres menos adiantados são os que, emergindo pouco a pouco de suas crisálidas, se conservam escravizados aos instintos. O Espírito precisa ser cultivado, como um campo. Toda a riqueza futura depende do labor atual, que vos granjeará muito mais do que bens terrenos: a elevação gloriosa. E então que, compreendendo a lei de amor que liga todos os seres, buscareis nela os gozos suavíssimos da alma, prelúdios das alegrias celestes.

Lázaro. (Paris, 1862.)

sexta-feira, 16 de março de 2012

Auto-amor





Tem muita gente que se queixa de falta de auto-estima. E isso não é uma questão dos tempos modernos, mas sim da natureza humana em detrimento das dificuldades que possa ou não enfrentar.

Se você quer reconquistar a auto-estima, o auto-amor, comece tomando algumas atitudes que poderão lhe ajudar definitivamente nesta questão.

Cuide de suas atitudes impulsivas e não se deixe contaminar por elas no seu cotidiano.

Trabalhe, mesmo que seja voluntariamente, pois a mente ocupada no trabalho se ajuda muito e evita o cultivo de pensamentos infelizes.

Ouça os eventuais bons conselhos que você mesmo dá aos outros e pratique em sua vida, pois certamente eles serão úteis para você também.

Quando alguém venha a lhe tecer alguma crítica, seja receptivo e não se ofenda, tentando aprender com a disposição de alguém que, de algum modo, se preocupa com você.

Faça todo esforço possível para não dar importância para os erros dos outros com relação a você.

Afaste-se de conversações não produtivas e fúteis, pois elas inundam o cérebro de sensibilidade e preocupação improdutivos.

Retribua sempre o mal com boas atitudes, com palavras serenas e boa disposição para a compreensão e o amor.

Quando se dispuser a ajudar alguém, nunca espere retribuição. Faça para praticar a caridade, pois ela é o grande medicamento para qualquer alma.

Persevere em atitudes construtivas para você, para os outros e para a vida.

Coloque-se sempre à disposição do Cristo, em pensamento, palavra e atitude, pois esta sintonia é salutar postura que aproximará você da cura para a falta de auto-amor.



Militão Pacheco

quinta-feira, 15 de março de 2012

Espíritos Protetores




Podemos entender que os Espíritos Protetores são embaixadores de Deus em nossas vidas, iluminando a vida de cada pessoa, com devotamento inigualável.

Embora muitas vezes a criatura se sinta sozinha, seu anjo guardião ao seu lado está, em todas as circunstâncias, fazendo todo o possível para que seja ouvido, nas mais difíceis provas da vida, ainda que seu tutelado esteja em tal estado de perturbação que não consiga sequer perceber qualquer traço de sua presença.

Lança mão de todos os recursos que possa para que a pessoa de quem cuida seja, de algum modo, beneficiada de alguma maneira com um esclarecimento, com uma palavra, com algum acontecimento que possa ser ferramenta para a sua iluminação.

Ainda que seja através de outras pessoas, inspirando-as, para que sejam os veículos que levem o conselho para seu protegido.

Ou, mesmo, através de um fato, de uma circunstância, a lição vai de encontro com o aluno que está sob seus cuidados.

O envolvimento do Espírito Protetor com seu tutelado é profundo e muito particular e íntimo, no sentido fraterno.

Entretanto ele não entra em sintonia com pensamentos, palavras e gestos que tenham direção oposta às diretrizes cristãs. Não encoraja o erro, não endossa a maldade, a inveja, a preguiça, o descaso, o preconceito, a leviandade, o crime, a corrupção, justamente por ser um Espírito em grau de evolução acima do que a humanidade conhece habitualmente.

Ele trabalha para o Bem, incansavelmente, com absoluta fidelidade, por já ter adquirido a necessária capacidade de discernimento e potenciais cristãos definitivos.

Mas não censura aquele de quem cuida, quando este se apresente equivocado. Fica ao seu lado, observando qualquer pequena oportunidade que possam ter de aproximação para auxiliar.

Ele é, na verdade, um dos maiores exemplos de Amor na Terra, por conta de sua extremada dedicação por aquele de quem é responsável e pelo propósito nobre que tem consigo de encaminhar seu tutelado à luz do esclarecimento e do amor.

Mas é esquecido por cada um de nós, que, com certa frequência simplesmente ignoramos sua existência e sua importância para nossas vidas.

Mas é uma equipe enorme de Espíritos Nobilitantes, dedicados ao amor e referendados por Jesus.

Como diz Emmanuel: "cada criatura, no mundo, encontra-se vinculada a um anjo guardião, em quem pode e deve buscar inspiração, auscultando-o e deixando-se por ele conduzir em nome da Consciência Cósmica".

Faça o possível para não se afastar de seu Anjo Guardião e, se por alguma razão está difícil a sintonia com ele, eleve seu pensamento com o recurso da prece, pois ela irá lhe auxiliar para resgatar sua sintonia com este seu tutor de coração, que o ajudará a enfrentar seus percalços e a tomar as difíceis decisões da vida.

Militão Pacheco

quarta-feira, 14 de março de 2012

Respeito em velórios




Quem vai a um velório sem consciência de que aquele é um lugar de muito respeito, de oração sentida e de bons pensamentos, não imagina o mal que pode estar causando ao morto. Sua falta de educação e sua insensibilidade são dolorosas a quem se despede deste mundo.

Em primeiro lugar, o espírito que deixa o corpo entra imediatamente num ciclo de perturbação, para se desligar do corpo que não lhe serve mais, o que pode demorar poucas horas, meses ou até anos, variando de acordo com seu adiantamento moral.

Nessa passagem, o espírito prepara-se para longo sono, do qual despertará sem noção de tempo e espaço, até se adaptar à nova dimensão. Será como um mergulhador que retorna numa cápsula do fundo do mar para a quarentena de adaptação a seu ambiente natural.

Assim, num momento tão crucial, ter em sua volta pessoas que, a título de dele se despedir, fazem do cemitério uma esquina a mais do Café Central, discutindo política, negócios e futebol, quando não coisas piores, obviamente lhe tornará mais penosa a travessia entre dois mundos.

Mais do que nunca, o espírito precisa de vibrações de harmonia, que só se formam através da prece sincera e de ondas mentais positivas.

Ensina O Livro dos Espíritos que a separação não se opera instantaneamente. A alma se liberta gradualmente e não escapa como um pássaro cativo que, de repente, ganhasse a liberdade. Esferas material e espiritual se tocam e se confundem e o espírito se liberta, pouco a pouco, dos laços que o prendem ao corpo. Os laços se desatam, não se quebram.

É por isso que desenlace é sinônimo de falecimento. Em vida, o espírito fica preso ao corpo através do seu envoltório semi-material ou perispírito. A morte é a destruição somente do corpo e não do perispírito.

A perturbação que se segue à morte nada tem de dolorosa para o justo, aquele que esteve na Terra sintonizado com o Céu, errando por ser humano, mas decidido na prática sistemática do bem. Para os que viveram presos ao egoísmo, escravos dos vícios e ambições mundanas, a morte é uma noite, cheia de horrores, ansiedades e angústias.

Nos casos de morte coletiva, todos os que perecem ao mesmo tempo nem sempre se revêem. Na perturbação comum, cada qual vai para seu lado ou se preocupa apenas com aqueles que lhe interessam.

No seu instrutivo livro Quem tem medo da morte?, Richard Simonetti considera que basicamente o espírito permanece ligado ao corpo enquanto lhe são muito fortes as impressões da existência física. Os materialistas, que fazem da jornada terrena um fim em si, que não cogitam objetivos superiores, escravos de paixões, ficam retidos por muito tempo, até que a impregnação animalizada de que se revestem seja reduzida a níveis compatíveis com o desligamento.

Certamente os benfeitores espirituais podem fazer de imediato o desligamento, o que não é aconselhável, porquanto o falecido teria dificuldades maiores para se reajustar às realidades espirituais. O que aparentemente sugere castigo para quem não viveu existência condizente com os princípios cristãos, é na verdade misericórdia divina. Não obstante o constrangimento e as sensações desagradáveis que venha a enfrentar, na contemplação de seus despojos carnais em decomposição, tal circunstância é menos traumatizante do que o desligamento precipitado.

O burburinho das conversas vazias e dos comentários irresponsáveis, assim como os desvarios dos inconformados e o desequilíbrio dos descontrolados, repercutem negativamente na percepção de quem está indo embora. Quem conhece os problemas que envolvem o viajor tem o indeclinável dever de contribuir para que os velórios se transformem em ambientes de compostura e serenidade. Richard Simonetti ensina-nos esse caminho:

– Sejamos comedidos. Cultivemos o silêncio, conversando, se necessário, mas em voz baixa, de forma edificante. Falemos no morto com discrição, evitando pressioná-lo com lembranças e emoções passíveis de perturbá-lo, principalmente se forem trágicas as circunstâncias do seu falecimento. E oremos muito em seu benefício. Se não conseguirmos manter semelhante comportamento, melhor será que nos retiremos, evitando engrossar o barulhento coro de vozes e vibrações desrespeitosas, que tanto atrapalham o morto.

Como quem não ouve conselho ouve coitado, fica aqui a receita da lógica e da razão, porque recebemos exatamente o que oferecemos aos nossos semelhantes. Lembremo-nos de que, mais dia menos dia, também nos encontraremos de pés juntos, deitados numa urna mortuária e ainda atados às impressões da vida física.

Desejaremos, então, que nos respeitem a memória e não conturbem nosso desligamento, amparando-nos nos valores inestimáveis do silêncio e da oração, da tranqüilidade e da compreensão, a fim de atravessarmos com segurança, conforto e rapidez, os umbrais da Vida Eterna. E pela lei de causa e efeito, vigente em tudo no Universo, teremos em nós o que fizemos aos outros.

Javier Godinho

terça-feira, 13 de março de 2012

Estudar Kardec




Há muitas confusões, feitas intencionalmente ou não, entre o Espiritismo e numerosas formas de crendice popular, inclusive as formas de sincretismo religioso afro-brasileiro, hoje largamente difundidas. adversários da doutrina espírita costumam fazer intencionalmente essas confusões, com o fim de afastar do Espiritismo as pessoas cultas. Por outro lado, alguns espíritas mal-orientados, que não conhecem a própria doutrina, colaboram nesse trabalho de confusão, admitindo como doutrinárias as mais estranhas manifestações mediúnicas e as mais evidentes mistificações.

Alguns leitores se mostram justamente alarmados com a larga aceitação que vem tendo, em certos meios doutrinários, práticas de Umbanda e comunicações de Ramatis. E nos escrevem a respeito, pedindo uma palavra nossa sobre esses assuntos. Na verdade, já escreve­mos numerosas crônicas tratando da necessidade de vigilância nos meios espíritas, de maior e mais seguro conhecimento dos nossos princípios, e apontando os perigos decorrentes do entusiasmo fácil, da aceitação apressada de certas inovações. Mas, para atender às solicitações, voltaremos hoje ao assunto.

Kardec dizia, com muita razão, que os adeptos demasiado entusiastas são mais perigosos para a doutrina do que os próprios adversários. Porque estes, com­batendo o que não conhecem, evidenciam a própria fraqueza e contribuem para o esclarecimento do povo, enquanto os adeptos de entusiasmo fácil comprometem a causa. O que estamos vendo hoje, no meio espírita brasileiro, não é mais do que a confirmação dessa assertiva do codificador. Espíritas demasiado entusiastas estão sempre prontos a receber qualquer “nova revelação” que lhes seja oferecida, e a divulgá-la sofregadamente, como verdades incontestáveis. Que diferença entre o equilíbrio e a ponderação de Kardec e essa afoiteza inútil e prejudicial!

No tocante à Umbanda, já dissemos aqui, numerosas vezes, que se trata de uma forma de sincretismo religioso, ou seja, de mistura de religiões e cultos, com a qual o Espiritismo nada tem a ver. As formas de sincretismo religioso são, praticamente, as nebulosas sociais de que nascem as novas religiões. A Umbanda já superou a fase inicial de nebulosa, estando agora em plena fase de condensação. E por isso que ela se difunde com mais intensidade. Já se pode dizer que é uma nova religião, formada com elementos das crenças africanas e indígenas, misturados a crenças e formas de culto do catolicismo e do islamismo em franco desenvolvimento entre nós. O Espiritismo não participou da sua formação, embora os nossos sociólogos, em geral, exatamente por desconhecerem o Espiritismo, digam o contrário, pois confundem o mediunismo primitivo, de origem africana e indígena, com os princípios de uma doutrina moderna. Nós, espíritas, devemos respeitar na Umbanda uma religião nascente, mas não pode­mos admitir confusões entre as suas práticas sincréticas e as práticas espíritas.

Quanto às mensagens de Ramatis, também já tive­mos ocasião de declarar que se trata de mensagens mediúnicas a serem examinadas. De nossa parte, consideramo-las como mensagens confusas, dogmáticas, vaza­das na linguagem típica dos espíritos pseudo-sábios, a que Kardec se refere na escala espírita de O Livro dos Espíritos. Cheias de afirmações absurdas, e até mesmo contraditórias, essas mensagens revelam uma fonte que devia ser encarada com menos entusiasmo e com mais cautela pelos espíritas. Em geral, nossos confrades se entusiasmam com “as novas revelações” aparentemente contidas nas mesmas, esquecendo-se de passá-las, como aconselhava Kardec, pelo crivo da razão.

O que temos de aconselhar a todos, pelo menos a todos os que nos consultam a respeito, é mais leitura e mais estudo de Kardec, e menos atenção a espíritos que tudo sabem e a tudo respondem com tanta facilidade, usando sempre uma linguagem envolvente, em que nem todos sabem dividir a verdade do erro. “O Espiritismo”, dizia Cairbar Schutel, “é uma questão de bom-senso”. Procuremos andar de maneira sensata, na aceitação de mensagens mediúnicas.

- passagem do livro "O Mistério do Bem e do Mal" de José Herculano Pires

segunda-feira, 12 de março de 2012

O encontro





Conheço pessoas que estão aguardando a volta do Cristo a qualquer momento.

Há até previsões de sua vinda na Terra, para abraçar os eleitos que o aguardam ansiosamente.

Criaturas que perderam o ritmo da vida, por conta de uma ilusão surreal de que o Mestre reencarnará novamente ou virá em corpo fluídico para consolar a poucos.

Perderam o principal: Jesus já está entre nós. Continuamente, tocando cada coração, sensibilizando cada mente, sugerindo liberdade a cada uma de suas ovelhas, que não apresentam eleitos, pois Ele nos ama a todos, sem qualquer exceção, independente de sermos ou não corretos.

Independente, inclusive, de crermos n’Ele, de sabermos que Ele está aqui, pois nada espera de cada um, por nos conhecer em nossa intimidade.

E Ele se manifesta nas pequenas e nas grandes coisas.

Mesmo quanto nos sintamos desamparados, derrotados, exterminados, Ele está conosco.

Ele não virá, pois já está aqui.

Não é preciso, nem mesmo, aguardar o desencarne para tê-Lo cuidando de nós, pois Ele já faz isso e desde tempos imemoriais.

Não perca você também seu ritmo: encontre Jesus em seu coração. Carregue-o em seus pensamentos, em suas palavras e em suas atitudes. Não espere que as coisas aconteçam para você e seja proativo, fazendo sua parte em sua postura diante da vida.

Leia, estude e pratique o Amor de Jesus, para que sua vida tenha ainda mais sentido, pois nós sabemos que Ele é o caminho para a verdade e para a vida.




Militão Pacheco

domingo, 11 de março de 2012

Biografias de Personagens importantes para o Espiritismo




Carlos Imbassahy

Nascido em 9 de setembro de 1884, doutor Carlos Imbassahy enfrentou galhardamente a passagem do século vivendo até 1969, quando desencarnou antes de completar seus 85 anos de existência bem vivida.

Em 1901 era um jovem advogado que militava nos meios forenses, tendo sido nomeado por concurso público Promotor Público na comarca de Andaraí, uma cidade interiorana do seu estado natal, a Bahia.

A vida forense não lhe sorriu e, como conta, no livro Memórias Pitorescas do Meu Pai, o doutor Imbassahy se deparou com um Juiz ciumento, achando que todos cobiçavam sua distinta consorte (ou sem sorte) e mais os políticos da região, todos armados e determinando a conduta dos demais.

Não podendo cumprir sua função, foi obrigado a largar a magistratura, vindo para o Rio de Janeiro, onde, ainda por concurso, ingressou na carreira de Estatístico do Ministério da Fazenda.

Foi aí que conheceu Amaral Ornelas, o grande poeta espírita, com o qual fez amizade e teve seus primeiros contatos com o estudo doutrinário.

Não vamos repetir aqui o que o livro de suas memórias, já citado, narra.

Por esta época, já dedicado à literatura, havia escrito seu primeiro romance, intitulado Leviana e que era um pouco da sua própria história com a fantasia do literato, juntado outros fatos ao enredo, a fim de criar a trama romântica.

Como ainda não era espírita, o autor imprimiu no livro a sua já configurada tendência para o conhecimento dos estudos referentes à doutrina codificada por Kardec.

Assas curioso tal fato e, posteriormente, ele próprio, já desencarnado, veio complementar a obra, dando-lhe as explicações espirituais que envolviam a trama. A segunda edição deste romance sairá com este apêndice literário mediúnico.

Acumulando com as suas funções de funcionário público, o Dr. Imbassahy também exercia a profissão de jornalista, chegando a ser o Redator-chefe e Diretor da Revista da Estrada de Ferro, além de trabalhar na redação de jornais diários do Rio de Janeiro.

Foi assim que acabou sendo convidado para se tornar redator da revista O Reformador publicada pela Federação Espírita Brasileira (FEB), ocupando o cargo de secretário durante longos anos.

Junto com seu amigo Amaral Ornelas e com Bernardino Oliva da Fonseca Filho, o Bebé, grande médium psicógrafo, fundaram os três um Centro Espirita em cuja presidência os mesmos se alternavam.

Todavia, suas atribuições não impediam que participasse ativamente do movimento espírita onde foi lançado como orador pelo próprio Ornelas.

Adotou um estilo novo de expor, procurando alternar os ensinamentos doutrinários com assuntos leves e até mesmo jocosos que fossem capazes de atrair a atenção dos seus ouvintes. Com isso, aos poucos, foi criando Escola, apesar de combatido pelos mais austeros líderes do movimento espírita.

Mesmo, pertencente à direção da revista editada pela FEB, ele ainda não tinha tido conhecimento dos trabalhos de J. B. Roustaing sobre o docetismo cristão que este autor tentara implantar no meio espírita de França e que a FEB resolvera seguir.

Foi quando um padre, em Juiz de Fora, resolveu atacar o Espiritismo. Os companheiros de Doutrina acharam por bem pedir socorro à casa máter, isto é, à FEB que, para atendê-los, indicou o Dr. Imbassahy. Este deveria comparecer àquela cidade, dita manchester mineira, para rebater as acusações do membro eclesiástico da Igreja.

Na hora em que embarcou, por ferrovia, para a aludida cidade, um dos diretores, para ajudá-lo, entrega-lhe os volumes traduzidos pela própria FEB, da obra de Roustaing, dizendo-lhe:

- Imbassahy: aqui você encontrará tudo o que precisa par acabar com o padre!

E o enviado para combater o eclesiástico em Juiz de Fora aproveitou a viagem para estudar a obra que ainda não conhecia. Começou a lê-la. Sua razão, evidentemente, fê-lo estarrecer-se do conteúdo - ao qual considerou absurdo - daquela obra que tinha em mãos.

O principal tópico dos debates seria a ressurreição de Lázaro e quando Dr. Imbassahy leu as explicações dadas pela comunicação mediúnica à Sr.ª Collignon, ficou horrorizado, pensando no fiasco que faria se apresentasse aquilo como argumento para debate.

Foi seu primeiro contato e sua primeira decepção com Roustaing.

Segundo ele, sua grande sorte foi a de que o Padre, no dia do debate, resolveu se ausentar da cidade e ele, “magnanimamente”, preferiu não abordar os temas em foco.

Como era muito amigo dos diretores da FEB, suas atribuições ante a revista, como jornalista, não sofreram qualquer abalo.

Os tempos se passam e desencarna o presidente Guillon Ribeiro. Elegem para substituí-lo um jovem militante roustainguista que tinha outra visão da Doutrina e que achava fundamental que todos os participantes dos cargos diretivos da Federação Espírita Brasileira fossem não apenas adeptos, mas militantes professos do roustainguismo. E, com isso, Dr. Imbassahy, praticamente, foi excluído do seu cargo e afastado, a bem da comunidade, do movimento federacionista.

Mas, à essa altura, seu lastro doutrinário e sua fama de escritor já lhe haviam coroado a carreira literária. Foi dessa forma que seus novos livros encontraram uma série de editores fora do contexto febiano para serem publicados.

E sua bagagem foi enriquecida com excelentes livros cujas edições esgotadas mereciam nova republicação.

Afastado da FEB, passou a ser um dos grandes expoentes, ao lado de seu querido amigo e conterrâneo Leopoldo Machado, o baluarte dos movimentos espíritas que não tinham apoio daquela entidade.

Assim foi orador oficial do Congresso Sul-americano de Espiritismo realizado no Rio de Janeiro, participou de todos os congressos de Escritores e Jornalistas Espíritas realizados no Brasil, até seu desencarne, incrementou o movimento de jovens e teve importante participação junto ao I (e único) Congresso Brasileiro de Mocidades Espíritas, enfim, destacou-se sobremodo pelo apoio que sempre deu às Semanas Espíritas e a quaisquer atividades doutrinárias que tivessem como escopo a difusão do Espiritismo.

Junto com sua esposa, participou do Teatro Espírita, encenando esquetes e pequenas peças ou entreatos durante Semanas Espíritas, escrevendo, até, uma comédia intitulada Firma Roscof e Cia, incentivando os jovens espíritas à arte pura e sadia, enfim, como literato, como jornalista e como expositor doutrinário, realizou uma obra gigantesca que, sem dúvida, deixou um marco indelével em nosso século 20.

São inúmeros os casos pitorescos de sua vida, contados em livro e que merecem ser lidos por todos. Além de divertir, mostra a verve de um grande baluarte da Doutrina que soube aliar a difusão doutrinária com a arte, com sabedoria.

Dr. Alberto de Souza Rocha e o filho do Dr. Carlos reuniram numa obra uma série de documentos do Dr. Imbassahy que ainda não veio a lume porque nosso querido companheiro Alberto desencarnou antes de completar seu trabalho. São acervos do arquivo pessoal do grande escritor, com cartas particulares, inclusive uma endereçada a Wantuil de Freitas quando presidia a FEB que é um libelo terrível contra o roustaingismo.

Não poderia falar do Dr. Imbassahy sem fazer uma especial referência à sua esposa, dona Maria, médium de excelentes predicados e que era seu braço forte, no incentivo e em tudo mais que uma companheira dedicada e apaixonada pode fazer por seu marido.

Discorrer sobre o casal, seria escrever outro livro.

Dona Maria também era uma excelente comediante, só que nunca se dedicou à profissão, senão, participando ao lado do esposo em sua apresentações cênicas no meio espírita. Faziam um par impagável e juntaram-se ao Olympio Campos, outro excelente ator que, depois de crescido, órfão de pais, elegeu o casal para ser seus novos genitores. Os três juntos faziam as cenas de humor nas Semanas Espíritas de que participavam, mostrando que a arte sadia também tem lugar dentro do movimento espírita.

O casal Imbassahy teve um único filho, o Carlos, meu marido e por quem se redobravam em cuidados, coisa comum de pais que têm filho único.

O neném, o menino, o rapaz, o adulto, o pai dos seus netos, para eles, era uma eterna criança. Tais os desvelos e cuidados que tinham, aliados à preocupação natural em tais casos.

Casaram-se tarde. Quando o filho nasceu já tinham idade suficiente para conhecerem a vida, contudo, um filho é sempre um filho.

Dr. Imbassahy teve uma vida de glórias. De um comportamento espiritual exemplar, nunca faltou àqueles que lhe pediam ajuda. Certa vez, um pobre camundongo, fugindo à fúria dos seus perseguidores, procurando abrigo sob o salto de seu sapato, não foi denunciado, porque Dr. Imbassahy não teve coragem de delatar o roedor que procurou salvação junto a ele.

Foram inúmeros e sinceros os seus amigos. São casos altamente pitorescos os que envolvem o seu relacionamento com eles. Coisas curiosas que recomendam a leitura das suas memórias.

Finalmente, aos 84 anos, foi acometido de uma leucose aguda que, em pouco mais de seis meses, levou-o à sepultura. Seu enterro (04-08-69), concorridíssimo, deixou uma lacuna dentro do movimento espírita. E, até hoje, ainda não se encontrou um substituto à altura para seu lugar.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Pequenas lembranças





Continuemos sempre nossos dias
Instante após instante, preenchendo o coração
Mas busquemos em Jesus as verdadeiras alegrias
Pois Ele é nosso verdadeiro e maior irmão

Se a jornada mostra obstáculos a superar
Perseveremos diante deles, sempre com esperança
Pois a vida é um eterno conquistar
Para aquele que quer e que alcança

Todos sabem que da vida faz parte a dor
Ninguém existe sem precisar se esforçar
Para poder um dia o amor conquistar
A melhor de todas as expressões, que é o amor

A chave da liberdade é preciso encontrar
E ela está dentro de cada um de nós, no coração
Guardada num cofre que se chama perdoar
A cada ofensa, a cada erro que cometa um irmão

Sempre em silêncio, serenidade e confiança
Segue sua jornada cultivando no íntimo o amor
Que cresce no peito de quem sempre alcança
A redenção da tarefa cumprida, afastando a dor

E na grande passagem, o peito cheio de alegria
Pela tarefa executada na vida com dedicação
A mente banhada de paz e muita harmonia
O reencontro feliz na vida maior com cada irmão

Que faz junto da existência, a própria história
Seguindo de mãos dadas a grande jornada
Que é, na verdade a lembrança, a memória
De uma vida de todos, na grande estrada

Unidos, em torno de um propósito nobre, fraterno
Que é construir a história da humanidade
Em torno do Cristo, o Mestre, o Senhor
Que banha a todos com seu infinito Amor
Dando a luz, a diretriz, a confiança e a serenidade
Para que sigamos em frente para aquilo que é eterno

Cora

quinta-feira, 8 de março de 2012

Sinais de Alarme





Há dez sinais vermelhos, no caminho da experiência, indicando queda provável na obsessão:

1 - quando entramos na faixa da impaciência;

2 - quando acreditamos que a nossa dor é a maior;

3 - quando passamos a ver ingratidão nos amigos;

4 - quando imaginamos maldade nas atitudes dos companheiros;

5 - quando comentamos o lado menos feliz dessa ou daquela pessoa;

6 - quando reclamamos apreço e reconhecimento;

7 - quando supomos que o nosso trabalho está sendo excessivo;

8 - quando passamos o dia a exigir esforço alheio, sem prestar o mais leve serviço;

9 - quando pretendemos fugir de nós mesmos, através do álcool ou do entorpecente;

10 - quando julgamos que o dever é apenas dos outros.
Toda vez que um desses sinais venha a surgir no trânsito de nossas idéias, a Lei Divina está presente, recomendando-nos a prudência de amparar-nos no socorro da prece ou na luz do discernimento.

* * *

Vieira, Waldo; Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Ideal Espírita.
Ditado pelo Espírito Scheilla.

Poucas palavras




É sempre bom recordar

Quando no momento difícil

Encontramos dentro de nós

Serenidade o bastante

Para ter tempo de pensar

Antes de soltar uma palavra

Antes de um gesto tresloucado

Para não se arrepender mais tarde

Pois aquilo que já foi feito

Não tem como ser desfeito



Cora

quarta-feira, 7 de março de 2012

Seu lar





O seu lar é seu refúgio, seu santuário.

Se ele não é assim para você, precisaria ser.

Afinal de contas, é uma benção ter um lar.

Mesmo que seja simples, humilde, um cômodo.

Ainda que as companhias sejam difíceis e o ambiente seja desagradável.

É seu lar. É sua residência. É sua casa. É seu teto. É seu abrigo.

É preciso ter uma enorme gratidão à vida, por poder ter um lar.

E trabalhar muito para que este lar se aprimore.

Não querer que os outros que compartilham a vida com você mudem, de acordo com seus conceitos de viver.

Não impor sua forma de pensar.

Não julgar permanentemente seus mais próximos.

Mas fazer todo o possível, de sua parte, para que seu lar se aprimore.

Dar de você para que isso aconteça.

Dar bom exemplo para todos que convivem com você.

Exemplo cristão, de fraternidade e altruísmo.

De fidelidade a Jesus em seus pensamentos, palavras e atitudes.

Convidando-O, aliás, a participar de sua vida. A conviver com você em seu lar.

Pois tendo Jesus em seu lar, sua vida irá transcorrer com harmonia e equilíbrio.

Faça d’Ele um amigo próximo que possa contagiar a todos em sua casa, para que todos em sua casa vivam a mesma fraternidade e o mesmo altruísmo que você venha a pregar em seus gestos.

Assim, além de tudo, você estará valorizando o lar que tem, por conta da benção do próprio Cristo, que nos ama e acompanha a todo o momento, cuidando de nossa evolução desde todos os tempos na Terra.



Alva Luzia.

terça-feira, 6 de março de 2012

Biografias de personagens importantes para o Espiritismo




Albert de Rochas D'Alglum


Nascido em Saint-Firmin, Alpes, França, no dia 20/05/1837, sendo natural de grande família provinciana que possuiu o feudo d´Aiglum, perto do Digne, desde metade do século XV, até o advento da Revolução Francesa.

Incontáveis foram os cientistas que, no século passado, inquiriram as investigações animados do propósito de descobrir fraudes, pois a sua maioria era composta de cépticos que não admitiam, mesmo da forma mais remota, que os fenômenos pudessem existir. Eles queriam ver para crer.

O Cel. Albert de Rochas foi um desses valorosos pesquisadores. Ele persistiu, viu, sentiu a plenitude da verdade bafejando aquilo que ele até então julgava inverossímil. Em face da realidade inegável dos fatos, ele não trepidou em render-se à evidência. Promovido a comandante de batalhão, em 1889. Entretanto, a fim de atender à sua natural inclinação para o estudo científico, abandonou as atividades militares, passando para o Exército territorial no posto de Tenente-Coronel.

Alcançaram grande projeção os trabalhos militares e científicos do Coronel de Rochas, porém, neste ligeiro resumo biográfico, nos prenderemos apenas aos seus estudos no campo do Magnetismo e do Espiritismo. Estudou a polaridade, contribuiu para a classificação atual das fases do estado sonambúlico, observou com verdadeira critério científico a produção dos fenômenos espíritas, descobriu a exteriorização da sensibilidade, até então apenas suspeitada, e revelou o mecanismo do desdobramento astral.

O Magnetismo e o Espiritismo muito devem a esse notável sábio, pois ele publicou uma dezena de importantes obras sobre matérias pertinentes a eles, procurando sempre destacar a sobrevivência da alma. Albert de Rochas foi membro de numerosas sociedades científicas, oficial da Legião de Honra, oficial da Instrução Pública, em França agraciado da Ordem de S. Salvador, da Grécia da Ordem de S. Maurício e S. Lázaro, da Itália comendador de Sant´Ana, da Rússia do Mérito Militar, de Espanha do Medjidie, Turquia do Nicham, de Turus do Dragão Verde, de Annam. De sua bibliografia, salientamos:

Forças não Definidas

A Levitação

O Fluido dos Magnetizadores

Os Estados Superficiais da Hipnose

A Exteriorização da Motricidade

As Fronteiras da Física

Os Eflúvios Odicos

segunda-feira, 5 de março de 2012

Mágoa





A manutenção de tal sentimento no pensamento certamente auxilia a promover desarmonias orgânicas.

Ela pode ser comparada à ferrugem, que corrói lentamente o metal.

Começa com o amor-próprio ferido e avança no processo insidioso que definha o sujeito seu portador.

No início até que é fácil de combater, quando as imagens mentais podem ser analisadas com alguma razão e afastadas por conta da lógica do perdão.

A prece é, também, mais um recurso que elimina tais germens perniciosos para a vida humana.

Mas, se não combatida adequadamente, avança, causando sistematicamente aversão, raiva, ódio e, muitas vezes, desejo de vingança.

Evidente que provoca sofrimento. Não só para seu gerador, mas também para quem, por conta da ingenuidade, venha a entrar em sintonia com ele, já que esta é a causa primária das ligações entre os seres humanos.

Com a mágoa ardendo no íntimo da pessoa, como brasa de carvão em fogareiro, ela assume a direção do pensamento e conduz seu gerador a ser vítima de si mesmo, graças ao isolamento progressivo que ela vai causando.

É imprescindível que se racionalize o mais breve possível as questões que causaram a mágoa para afastar esse veneno insidioso da mente e do coração, pois seu poder destrutivo pode causar danos que somente sejam reversíveis com o passar das reencarnações.

Como espíritas, temos tudo para compreender que o mal é transitório e o bem imorredouro. Assim sendo, nada mais lógico do que permitir que o bem prevaleça dentro de nossas vidas.

"Quando estiveres orando, se tiverdes alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe, para que vosso Pai que está nos Céus, vos perdoe as vossas ofensas". - Marcos: 11-25.


Militão Pacheco

sábado, 3 de março de 2012

Parábola do Semeador




A vivência cristã tem suas raízes mais profundas na Parábola do Semeador, conhecida como a “parábola das parábolas”. É claro que em todas elas encontramos os elementos das nossas aulas e motivos para a reforma íntima, mas estamos nos referindo ao campo mais amplo do qual ela fala, que é o trabalho cristão, fruto da harmonia entre o mundo íntimo e o mundo exterior, ou ainda da nossa relação de amor incondicional com mundo íntimo dos nossos semelhantes.

Nessa parábola podemos comprender a verdadeira dimensão da Doutrina Espírita porque ela mostra as fases ou graus de aprendizagem que os adeptos percorrem até atingirem a condição de Espírita, que não é um “título” nem muito menos o simples reconhecimento formal dado pelos centros espíritas, através de livros, cursos e preleções; estes são apenas meios e não fins.

Tanto na interpretação simplificada de Cairbar Schutel quanto na interpretação sofisticada de Huberto Rohden identificamos os três terrenos humanos que impedem que a semente frutifique. É, portanto, a parábola que trata exclusivamente da nossa responsabilidade individual, no que diz respeito a nossa “salvação” ou “perdição”. Nos esclarece Rohden:

“A parábola do Semeador trata não da agronomia física, mas da agronomia metafísica, trata do terreno imprevisível do livre-arbítrio humano, onde nenhum semeador, nem mesmo o próprio Cristo, pode saber do resultado da sua semeadura. Se assim fosse, por que teria Jesus escolhido Judas Isacriotes para seu apóstolo, sabendo da sua esterilidade espiritual?”

Para Cairbar Schutel a parábola do Semeador sintetiza os caracteres predominantes em todas as almas, ao mesmo tempo que nos ensina a distinguí-las pela boa vontade com que recebem as novas espirituais:

O Semeador : É Jesus e seus seguidores; os que falam em seu nome, e pregam a Palavra de Deus com a autoridade da moral que o Cristo ensinou. Na Escola de Aprendizes é todo o grupo: o Dirigente e o Expositor e também os alunos, pois todos nós, de certa forma, conhecendo a semente, passamos também a semear, com bons ou maus exemplos.

“Nem todos os pregoeiros da Palavra a apregoam tal como ela é, em sua simplicidade e despida de formas enganosas. Uns revestem-nas de tantos mistérios, de tantos dogmas, de tanta retórica; ornamentam-nas com tantas flores que, embora a “palavra permaneça”, fica obscurecida, enclausurada na forma, sem que se lhe possa ver o fundo, a essência! Muitos pregam por interesse, como “o mercenário que semeia”; outros por vanglória, e, grande parte, por egoísmo. Nestes casos não dissipam as trevas, mas aumentam-nas; não abrandam os corações, mas endurece-os; não anunciam a Palavra, mas dela fazem um instrumento para receber ouro e glórias.”

A Semente: é a palavra de Deus, os ensinamentos sobre as Leis Universais.

“A semente é uma só, é sempre a mesma que tem sido apregoada em toda parte, desde que o homem se achou em condições de recebê-la. E se ela não atua com a mesma eficácia em todos, deriva esse fato da variedade e das desigualdades de Espíritos que existem na Terra; uns mais adiantados, outros mais atrasados; uns propensos ao bem, à caridade, à liberalidade, à fraternidade; outros propensos ao mal, ao egoísmo, ao orgulho, apegados aos bens terrenos, às diversões passageiras.”

Na vivência social cristã e no centro espírita é a proposta de Reforma Íntima, através das oportunidades de trabalho. Para pregar (difundir) e ouvir (vivenciar) a Palavra, é preciso que não a rebaixemos, mas a coloquemos acima de nós mesmos; porque aquele que despreza a Palavra, anunciando-a ou ouvindo-a, despreza o seu Instituidor, e, como disse Ele: “Quem me despreza e não recebe as minhas palavras, tem quem o julgue; a Palavra que falei, esta o julgará no último dia.”

Caiu à beira do Caminho: “É quando por nós passam todas as idéias grandiosas como gentes nas estradas, sem gravarem nenhumas delas.”

Na Escola é a condição de Aprendizes, uma grande maioria que recebe os ensinamentos, que estão sendo chamados, porém ainda não podem ser escolhidos porque estão “sonolentos”, como crianças, muito influenciados pelo mundo exterior.

Caiu sobre a Pedra: é quando estamos com o coração endurecido, “como pedras impenetráveis às novas idéias, aos conhecimentos liberais”, isto é, abertos para conhecer às novas experiências, que podem quebrar a nossa rotina e o sentido medíocre das nossas vidas; recebemos a proposta de mudança, mas não permitimos que se opere a modificação em nosso íntimo; racionalizamos tudo, ligamos nossas defesas e nos tornamos refratários.

Na Escola de Aprendizes e no campo de trabalho que abraçamos é a condição em que se encontra os Servidores. Aceitamos os ensinamentos e as tarefas com parcialidade e condicionamentos, isto é, escolhemos somente aquilo que nos convém. Disso resultam os melindres, as decepções, as divergências pessoais com os companheiros e finalmente o desejo de desistência.

Caiu no meio dos Espinhos: É quando permanecemos invigilantes e permitimos que os espinhos (as nossas imperfeições e a dos outros) sufoquem o crescimento de todas as verdades que estamos aprendendo, “como essas plantas espinhosas que estiolam e matam os vegetais que tentam crescer nas suas proximidades.”

Na vivência social é o tempo no qual sofremos todos os tipos de testes para avaliarmos se, realmente, estamos dispostos a ser o “sal da terra” e a “luz do mundo”. Pequenas provas ainda são para nós mostras dos grandes espinhos e obstáculos que teremos que remover durante a vida atual e as vidas futuras.

Caiu na Boa Terra: é quando conservamos a boa vontade, no mantemos abertos; isso nos dá coragem e disposição para remover todos os obstáculos que aparecem; a boa vontade elimina o medo e afasta o sentimentos defensivos e a reações instintivas. Isso nos torna mais humildes porque não temos pena de nós mesmos, porque não nos fazemos de vítimas; a boa vontade mantém acordada a nossa consciência e , por isso, vigilantes, podemos distinguir em nós o que é tentação e o que é má inclinação . A oração e o auxílio, por nós e pelos outros é uma demonstração de boa vontade. A Boa Terra é o mundo, é discipulado de Jesus.

ANEXO

“Afluindo uma grande multidão e vindo ter com ele gente de todas as cidades, disse Jesus em párábola:“Saiu um Semeador para semear a sua semente. E quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do Céu a comeram. Outra caiu sobre a pedra; e tendo crescido, secou, porque não havia umidade. Outra caiu no meio dos espinhos; e com ela cresceram os espinhos, e sufocaram-na. E outra caiu na boa terra, e, tendo crescido, deu fruto a cento por um.” Dizendo isto clamou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Os seus discípulos perguntaram-lhe o que significava esta parábola. Respondeu-lhes Jesus: A vós é dado conhecer os mistérios do Reino de Deus, mas aos outros se lhes fala em parábolas, para que vendo não vejam; e ouvindo não entendam.

A semente é a palavra de Deus. Os que estão à beira do caminho são os que têm ouvido; então vem o Diabo e tira a Palavra, para que não suceda que , crendo, sejam salvos. Os que estão sobre a pedra são os que, depois de ouvirem, recebem a palavra com gôzo; estes não têm raíz e crêem por algum tempo, mas na hora da provação voltam atrás. A parte que caiu entre os espinhos, estes são os que ouviram, e, indo seu caminho, são sufocados pelos cuidados, riquezas e deleites da vida e o seu fruto não amadurece. E a que caiu na boa terra, estes são os que, tendo ouvido a palavra com coração reto e bom, a retêm e dão frutos com perseverança.”

(Mateus, XIII, 1-9 – Marcos, IV,1-9 – Lucas, VIII, 4-15) Bibliografia: “Parábolas e Ensinos de Jesus” – Cairbar Schutel e “Sabedoria das Parábolas” – Humberto Rohden.

Dalmo Duque dos Santos

sexta-feira, 2 de março de 2012

Os Amigos da Casa





Hoje nós vamos falar um pouco sobre esses nossos companheiros que participam conosco das tarefas do núcleo, fundamentalmente deixar claro que muitas vezes damos o nome de uma sala em homenagem a um Espírito, não porque necessariamente ele esteja presente, mas porque eventualmente ele seja responsável pelos trabalhos efetuados naquela sala.

Temos a sala Estevão que é uma homenagem àquele grande espírito companheiro de Paulo, auxiliar em suas tarefas terrenas, grande luminar do Cristianismo Redivivo do inicio dos tempos.

Estevão era uma dessas criaturas encarnadas na Terra que já veio mais do que esclarecido, trazendo consigo todo o potencial para ser desenvolvido de emissário de Deus e de Jesus, teve inclusive a oportunidade de curar muitas pessoas enquanto ainda lhe restava tempo sobre a crosta terrestre.

Acontece que por uma intervenção imprudente de Saulo, nosso irmão fora desencarnado de forma bastante dolorosa, embora tenha sido bastante sensível e sereno na hora de sua passagem para a vida Maior, tão sereno que mal balbuciava as frases de uma prece, enquanto era lapidado como um diamante bruto que para se transformar em diamante fino, valiosíssimo, vivente da vida espiritual.

Ele era irmão de Abigail e seu nome de berço era outro, tendo adotado o nome de Estevão por uma questão de adaptação à nova vida cristã.

Partindo para a vida espiritual quase que juntamente com a irmã, outro luminar cristão, acompanharam a vida de Paulo já transformado, intuindo-o em todos os sentidos para a sua grande tarefa de propagação da nova doutrina que o Cristo houvera trazido para a Terra. E essa nova doutrina não era outra senão a doutrina do Amor.

Estevão é um desses Espíritos que já não vivem mais na Terra. Está em uma esfera muito distante, mas guarda conosco profunda ligação como guarda Paulo que também vive em outras esferas.

Por isso a grande homenagem desta pequena casa contando que ele possa à distancia nos inspirar para que os trabalhos executados não somente naquela sala que leva o seu nome, mas em todos os recantos dessa pequena casa, possam ser feitos com amor, dedicação, serenidade e fé.

Que Jesus nos abençoe.

Psicofonia recebida no Nept em 29 /02/2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

William Crookes





É necessário primeiro dizer de quem se trata esse cidadão, já que poderá acontecer de alguém não saber quem ele é.

“Considerado como um dos mais persistentes e corajosos pesquisadores dos fenômenos espíritas e o maior químico da Inglaterra, William Crookes nasceu em Londres, no dia 17 de junho de 1832 e desencarnou na mesma cidade, no dia 4 de abril de 1919”.

“Estudou no ‘Colégio de Química’, onde foi aluno brilhante, alcançando o cargo de professor substituto no ‘Colégio Real’ e, posteriormente, foi inspetor da Seção de Meteorologia do Observatório de Redcliffe. Aos 23 anos, no ano de 1855, assumiu a Cadeira de Química na Universidade de Chester. Após alguns anos, em 1861, ficou bastante conhecido quando descobriu os raios catódicos e isolou o Tálio, determinando suas propriedades físicas. Em 1872, após prolongados estudos do espectro solar, descobriu a aparente ação repulsiva dos raios luminosos, fato que o levou à construção do Radiômetro, em 1874. Em 1885 descobriu um novo tipo de processamento do ouro. A existência do quarto estado da matéria, a que denominou ‘estando radiante’, foi por ele determinada no ano de 1879. Por essa última descoberta, foi amplamente recompensado pela Academia de Ciências da França”.

“Em virtude de seus feitos científicos, recebeu muitos prêmios como a Medalha de Ouro da Sociedade Real, em 1875; a Medalha Davy, em 1888 e a Medalha de ‘Sir’ J. Coprey, em 1904. Esse último galardão foi pelas suas relevantes contribuições no campo da Física e da Química”.

“Foi nomeado ‘Cavalheiro’ pela Rainha Vitória, da Inglaterra, em 1897. A Condecoração da Ordem do Mérito foi-lhe outorgada em 1910. Fundou os periódicos ‘Chemical News’ e ‘Quarterly Journal of Science’. Foi presidente de diversas sociedades científicas, tais como a ‘Sociedade Real de Química’, ‘Instituto de Engenharia Elétrica’ e da ‘Sociedade de Investigações Psíquicas’”.

“Não é difícil encontrar dados sobre a vida de William Crookes, as mais completas enciclopédias trazem sua biografia e, mais recentemente, a T. Fisher Unwin LTD (Londres) lançou o livro de Fournier: ‘The Life of Sr William Crookes’. Como homem de ciência publicou várias obras: em 1870 saiu ‘Métodos Escolhidos de Análise Química’; em 1880, ‘Fabricação do Açúcar de Beterraba na Inglaterra’; em 1881, ‘Manual de Tintura e Impressão nos Tecidos’; em 1883, ‘Manual de Tecnologia: Solução das Questões dos Enxurros’; em 1885, ‘Maneira de Estabelecer um Sistema de Canalização Vantajosa’. Seguem alguns trabalhos interessantes publicados em diversos compêndios ingleses:

1. ‘Aplicação da Fotografia no Estudo de certos Fenômenos de Polarização’;
2. ‘Sobre a Sensibilidade do Iodeto e Brometo de Prata à Luz Colorida’;
3. ‘Pesquisas Fotográficas sobre o Espectro’;
4. ‘Sobre a Fotografia da Luz’;
5. ‘Sobre a Opacidade da Chama Amarela do Sódio para os Raios desta cor’;
6. ‘Sobre Novos Elementos Supostos da Família do Cálcio’;
7. ‘Sobre um Novo Elemento Pertencente Provavelmente ao Grupo do Enxofre’;
8. ‘Memórias e Notas sobre o Tálio’;
9. ‘Notas sobre a Cristalização da Glicerina’;
10. ‘Pesquisa Experimental sobre uma nova Força’;
11. ‘Novas Experiências sobre a Força Psíquica’;
12. ‘Notas sobre o Radiômetro’;
13. ‘Foco de Calor Produzido pelos Choques Moleculares’;
14. ‘Sobre a Constituição da Matéria e o Estado Ultra-Gasoso’;
15. ‘Sobre a Matéria Radiante’;
16. ‘Dos Espectros Fosforescentes Descontínuos no Vácuo quase Perfeito’;
17. ‘Estudos Espectroscópicos sobre a Matéria Radiante’;
18. ‘Os caracteres Espectroscópicos dos Corpos Simples”.

“Essas citações apenas dão uma idéia da capacidade científica de Crookes, sua inteligência, sua dedicação, seus métodos e sua posição de alta respeitabilidade nas sociedades científicas de sua época, além da confiança do povo em suas afirmações após ter pesquisado um assunto, a ponto de afirmarem com grande respeito que, se Crookes iria cuidar dos fatos espiritistas, logo ter-se-ia a verdade dos fatos”. (PALHANO, 1996).

Essas informações são necessárias, pois, volta e meia, aparecem esses pseudocientistas que sem base científica alguma, procuram contradizer as experiências de Crookes. Como diz Kardec “O verdadeiro crítico deve provar não somente erudição, mas um saber profundo no que concerne ao objeto que trate, um julgamento sadio, e de uma imparcialidade a toda prova; de outro modo, qualquer rabequista poderia se arrogar o direito de julgar Rossini, e um aprendiz de pintura o de censurar Rafael”. Deixamos essas informações sobre Crookes para que o leitor possa compará-las com o currículo desses pseudocientistas.

Trataremos neste estudo de suas experiências psíquicas.

Experiências com o médium Home (Daniel Douglas Home)

Em “Pesquisas Experimentais Sobre uma Nova Força”, Crookes expõe suas observações a respeito de suas pesquisas com o médium Daniel Dunglas Home. Transcreveremos alguns trechos que julgamos mais importantes para o presente estudo. São eles:

“... Assim, uma vez que as condições convenientes se apresentaram, aproveitei-as com satisfação para aplicar a estes fenômenos a experiência científica cuidadosamente controlada, chegando assim, a resultados preciosos que acho dignos de publicação”.

“De todas as pessoas dotadas do poder de desenvolver essa “força psíquica”, e que são chamados ‘médiuns’ (entre outras teorias sobra a sua origem), o Sr. Daniel Dunglas Home é, sem dúvida, a mais extraordinária. E é principalmente devido às muitas ocasiões em que estive, para fazer pesquisas, em sua presença que tenho sido levado a poder afirmar de maneira tão veemente a existência dessa “força”. Muitas foram as tentativas que fiz; mas devido ao conhecimento imperfeito das condições que favorecem ou contrariam as manifestações da “força”, da maneira caprichosa, aparentemente, como ela se manifesta, e pelo fato de que o Sr. Home está sujeito à inexplicáveis fluxos e refluxos dessa “força”, é que raramente os resultados obtidos puderam ser confirmados e controlados com aparelhos construídos para esse fim em especial”.

“Entre os fenômenos que se produziram sob a influência do Sr. Home, os mais freqüentes e, ao mesmo tempo, os que se prestavam melhor ao exame científico, foram: 1º) a alteração de peso dos corpos; 2º) a execução de melodia em instrumentos de música (geralmente com acordeão, por causa da facilidade de transporte) sem intervenção humana direta, e em condições que tornaram impossível todo contato ou toda manipulação das chaves. Não é senão após ter sido freqüentemente testemunha destes fatos e de os haver escrutado com todo o rigor do qual eu sou capaz, que estou convencido de sua realidade concreta” (grifo nosso). (PALHANO, 1996).
Dentro daquilo que queremos apresentar, iremos, apenas mostrar como foram algumas dessas experiências que Crookes fez com o Sr. Home, notadamente a citada no segundo item: execução de instrumento musical. Vejamos o que nos relata Crookes, acerca dela.

“Minhas experiências foram feitas em minha própria casa, à noite, num amplo espaço iluminado à luz de gás. Os aparelhos preparados com a finalidade de constatar os movimentos do acordeão consistiam em uma gaiola, formada por dois arcos de madeira, respectivamente de diâmetro de um pé e dez polegadas (55,86 cm) e de dois pés (60, 96 cm), reunidos por doze ripas estreitadas, cada uma de um pé e dez polegadas de comprimento, de modo a formar a estrutura de uma espécie de tambor aberto em cima e em baixo. Ao redor, 50 metros e fios de cobre, isolados, que foram enrolados em 24 voltas; casa uma dessas voltas encontrando-se a menos de uma polegada de distância uma da outra (Figura nº 08)”.

“Esses fios de metal, horizontais, foram então solidamente reatados junto com cordas, de modo a formar malhas fechadas. A altura desta gaiola era tal que ela podia passar sob a mesa de minha sala de jantar, mas ela estava muito próxima, pela altura, para permitir a uma mão introduzir-se no seu interior ou a um pé passar por baixo. Em um quarto vizinho, eu havia colocado duas pilhas de Grove, de onde partiam filhos elétricos que conduziam à sala de jantar, para estabelecer a comunicação, se houvesse necessidade, com aqueles que estavam próximos da gaiola”.
O acordeão era novo, eu o havia comprado para essas experiências, em um bazar. O Sr. Home não havia visto ou tocado o instrumento antes do começo de nossos trabalhos...”.

“... Depois de abrir, com minhas mãos, a chave da parte baixa do instrumento, retirou-se de sob a mesa, a gaiola, o quanto bastou para ser nela introduzida o acordeão com as chaves voltadas para baixo. A gaiola foi depois empurrada para debaixo da mesa, tanto quanto permitiu o braço do Sr. Home, mas sem lhe ocultar a mão aos que estavam perto dele. Os que estavam de cada lado viram o acordeão balançando-se de maneira curiosa; depois desprenderam-se dele alguns sons, e, finalmente, muitas notas foram tocadas sucessivamente; meu ajudante agachou-se sob a mesa, disse-nos que o acordeão alongava-se e encolhia-se; ao mesmo tempo podia ser observado que a mão com a qual o Sr. Home segurava o acordeão estava completamente imóvel e que a outra repousava sobre a mesa. Depois, os que estavam dos dois lados do Sr. Home, viram o acordeão mover-se, oscilar, voltear em torno da gaiola e tocar ao mesmo tempo. Então, o Dr. William Huggins olhou para baixo da mesa e disse que a mão do Sr. Home parecia completamente imóvel enquanto o acordeão movia-se, produzindo sons distintos”.

“O Sr. Home manteve ainda o acordeão na gaiola pelo modo mais ordinário, isto é, com o lado das chaves voltado para baixo; os seus pés estavam seguros pelas pessoas sentadas ao lado dele, a outra mão repousava sobre a mesa e, ainda assim, ouvimos notas distintas e separadas, ressoando sucessivamente, e depois uma ária simples foi tocada. Como tal resultado só podia ser produzido pelas diferentes chaves do instrumento postas em ação de maneira harmoniosa, todos os presentes consideraram-no decisivo. Mas o que se seguiu foi ainda mais surpreendente; o Sr. Home afastou a mão do acordeão, retirou-a completamente da gaiola e segurou a mão da pessoa que estava perto dele. Então, o instrumento continuou a tocar, sem contato algum e sem mão alguma perto dele”.

“Eu quis depois experimentar que efeito produziríamos ao passar uma corrente elétrica em torno do fio isolado da gaiola. Para esse fim, meu ajudante estabeleceu a comunicação com fios que partiam das pilhas de Grove. De novo o Sr. Home segurou o instrumento dentro da gaiola, do mesmo modo como já foi descrito anteriormente, e imediatamente ele ressoou, agitando-se de um a outro lado com vigor. Mas não me julgo autorizado a dizer se a corrente elétrica, passando em torno da gaiola, veio em auxílio da força que se manifestava no interior”.

“O acordeão ficou então sem nenhum contato visível com a mão do Sr. Home. Ele retirou-a completamente do instrumento e colocou-a sobre a mesa, onde foi segura pela mão da pessoa que se achava perto dele; todos os presentes viram bem que as suas mãos estavam ali. Dois dos assistentes e eu percebemos, distintamente, o acordeão flutuando no interior da gaiola, sem nenhum suporte visível. Após curto intervalo, esse fato repetiu-se uma segunda vez”.
“Então, Home tornou a pôr a mão na gaiola e tomou de novo o acordeão que começou a tocar, a princípio acordes e arpejos e depois uma doce e melancólica melodia, muito conhecida, que foi executada de modo perfeito e belíssimo. Enquanto essa ária era tocada, peguei no braço do Sr. Home, acima do cotovelo e fiz correr levemente a minha mão, até que ela tocasse a parte superior do acordeão. Não se movia nenhum músculo. A outra mão do Sr. Home estava sobre a mesa, visível a todos os presentes, e seus pés conservavam-se sob os pés dos que estavam a seu lado”.
Oportuno colocar o que Palhano diz: “Os Srs. W. Huggins e Sergente Cox, dois notáveis investigadores científicos da Inglaterra, que auxiliaram Crookes nesses experimentos, escreveram-lhe cartas na ocasião em que Crookes apresentou seu relatório à apreciação deles”.

A seguir são colocadas as duas cartas, que deixamos aos interessados a verificação direta no livro Experimentações Mediúnicas de Palhano, onde eles confirmam as pesquisas de Crookes.
Essa experiência de Crookes, que acabamos de relatar, é irrefutável aos que conseguem ver a sua competência como cientista e sua perspicácia no trato com o fenômeno, buscando fugir da mínima possibilidade de ser iludido. Mas ainda assim, aparecerão os que nunca fizeram esse tipo de experimentação para contestar a pesquisa de Crookes, a eles a única coisa que poderemos dizer é que contestar só por contestar não tem nenhum valor científico, se querem que os outros dêem crédito ao que falam, sigam os caminhos que Crookes seguiu e provem com o rigor científico onde está o erro desse sábio, já que quem pretende provar faz juiz da prova àquele a quem dirige o seu discurso.

Experiências com a médium Florence Cook

Muitas vezes são os cientistas que correm atrás dos médiuns para fazer suas pesquisas, entretanto no caso de Florence Cook isso não se deu dessa forma. A própria médium é quem procurou Crookes, conforme ela mesma diz:

“O Sr. Crooks fez um comentário que me atormentou e foi por isso que me decidi a ir procurá-lo. Ele recebeu-me e eu lhe disse:

‘Já que acreditais que sou uma impostora, se quiserdes virei submeter-me a experimentos em vossa própria residência. Vossa esposa poderá vestir-me como quiserdes e deixarei convosco o que tiver trazido. Podereis vigiar-me como vos aprouver; submeter-me-ei aos experimentos que desejardes, de modo que vos contenteis em todos os sentidos. Só imponho uma condição: se verificardes que sou agente de uma mistificação, denunciai-me publicamente, mas, se vos certificardes de que os fenômenos são reais e de que eu mais não sou que um instrumento de forças invisíveis, isso direis ao público de modo que todo o mundo tome conhecimento da verdade’”. (PALHANO, 1996).

Devemos observar que a médium Florence Cook “foi a primeira médium entre os ingleses a obter materializações ou corporificações integrais em plena luz”, segundo nos informa Palhano.

Vejamos o relato de Crookes sobre algumas das aparições do espírito Katie King:

“A sessão foi realizada na casa do Sr. Luxmore, e o ‘gabinete’ era uma sala separada da outra, onde estavam os assistentes, dividida por uma cortina. Efetuada a inspeção da sala e feito o exame de fechaduras, a Srta. Cook entrou no gabinete”.

Depois de algum tempo, a forma de Katie apareceu ao lado da cortina, mas depressa se retirou, dizendo que a sua médium não estava boa e não podia ser levada a um sono suficientemente profundo para que não houvesse perigo em afastar-se dela. Achava-me colocado a alguns pés da cortina, atrás da qual a Srta. Cook estava sentada, tocando-a quase, e eu podia ouvir-lhe freqüentemente as queixas e soluços, como se ela estivesse sofrendo. Esta indisposição continuou, por intervalos, durante quase todo o tempo da sessão, e uma vez, enquanto a forma de Katie estava diante de mim, na sala, ouvi distintamente o som de um gemido, idêntico aos que a Srta. Cook tinha feito ouvir, por intervalos, em todo o tempo da sessão, gemido que vinha de trás da cortina onde ela estava sentada”. (grifo do original)

“Confesso que a figura era surpreendente pela aparência de vida e realidade, e, tanto quanto eu podia vez à luz um pouco indecisa, suas feições assemelhavam-se às da Srta. Cook, entretanto, a prova positiva, dada por um dos meus sentidos, de que o suspiro vinha da Srta. Cook, no gabinete, ao passo que a figura estava do lado de fora, esta prova, digo, é muito forte para ser destruída por uma simples suposição do contrário mesmo bem sustentada”. (grifo nosso).

“No dia 12 de março (1874), durante uma sessão em minha casa, depois de ter andado pelo meio de nós e de ter-nos falado por algum tempo, Katie retirou-se para trás da cortina que separava o meu laboratório, (onde se achavam os assistentes) da minha biblioteca que, temporariamente, fazia o ofício de gabinete. Depois de um momento, ela voltou à cortina e chamou-me, dizendo:

‘Entrai no quarto e suspendei a cabeça da médium, que escorregou’. Katie estava diante de mim, vestida com sua roupa branca habitual e trazendo seu turbante. Imediatamente entrei na biblioteca para levantar a Srta. Cook, quando Katie deu alguns passos de lado para deixar-me passar. Com efeito, a Srta. Cook havia escorregado parcialmente do canapé, e sua cabeça pendia em situação muito penosa. Tornei a pô-la sobre o canapé, e, fazendo isso, tive, apesar da obscuridade, a viva satisfação de verificar que a Srta. Cook não trajava o vestuário de Katie, mas trazia o costumado vestido de veludo negro e achava-se em profunda letargia. Não se havia passado mais de três segundos entre o momento em que acomodei a Srta. Cook sobre o canapé (tirando-a da posição em que se achava) e voltei ao meu ponto de observação, quando Katie apareceu-me de novo e disse que pensava poder mostrar-se-me conjuntamente com a sua médium. O gás foi abaixado, e ela me pediu a minha lâmpada de fósforo. Depois de manifestar-se à sua luz, durante segundos, ela restituiu-ma, dizendo: ‘Agora entrai e vinde ver minha médium’, segui Katie de perto na biblioteca e, ao clarão da lâmpada, vi a Srta. Cook repousada no sofá, exatamente como eu a deixara. Olhei em redor de mim para ver Katie, porém ela desaparecera. Chamei-a e não obtive resposta”.

“Voltei ao meu lugar e Katie, reaparecendo logo, disse-me que estivera de pé junto da Srta Cook. Perguntei-lhe se, por si própria, ela não poderia tentar uma experiência; então, tomando das minhas mãos a lâmpada de fósforo, ela passou para trás da cortina, recomendando-me que não olhasse por enquanto para o gabinete. Passados alguns minutos, restituiu-me a lâmpada, dizendo-me nada ter conseguido, pois havia esgotado todo o fluido da médium, mas que tentaria de novo, mais tarde. Meu filho mais velho, rapaz de quatorze anos, que estava sentado defronte de mim, em posição de poder ver atrás da cortina, disse-me que vira distintamente a lâmpada de fósforo parecendo flutuar no espaço por cima da Srta. Cook e iluminando-a, enquanto ela permanecia estendida imóvel no sofá, mas que não vira ninguém segurando a lâmpada” (grifo do original).

“Passo agora para a sessão de ontem à noite em Hackney. Jamais Katie me apareceu com tão grande perfeição; por espaço de duas horas, ela passeou pela sala, conversando familiarmente com todos os presentes. Muitas vezes tomou meu braço e a impressão produzida em meu espírito foi que a meu lado se achava uma mulher viva e não uma visitante de outro mundo, essa impressão, afirmo, foi tão forte, que se me tomou irresistível a tentação de repetir uma recente e curiosa experiência”.

“Pensando que, se não tinha perto de mim um espírito, eu estava, pelo menos, junto de uma senhora, pedi-lhe permissão para tomá-la em meus braços, a fim de poder verificar as interessantes observações que um experimentador audaz tinha feito conhecer de maneira um tanto prolixa. Essa permissão foi-me graciosamente concedida, e utilizei-me dela- convenientemente – como o teria feito em semelhante circunstância todo homem bem educado. O Sr. Volckman ficará encantado sabendo que posso corroborar a sua asseveração, afirmando que o ‘fantasma’ (o qual não empregou nenhuma resistência) era um ser tão material como a própria Srta. Cook. Mas a continuação mostrará como um experimentador procede mal, por mais cuidadosas que sejam as suas observações, se arriscasse a formular uma importante conclusão quando as provas não existem em suficiente quantidade”.

“Katie disse que desta vez ela se julgava capaz de mostrar-se simultaneamente com a Srta. Cook. Abaixei o gás, e depois, com a lâmpada de fósforo, penetrei no quarto que servia de gabinete. Mas, antecipadamente, pedi a um de meus amigos, hábil estenógrafo, que tomasse nota de todas as observações que ouvisse no gabinete, porque conheço a importância que merecem as primeiras impressões, e não queria confiar na minha memória mais do que convinha. Neste momento tenho estas novas sob os olhos”.

“Entrei no quarto com precauções, estava escuro, e foi às apalpadelas que procurei a Srta. Cook. Encontrei-a agachada no soalho. Ajoelhando-me, deixei o ar penetrar na lâmpada e, à sua luz, vi essa moça vestida de veludo negro, como ela estava no começo da sessão, e conservando toda a aparência de completa insensibilidade. Ela não se moveu quando lhe peguei na mão, segurando a lâmpada bem perto do seu rosto, mas continuou a respirar calmamente. Elevando a lâmpada em torno de mim e vi Katie de pé, muito alva e flutuante, como já a tínhamos visto durante a sessão. Prendendo nas minhas uma das mãos da Srta. Cook, ajoelhando-se outra vez, ergui e abaixei a lâmpada, não só para iluminar a figura de Katie, como para plenamente convencer-me de que eu estava realmente vendo a verdadeira Katie que eu havia apertado em meus braços alguns minutos antes, e não o fantasma de cérebro enfermo. Ela não falou, mas moveu a cabeça em sinal de reconhecimento. Por três vezes diferentes, examinei cuidadosamente a Srta. Cook agachada diante de mim, para certificar-me que a mão que eu segurava era a de uma mulher viva, e, por três vezes diferentes, voltei a lâmpada para Katie, a fim de examiná-la com firme atenção, até que não me restasse a mínima dúvida de que ela estava ali na minha frente”.

“Antes de terminar este artigo, desejo fazer conhecer algumas das diferenças que existem entre a Srta. Cook e Katie. A estatura de Katie é variável; em minha casa eu a vi mais alta seis polegadas do que a Srta. Cook. Ontem à noite, com os pés nus e andando nas pontas dos pés tinha quatro polegadas e meia mais que Cook. Ontem à noite, Katie tinha o pescoço descoberto, a pele era perfeitamente doce (suave) ao tato e à vista, ao passo que Cook tem no pescoço uma cicatriz que, em semelhantes circunstâncias, se vê distintamente e é áspera ao tato. As orelhas de Katie são furadas, enquanto que a Srta.Cook usa sempre brincos. A cor de Katie é muito alva, ao passo que a de Cook é trigueira. Os dedos de Katie são muito mais compridos do que os de Cook e seu rosto também é maior. Nos modos de exprimir-se há também muitas diferenças notáveis. (veja fotos 10, 11 e depois 18 a 25)”.

(...) Vi tão bem Katie pela luz elétrica, que posso acrescentar alguns traços às diferenças que, em artigo precedente, estabeleci entre ela e sua médium. Tenho a certeza mais absoluta de que a Srta. Cook e Katie são duas individualidades distintas ao menos no que diz respeito aos seus corpos. Pequenos sinais que se encontram no rosto da Srta Cook não existem no de Katie. Os cabelos de Cook são de castanho tão escuro que permanecem quase negros; um cacho dos de Katie, que tenho sob os olhos e que ela me permitiu cortá-los acompanhado com meus dedos até ao alto da cabeça e ter verificado que eles haviam nascido ali, é de um belo castanho dourado”.(...)

“As sessões quase cotidianas com que ultimamente a Srta. Cook me favoreceu, prejudicaram suas forças, e eu desejo manifestar publicamente os favores que devo pela boa vontade com que me auxiliou nas minhas experiências. Ela aceitou de boa mente submeter-se a todas as provas que lhe propus; sua palavra é franca e vai diretamente ao alvo, e jamais vi coisa alguma que traísse a mais leve aparência do desejo de enganar. Certamente, não creio que, se ela empregasse a fraude, tivesse sido bem sucedida; e se ela o tentasse, seria prontamente desmascarada, porque tal modo de proceder é inteiramente estranho à sua natureza. E quanto a imaginar que uma inocente colegial de quinze anos tenha sido capaz de conceber e realizar durante três anos, com todo êxito, uma impostura tão gigantesca como essa, e que, durante esse tempo, ela se tenha submetido a todas as condições que exigimos dela; que haja suportado as investigações mais minuciosas; que tenha pedido para ser revistada a qualquer momento, quer antes, quer depois das sessões; que tenha obtido ainda mais êxitos em minha própria casa do que na de seus pais, sabendo que aí veio expressamente para submeter-se a rigorosas provas científicas; quanto a imaginar, digo, que Katie King dos três últimos anos é o resultado de uma impostura, isso faz mais violência à razão e ao bom senso do que acreditar que ela seja o que ela própria afirma”.

(...) “Eu não disse que esses fatos eram possíveis, o que afirmei é que são verdadeiros”.
Além disso, Crookes tirou várias fotografias de Katie King, quando das materializações.
Quem irá se aventurar a provar que William Crookes cometeu alguma falha em suas experiências?

Conclusão

Infelizmente o grande público não sabe absolutamente nada sobre as inúmeras experiências científicas que provam a sobrevivência da alma, como essas que acabamos de narrar. Por isso fica fácil para alguns usar de certo prestígio que sua função de religioso traz, para pregar que tudo não passa de produto do inconsciente, só que nunca se propôs a provar, diante das câmaras de TV, como é de seu gosto, essa tese. E aqui podemos fazer um desafio a esse pseudocientista, aos seus discípulos e a todos que pensam como ele, que façam uma contraprova a tudo quanto temos que comprova a sobrevivência do espírito.
No caso do religioso televisivo seria interessante que percebesse que quando lança lama nos outros acaba por se enlamear também. Sua pregação em dizer que os “mortos” não se comunicam o leva a deixar em situação vexatória o livro em que, segundo acredita, está escrita a palavra de Deus. Como? É simples: já que diz do absurdo de Deus proibir a comunicação com os mortos, apesar dela não existir. A proibição que usam contra nós é o maior atestado que ela pode existir, não é mesmo?

Por outro lado, os que comungam de sua crença religiosa ficam fazendo um rosário de pedido aos santos, eles atendem, inclusive muitos foram declarados santos por ter atendido a algum pedido, os fiéis agradecem-lhes pagando a promessa feita. O que fazem na verdade senão pedir aos santos, todos já mortos, para intercederem por eles junto a Deus a fim de obter uma graça particular, se isso não for também uma comunicação com os mortos o que será então? Devemos mudar no dicionário o conceito de comunicação? Ou ficaremos com a hipótese da incoerência deles? Ficamos com essa última.

Foi noticiado há tempos atrás uma manifestação espiritual acontecida dentro de uma igreja católica. Determinado casal celebrando sua bodas de prata participa de uma missa, cujo acontecimento foi gravado em fita de vídeo-cassete. Certo tempo depois, familiares observando bem essa fita, perceberam, que bem ao fundo da igreja, dois jovens saindo do lado direito em direção ao lado oposto.

Um deles foi identificado como sendo um neto do casal que já havia falecido, justamente o que se ajoelha ao chegar ao lado esquerdo. A opinião desse pseudocientista: fruto do inconsciente; algum familiar deveria estar pensando no jovem aí conseguiu imprimir na fita sua presença. Faremos uma pergunta: o jovem não identificado saiu do inconsciente de outra pessoa? Como não apresentou uma prova científica da sua tese de que as imagens dos dois jovens em movimento tenham saído do inconsciente de alguém, pediremos que, mesmo tardiamente, a apresente ao grande público indo a uma emissora de TV e fizesse, pessoalmente ou por outra pessoa, de igual modo ao que sustenta ter acontecido. Seria uma ótima oportunidade da emissora também provar que não está literalmente caindo “no conto do vigário”.

Sabemos ser possível uma pessoa impressionar uma chapa fotográfica com imagens que mentaliza, fato até comprovado cientificamente, mas até agora ninguém fez nenhuma experimentação idêntica com uma fita de vídeo. Pressupomos que para o caso de alguém conseguir fazê-lo, teria que mentalizar inúmeras imagens, num período curtíssimo, de tal forma que pudesse dar movimento a essa imagem. Nas fotos, por ser uma imagem parada, isso não deve ser muito difícil para quem possui esse “dom”. A concentração necessária para o fenômeno é conseguida, apesar de exigir determinado período de tempo para atingi-la, mas colocar em movimento, inclusive, em detalhes mínimos, já que o jovem identificado até mesmo consertou os óculos que estava usando (é no mundo espiritual existem coisas desse tipo), deverá requerer uma concentração muito mais aguçada e o tempo, com certeza, não seria suficiente para tantas imagens desses dois jovens de modo a acompanhar a gravação no exato momento do acontecimento. Deixemos a ele o direito de resposta, não com argumentos, mas com prova incontestável diante da TV, para milhares de pessoas assistirem e assim podermos acabar de vez com essa insana perseguição, pois daí “se tenho razão, os outros acabarão por pensar como eu, se estou errado, acabarei por pensar como os outros” (Kardec).

E, para finalizar, trazemos importante consideração de Crooks. Diz esse sábio:

“... é dever do investigador abster-se de todo o sistema de teorias, até que ele tenha reunido um número de fatos suficientes para formar uma base sólida sobre a qual ele possa raciocinar... É preciso banir completamente as idéias românticas e as supersticiosas; os passos do investigador devem ser guiados por uma razão tão fria e desapaixonada quanto os instrumentos dos quais ele se vale para o seu trabalho”.