Mensagem

"Não permita que aquilo que você chama de amor se transforme em obsessão.
Amor é liberdade.
Amor é vida.
Jamais prisão ou limitação."

Militão Pacheco

sábado, 29 de novembro de 2014

O Coração


Desde tempos remotos, o coração é apresentado como a sede da alma, do sentimento, da coragem, da consciência e da razão.

Já no antigo mito mesopotâmico, “o medo da morte se aloja no coração”, e leva Gilgamesh a procurar pela erva da imortalidade.

No embalsamento egípcio, todos os órgãos internos eram retirados, menos o coração, que permanecia em seu lugar.

Na antiguidade, o coração era o símbolo da vida mental, da vida afetiva, da vida interior e da personalidade integral do homem.

A partir do século VI a.C., na Grécia, em que a filosofia deixou de ser mítica para se tornar racional, também começou a distinguir os campos de ação do intelecto e do sentimento.

O coração vai condividir com o cérebro o privilégio de ser o centro principal do ser humano.

Ele é o símbolo do Amor!

Na religião, principalmente no Novo Testamento, a palavra kardia é tomada no seu sentido metafórico geral e designa o interior do homem, o lugar onde nasce e desenvolve a vida espiritual.

“A paz legítima emerge do coração feliz e da mente que compreende, age e confia” (Joanna de Angelis).

“Ampara os corações enfermiços e frágeis que te acompanham os passos. Se plantares o bem, o tempo se incumbirá da germinação, do desenvolvimento, da florescência e da frutificação, no instante oportuno” (Emmanuel).

“Aqueles que amparamos constituem nosso sustentáculo. O coração que socorremos converter-se-á agora ou mais tarde em recurso a nosso favor. Ajudando seremos ajudados. Dando, receberemos: esta é a lei Divina” (do livro: Jesus no Lar).

Para acrescentar: Gilgamesh foi um rei da Suméria, de caráter semilendário, mais conhecido atualmente por ser o personagem principal da Epopeia de Gilgamesh, um épico mesopotâmico preservado em tabuletas escritas com caracteres cuneiformes.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Desdobramentos


Desdobramento é o desprendimento parcial do Espírito, do corpo físico, que se efetua durante o sono: artificial ou natural.

O desdobramento pode ser consciente, semi-consciente, inconsciente e psíquico.

O deslocamento do Espírito é espontâneo e procura seus afins.

O Espírito do agente se desloca sob a ordem do hipnotizador, porém, permanece constantemente ligado ao corpo somático por fio tenuíssimo.

Nesta ocasião, anota e transmite por esse fio avisos, através dos órgãos vocais.

O desdobramento é um fenômeno anímico.

Quando o médium (desdobrado) recebe a comunicação de algum Espírito, o fenômeno anímico torna-se mediúnico.

Na literatura espiritualista, há diversos termos que expressam o desdobramento: corpo astral, projeção astral, experiência fora do corpo e experiência de quase-morte.

São situações que caracterizam o estado alterado de consciência.

Pelo fenômeno de desdobramento, o médium pode entrar em contato com Espíritos.

Mas, ter REAL controle neste processo é algo extremamente complexo e até mesmo perigoso, já que as interferências decorrentes da sensibilidade de cada um são intensas.

Não se pode afirmar que se tenha algum tipo de controle sobre estas experiências "extra-físicas", pois há muitas interferências atuando sobre o médium antes, durante e após a experiência.

Mas, há médiuns que se atribuem condições de atuar e até mesmo de ajudar aos Espíritos em sofrimento quando de suas experiências em desdobramentos.

Isso é, na verdade, um grande risco para quem se aventure a fazer.

Acreditamos que somente médiuns com grande preparo atuam desta forma e de forma sutil, sem fazer qualquer tipo de divulgação a respeito de seu trabalho: auxuliam sem falar alarde, pois devemos recordar que a imensa maioria destes desdobramentos é espontâneo.



Mensagem recebida em 28 de novembro de 2014
Herculanum

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

ESTUDO DO LIVRO – A CAMINHO DA LUZ (Espírito de Emmanuel) 28ª. parte


Após a morte de Sócrates, que ensinara à Grécia as virtudes, e fora precursor do cristianismo, ficaram vários discípulos e dentre eles o que mais se destacou foi Platão.

Nenhum dos discípulos de Sócrates soube compreender completamente as lições de seu mestre em relação à moral.

O próprio Platão, cujos discursos são valorizados pela história, não seguiu e praticou a filosofia pura de seu mestre, seguindo outros caminhos, se envolvendo com as paixões terrestres e com a política.

A sociedade grega, em que Platão nasceu era dividida entre:

1) Homens livres, proprietários de terras;
2) Homens livres, sem terras (artesãos);
3) Escravos, que eram pessoas que não pagavam dívidas, e se tornavam escravos dos seus credores ou estrangeiros derrotados em guerras que tinham suas vidas poupadas.

A concepção de democracia na Grécia Antiga, apresentava algumas diferenças para a democracia atual.

Como já vimos democracia significa “o poder do povo”, mas, na Grécia Antiga só era considerado “povo”, os proprietários de terra e os grandes comerciantes.

Platão era contra este sistema, ele propôs repensar a ideologia política da época.

Para ele, assim como o homem tem uma alma partida em três partes, a cidade também deveria ser tripartida.

As três partes da alma segundo Platão:

1) Parte racional: responsável pelo uso da razão;
2) Parte irracional;
a) Irascível, responsável pelos impulsos e afeto;
b) Concupiscente, responsável pelas necessidades básicas.

E baseado nesta divisão, Platão propôs dividir a cidade da seguinte forma:

1) Racional: Magistrados e governantes (governar);
2) Irracional (impulsos e afeto) – guerreiros (proteger);
3) Irracional (necessidades básicas) – artesãos, agricultores, comerciantes (prover as necessidades).

Nesta divisão dos governos, as classes irracionais, apesar de serem a maioria da população, deveriam submeter-se à classe racional, que era o menor grupo.

Para Platão, a educação era o meio para fornecer à cidade melhores funcionários, evitando-se assim a corrupção.

Mesmo sendo um dos principais discípulos de Sócrates, o único que escreveu sobre seu mestre, não conseguiu assimilar a profunda estrutura moral de seu mestre.

Envolvendo-se com política, não conseguiu escapar das paixões terrestres, misturando essas com a filosofia pura de Sócrates.

Envolveu-se com a política, caminho muitas vezes complicado, não conseguindo manter a superioridade espiritual, chegando a “justificar, o direito dos senhores sobre os escravos”.

A postura de Platão, nos leva a refletir sobre a grande necessidade do “vigiai e orai”, que Jesus nos ensinou.

Por que não é fácil manter-se em linha reta, exige muito esforço.

Apesar de ter, de certa forma se desviado do caminho, Platão não deixou de cultivar os princípios cristãos, ensinados por Sócrates.

Após a morte de Platão, Aristóteles, seu pupilo, continuou com a tarefa pelo advento do cristianismo.

Algumas frases de Platão:

“Quem comete uma injustiça é sempre mais infeliz que o injustiçado.”
“Tente mover o mundo – o primeiro passo será mover a sim mesmo.”
“Não há nada bom, nem mau, a não ser estas duas coisas: a sabedoria que é um bem e a ignorância que é um mal.”

Vamos falar agora um pouco de Aristóteles e seu trabalho pelo Evangelho de Jesus.

Aristóteles, nasceu em 384 a.C., e desencarnou em 322 a.C., foi também um filósofo, aluno de Platão e professor de Alexandre o Grande, que foi rei da Macedônia, durante sete anos.

Dos treze aos vinte anos de Alexandre, quando este assume o trono da macedônia.

Aristóteles deixou várias obras nas áreas da: lógica, física, óptica, química, astronomia, biologia, psicologia e ética.

Assim como, Platão, Aristóteles contribuiu para a vinda do Cristo, mas, também “não segue plenamente as lições e exemplos de Sócrates”, apoiando a escravidão, dizendo que o escravo nasce para ser escravo, teoria, esta, completamente contrária a caridade e a fraternidade cristãs.

A Antiga Grécia teve seu começo, cresceu, tornando-se uma das civilizações mais ricas, inclusive intelectualmente de sua época, mas, também teve seu declínio e fim.

Emmanuel nos diz, que a condenação de Sócrates, levou todos aqueles Espíritos envolvidos no ocorrido, a amargas e dolorosas provas, pois, toda ação traz consigo a responsabilidade.

Assim como, em outras civilizações antigas, houveram várias guerras na Antiga Grécia, como toda guerra, motivadas por ganância, orgulho, egoísmo e vingança.

Na Antiga Grécia as guerras mais conhecidas foram:

A Guerra Médicas (490aC – 479aC) Entre Gregos e Persas, pelo controle da Jônia (hoje Turquia), região colonizada pela Grécia, e pelo controle do comércio marítimo da região.

A Guerra do Peloponeso (431aC – 404aC) Conflito entre Atenas (liga de Delos) e Esparta (liga do Peloponeso). Nesta guerra Esparta vence Atenas.

A Guerra de Tróia, grande conflito ocorrido possivelmente entre 1.300 a.C. 1.200 a.C.

Alguns historiadores consideram a Guerra de Tróia uma lenda.

Homero (928aC – 898aC), grande poeta grego, em seu famoso poema épico Ilíada, narra os últimos dias da Guerra de Tróia.

A causa desta guerra foi o rapto da princesa Helena (esposa do legendário Menelau), por Paris.

Devidos a estas e outras guerras Atenas ficou enfraquecida. Berço de um povo nobre e culto, passou a fornecer escravos para o Império Romano, que apesar de ter sido muito influenciado, pelo povo grego, era formado por Espíritos agressivos e enérgicos.

O povo ateniense que era livre, seguiu em galeras, humilhado e oprimido, sem perder contudo suas elevadas noções da vida, do amor, da liberdade e da justiça.

Nosso Mestre Jesus nunca nos abandona, e nada sendo “por acaso”, ao mesmo tempo que estes Espíritos iam expiar suas faltas, também iam instalar um novo período de progresso espiritual nas coletividades romanas.

Mas, este processo não necessitava seguir o caminho da escravidão, da guerra, e do sofrimento. Entretanto nós, infelizmente, desde os primeiros tempos temos optado pelo caminho da dor e não do amor.

Todavia, muitos gregos ilustres carregavam consigo o labéu, ou mancha, da injusta condenação de Sócrates, o grande precursor de Jesus, a qual deveria reparar com as próprias lágrimas.




Até breve...

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Respeito e Gentileza


Respeito

Nem sempre aplicado,

Nem sempre alcançado,

Nem sempre conquistado,

Mas sempre necessário para todos e em todas as situações.

Gentileza

Nem sempre utilizada,

Nem sempre conhecida,

Nem sempre aprendida,

Mas sempre bem vinda.

Para aliviar dores, alegrar corações e consolar aflições.




Psicografia recebida no NEPT em 21 de novembro de 2014
Cornélius

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Aptidões fora do comum


Criança prodígio é aquela criança que apresenta um quociente de inteligência elevado.

Suas atividades intelectuais (leitura, resolução de problemas e perseverança no estudo) estão acima da média.

Alguns autores preferem o termo criança bem-dotada em vez de criança-prodígio, havendo também as discriminações criança-excepcionalmente superior (para diferenciar da excepcional retardada) e criança precoce.

Léon Denis, no item 15 da 2.ª parte ("As vidas sucessivas. As crianças-prodígio e a hereditariedade") do livro "O Problema do ser, do Destino e da Dor", cita-nos alguns exemplos de crianças-prodígio.

Entre eles, estão: 1) William Hamilton estudava o hebraico aos 3 anos, e aos 7 possuía conhecimentos mais extensos do que a maior parte dos candidatos ao magistério; 2) Willy Ferreros, com 4 anos e meio dirigia com mestria a orquestra do “Folies-Bergêre”, de Paris e depois a do Cassino de Lyon.

Diz ele: "O trabalho anterior que cada Espírito efetua pode ser facilmente calculado, medido pela rapidez com que ele executa de novo um trabalho semelhante, sobre um mesmo assunto, ou também pela prontidão com que assimila os elementos de uma ciência qualquer. Deste ponto de vista, é de tal modo considerável a diferença entre os indivíduos, que seria incompreensível sem a noção das existências anteriores.”

E ainda: “Duas pessoas igualmente inteligentes, estudando determinada matéria, não a assimilarão da mesma forma; uma alcançar-lhe-á à primeira vista os menores elementos, a outra só à custa de um trabalho lento e de uma aplicação porfiada conseguirá penetrá-la. É que uma já tem conhecimento dessa matéria e só precisa de recordá-la, ao passo que a outra se encontra pela primeira vez dentro de tais questões.”

Qual é a origem das faculdades extraordinárias dos indivíduos que, sem estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos coma as línguas, o cálculo etc.? (pergunta 219 de O Livro dos Espíritos)

"Lembrança do passado; progresso anterior da alma, mas do que ela mesma não tem consciência. De onde queres que elas venham? Os corpos mudam, mas o Espírito não muda, embora troque de vestimenta".

Para compreender melhor esses fenômenos, basta pensar na reencarnação.

Sem esse princípio, fica difícil entender porque certos Espíritos vêm a este mundo com aptidões fora do comum.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Fenômeno Mediúnico: menos importante do que a Evangelização do Ser


O Fenômeno psíquico assemelha-se à claridade da lâmpada: sendo o mesmo, pode ser observado e interpretado de vários modos, segundo a filtragem de cada médium.

Ele abrange o fenômeno psicológico, o anímico e o mediúnico.

Fenômenos anímicos são aqueles que se produzem por meio das faculdades transpessoais dos próprios médiuns.

Fenômenos mediúnicos são aqueles que se produzem pela intervenção de Espíritos.

O “fenômeno mediúnico” propriamente dito designa um conjunto de manifestações supranormais de ordem física e psíquica, que se produzem por meio de um “sensitivo” (médium), por se revelar qual instrumento a serviço de uma vontade que não é a sua.

Eles podem surgir espontaneamente, aparecem quando menos são previsíveis. Um Curso de Educação Mediúnica fornece orientações sobre esses fenômenos.

Pergunta 371 de O Consolador:

Devem ser intensificadas no Espiritismo as sessões de fenômenos mediúnicos?

“São muito poucos, ainda, os núcleos espiritistas que se podem entregar à prática mediúnica com plena consciência do serviço que têm em mãos; motivo por que é aconselhável a intensificação das reuniões de leitura, meditação e comentário geral para as ilações morais imprescindíveis no aparelhamento doutrinário, a fim de que numerosos centros bem-intencionados não venham a cair no desânimo ou na incompreensão, por causa de um prematuro comércio com as energias de plano invisível”.

sábado, 22 de novembro de 2014

A Verdade


Nem sempre bem vinda

Nem sempre compreendida

Nem sempre acolhida

Nem sempre bendita

Nem sempre desejada

Nem sempre festejada

Nem sempre esperada

Nem sempre conquistada

Mas sempre necessária

De uma maneira ou de outra

Por nós todos em algum momento de alguma experiência da vida.

Esta é a verdade,

Que, aliás, nem sempre percebemos exatamente qual é, pois são tantas, para tantas, que multifacetada ela é.

Porém, perante Deus, ela é uma só, sempre e para todos.

Difícil, mesmo, é conviver com ela.em certas circunstâncias.

Depende, sempre, de um fator vivo: o estado de consciência.

Mensagem psicografada recebida no NEPT em 21 de novembro de 2014
Cornélius

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Bem-aventuranças


Grande felicidade, suprema ventura, especialmente a que se goza no céu.

Para a teologia, são as oito bênçãos (beatitudes) com cuja exposição deu Cristo princípio ao Sermão da Montanha.

A Bem-Aventurança é uma declaração de bênção com base em uma virtude ou na boa sorte. A fórmula se inicia com "bem-aventurado aquele..."

Com Jesus toma a forma de um paradoxo: a bem-aventurança não é proclamada em virtude de uma boa sorte, mas exatamente em virtude de uma má sorte: pobreza, fome, dor, perseguição.

As bem-aventuranças constituem uma mensagem divina aos homens de todas as raças e de todas as épocas, destinada a servir-lhes de roteiro, rumo à perfeição.

Gandhi, ao ser indagado sobre o Evangelho de Jesus, diz: "Se tudo o mais do Evangelho for perdido e ficar somente as bem-aventuranças, o cristão em nada ficará prejudicado, pois nestas oito regras estão todos os fundamentos para uma mudança comportamental eficaz".

Quais são aquelas citadas por Jesus?

"Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

Bem-aventurados aqueles que são brandos e pacíficos, porque herdarão a Terra.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

Bem-aventurados aqueles que são misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

Bem-aventurados aqueles que têm puro o coração, porque verão a Deus.

Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, porque o reino dos céus é para eles.

Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós."
(Mateus, 5, 1 a 12)

O Reino dos Céus ou Reino de Deus é um estado de felicidade proporcional ao grau de perfeição adquirido.

É a imensidade da virtude.

É o estado de sublimação da Alma em virtude de sua obediência às Leis Naturais.

O Reino dos Céus "não é deste mundo".

Quer dizer, ele não será encontrado na satisfação de nossos desejos materiais, no nosso gozo terreno.

Ele está em nosso interior, em nosso mundo íntimo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O cooperador


Imagina-te à frente de um violino. Instrumento que te espera sensibilidade e inteligência, atenção e carinho para vibrar contigo na execução da melodia.

Se o tomas de arranco, é possível te caia das mãos, desafinando-se, quando não seja perdendo alguma peça.

Se esquecido em algum recanto, é provável se transforme em ninho de insetos que lhe dilapidarão a estrutura.

Se usado, a feição de martelo, fora da função a que se destina, talvez se despedace.

Entretanto, guardado em lugar próprio e manejado na posição certa, como a te escutar o coração e o cérebro, ei-lo que te responde com a sublimidade da música.

Assim, igualmente na vida, é o companheiro de quem esperas apoio e colaboração.

Chame-se familiar ou companheiro, chefe ou subordinado, colega ou amigo, se lhe buscas o auxílio, a golpes de azedume e brutalidade, é possível te escape da área de ação, magoando-se ou perdendo o estímulo ao trabalho.

Se largado ao menosprezo, é provável se entregue a influências claramente infelizes, capazes de lhe envenenarem a alma.

Se empregado por veículo de intriga ou maledicência, fora das funções edificantes a que se dirige, talvez termine desajustado por longo tempo.

Mas, se conservado com respeito, no culto da amizade, e se mobilizado na posição certa, como a te receber as melhores vibrações do coração e do cérebro, ei-lo que te corresponde com a excelência e a oportunidade da colaboração segura, em bases de amor que é, em tudo e em todos, o supremo tesouro da vida.

Pensemos nisso e concluiremos que é impossível encontrar cooperadores eficientes e dignos, sem indulgência e compreensão.


Francisco Cândido Xavier. Da obra: Caridade.
Espírito Emmanuel

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Credores


"O Reino do Céu é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou o acerto, levaram a ele um que devia dez mil talentos. Como o empregado não tinha com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, ajoelhado, suplicava: 'Dá-me um prazo. E eu te pagarei tudo'. Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado, e lhe perdoou a dívida. Ao sair daí, esse empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo: 'Pague logo o que me deve'. O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: 'Dê-me um prazo, e eu pagarei a você'. Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia.

Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: 'Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?' O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. É assim que fará com vocês o meu Pai que está no céu, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão."
(Mateus, 18, 23 a 35)

'Pedro aproximou-se de Jesus, e perguntou: "Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?" Jesus respondeu: "Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete”.' (Mateus, 18, 21-22)

O número sete e seus múltiplos representam um número indeterminado.

Quando se trata de perdoar não há número, contagem ou peso.

O Senhor quer mostrar a Pedro que o perdão não deve estar restrito a números, mas a ações que valham mais do que os números.

Nesta parábola, nota-se a grande diferença entre as duas dívidas.

O primeiro devia dez mil talentos; o outro, apenas cem dinheiros, uma quantia infinitamente menor.

Se a pessoa foi perdoada de uma grande dívida, por que não perdoou uma dívida pequena de seu irmão de jornada?

A tônica desta parábola é o perdão.

É extremamente fácil fazer teoria, propor soluções para os outros.

E quando tivermos de aplicar a nós mesmos esses ensinamentos?

Quanto nos custa de esforço e sacrifício?

Eles nos diz que Deus estabeleceu a lei de cooperação como um princípio dos mais nobres.

Há um só Pai, que é Deus.

Todos somos irmãos que devemos nos ajudar mutuamente.

Se Ele nos encaminhou um companheiro menos desejável, tenhamos compaixão e ensinemos sempre.

Se a tarefa apresenta obstáculos, tenhamos paciência e resguardemos na oração.

Se há percalços e incompreensões, usemos a misericórdia.

Precisamos “amar ao próximo como a nós mesmos”; “fazer aos outros o que gostaríamos que nos fosse feito”.

Estas duas frases resumem todos os nossos deveres para com o próximo.

Colocando-as em prática, estaremos contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna; além de libertar-nos de prisões internas criadas pela dificuldade em perdoar.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

O Bom Samaritano


"E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, o que é preciso que eu faça para possuir a vida eterna? Jesus lhes respondeu: Que está escrito na lei? Que ledes nela? Ele lhe respondeu: Amareis o Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, de toda a vossa alma, de todas as vossas forças e de todo o vosso espírito, e vosso próximo como a vós mesmos. Jesus lhe disse: Respondeste muito bem; fazei isso e viverás.

Mas esse homem, querendo parecer que era justo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? E Jesus tomando a palavra, lhe disse:

Um homem, que descia de Jerusalém para Jericó, caiu nas mãos de ladrões que o despojaram, cobriram-no de feridas e se foram, deixando-o semi-morto. Aconteceu, em seguida, que um sacerdote descia pelo mesmo caminho e tendo-o percebido passou do outro lado. Um levita, que veio também para o mesmo lugar, tendo-o considerado, passou ainda do outro lado. Mas um Samaritano que viajava, chegando ao lugar onde estava esse homem, e tendo-o visto, foi tocado de compaixão por ele. Aproximou-se, pois, dele, derramou óleo e vinho em sua feridas e as enfaixou; e tendo-o o colocado sobre sue cavalo, conduziu-o a uma hospedaria e cuidou dele. No dia seguinte, tirou duas moedas e as deus ao hospedeiro, dizendo: Tende bastante cuidado com este homem, e tudo o que despenderdes a mais, eu vos restituirei no meu regresso.

Qual desses três vos parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões? O doutor lhe respondeu: Aquele que exerceu a misericórdia para com ele. Ide pois, lhe disse Jesus, e fazei o mesmo".
(São Lucas, cap. 10, 25 a 37)

Os Samaritanos são as pessoas naturais da Samaria.

Desde a separação das dez tribos e a elevação do bezerro de ouro em Samaria, capital do reino de Israel, os samaritanos eram desprezados pelos judeus.

Os samaritanos eram considerados heréticos por que admitiam somente o Pentateuco de Moisés.

Aos olhos dos Judeus ortodoxos, eles eram heréticos, e, por isso mesmo, desprezados, anatematizados e perseguidos.

Jesus explicita que, diante do homem caído, passara um sacerdote e um levita, sem lhe dar atenção.

Em seguida, veio o samaritano, que o socorreu.

Daí, a pergunta: "quem foi o próximo"?

Entende-se que, para ter amor ao próximo, é preciso ver, sentir a condição do seu semelhante e ter um sentimento de piedade pela miséria alheia.

A caridade é a uma das caracgterísticas do amor.

O samaritano cedeu o seu tempo, o seu dinheiro e a sua pessoa para ajudar o seu próximo, que nem sabia quem era...

No quadro desta parábola é preciso separar a figura da alegoria.

Para homens que estavam ainda na infância da espiritualidade, Jesus precisou utilizar-se de imagens materiais, surpreendentes e capazes de impressionar.

Mas ao lado dessa parte acessória e figurada do quadro, há uma idéia dominante: a da felicidade que espera o justo e da infelicidade reservada ao mau.

Jesus não fala das convenções externas da religião; simplesmente quer exaltar a caridade, o único meio de salvação da alma.

É por essa razão que Jesus coloca o Samaritano, considerado herético, acima do ortodoxo que falta com a caridade.

Só para recordar: há o episódio do poço de Samaria.

Vindo tirar água uma mulher (Fotina) da Samaria, disse-lhe Jesus: "Dá-me de beber". Respondeu-lhe, porém, esta samaritana: "Como! Vós que sois judeus, me pedis de beber, a mim que sou samaritana?"

Há o episódio dos dez leprosos curados. Somente um veio agradecer; este era samaritano...

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A Verdade vos libertará


Fala-se tanto de obsessão, de fascinação e subjugação, mas muitas vezes sem entender do que realmente se trata, de fato.

De fato quer dizer, com vivência, com prática, particularmente no tratamento destes quadros espirituais, muitas vezes difíceis de conduzir e mesmo para conviver com a pessoa envolvida em algum desses processos.

A teoria se encontra no capítulo 23, de O Livro dos Médiuns, em que se lê: Obsessão Simples, Fascinação, Subjugação, Causas da Obsessão e Meios de Combatê-la.

A obsessão simples é esta que encontramos no cotidiano, na vida comum, com tendências à irratibilidade, à impaciência, à agressividade, inquietação, agitação, impaciência, capacidade excessiva para julgamentos...

A fascinação é a ação direta exercida por um Espírito obsessor sobre a do indivíduo, perturbando-o ou embaralhando-lhe as ideias.

É uma espécie de ilusão produzida sobre o pensamento do médium e que paralisa de alguma sorte seu julgamento a respeito das comunicações que recebe.

Pode-se dizer que se trata de uma hipnose moral.

E subjugação é o domínio que alguém exerce sobre outrem.

É a constrição exercida por Espírito (ou Espíritos) inferior, a qual paralisa a vontade de maneira contrária aos próprios desejos ou sentimentos, levando-o à aberração das faculdades psicofisiológicas.

Pode-se afirmar que se trata de uma hipnose moral e material, por constranger também o organismo do enfermo.

Aliás, qualquer obsessão trata-se, sim, de uma enfermidade que passa pela esfera espiritual, moral e material.

A subjugação pode ser moral ou corporal.

No primeiro caso, o subjugado é compelido a tomar atitudes absurdas e comprometedoras e que, por uma espécie de ilusão, julga sensatas.

No segundo caso, o Espírito age sobre os órgãos e produz movimentos involuntários.

A causa da obsessão é a imperfeição moral, que dá ascendência a um Espírito imperfeito.

Quase sempre a obsessão resulta de vingança, proveniente de encarnações passadas.

Mas, pode ocorrer exclusivamente em função das imperfeições morais da atualidade, por dar o indivíduo vazão aos seus instintos mais primários em função que as ilusões passionais podem provocar em cada pessoa.

Nos casos graves de obsessão, o obsedado fica muito impregnado de fluidos perniciosos, dificultando a substituição deles pelos bons fluidos, mesmo com a aplicação de passes sucessivos.

Para livrá-lo do monoideísmo, ou seja, do estado patológico caracterizado pela tendência de uma pessoa retornar sempre em seu pensamento em sua palavra a um só tema, Allan Kardec ressalta que, além do mecanismo dos fluidos, devemos agir sobre o ser inteligente, mudando-lhe o teor dos pensamentos.

Não existe a chamada possessão, literalmente falando.

Kardec até expressa situações em que a palavra é utilizada, mas deixa claro que nenhum Espírito pode efetivamente "possuir" o corpo de alguém, já que o encarnado está completamente ligado ao seu corpo físico, célula a célula, considerando corpo físico e perispírito.

Não existe uma obsessão "boa", pois nenhum constrangimento pode ser considerado "bom" por subtrair da criatura seu livre-arbítrio, ainda que seja de forma parcial.

Para curar-se de uma obsessão é preciso mudar as atitudes e o comportamento.

É o esforço para pensar no bem quando toda a circunstância nos leva a pensar no mau.

Para isso é preciso buscar o auxílio do Evangelho, dos passes, dos tratamentos espirituais que existem em Casas Espíritas.

O conhecimento sobre a mediunidade, a Vida Espiritual, o Evangelho de Jesus e de si mesmo são fundamentais para que se possa libertar de um processo obsessivo.

Então, disse Jesus aos judeus que haviam crido nele: "Se permanecerdes na minha Palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos. E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." João 8, 31 e 32


Mensagem recebida em 17 de novembro de 2014
Herculanum

sábado, 15 de novembro de 2014

Hipocrisia


"Nas pessoas de capacidade limitada, a modéstia não passa de mera honestidade, mas em quem possui grande talento, é hipocrisia."
(Arthur Schopenhauer)

Hipocrisia é o vício que consiste em aparentar uma virtude ou um sentimento que não se sentem. É, também, fingimento, falsidade, falsa devoção.

A hipocrisia revela as convicções inconsistentes do hipócrita.

Os pontos de vista expressos dos hipócritas entram em conflito com as convicções implícitas demonstradas por seu comportamento.

Lembrando Jesus: "Túmulos caiados por fora, guardando restos putrefatos e fétidos por dentro". Assemelha-se ao dístico: “Façam o que eu mando, mas não façam o que eu faço”.

Mais do Mestre: “Quando orar, não se colocar em evidência, mas orar em segredo. Antes de orar, se tiver algo contra outro, perdoá-lo, porque a prece não pode ser agradável a Deus, se não partir de um coração caridoso. Examinar os próprios defeitos e não fazer sobressair as qualidades apenas. A prece não se coaduna com o orgulho, vaidade e hipocrisia”.

Em Jerusalém, continuamente perseguido pela hostilidade dos fariseus (seita muito considerada e muito influente, que constituía a casta douta e ortodoxa do judaísmo), ataca a hipocrisia deles e esquiva-se às suas ciladas.

Como prova de sua missão divina, apresenta-lhes a cura de um cego de nascença e a ressurreição de Lázaro.

Em sua mensagem pós-túmulo, Allan Kardec lembra-nos da sua convicção sobre os princípios fundamentais do Espiritismo.

Tendo uma visão mais acurada, acha que tanto a benevolência, a boa-vontade e o devotamento de alguns, como a má-fé, a hipocrisia e as maldosas manobras dos outros, servem para fortificar o edifício doutrinário.

Ele afirma: "Nas mãos das potestades superiores, que presidem a todos os progressos, as resistências inconscientes ou simuladas, os ataques visando semear o descrédito e o ridículo, se tornam elementos de elaboração".

O Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens, em 1754, trata da desigualdade e da injustiça como frutos de uma hierarquia mal constituída.

Nessa obra, Rousseau afirma que a organização social não corresponde à verdadeira natureza humana, corrompendo-a e sufocando o seu potencial.

A Nova Heloísa, em 1761, exalta o direito da paixão, mesmo quando ilegítima, contra a hipocrisia da sociedade. A mentira seria um produto social.

É romance filosófico que exalta a pureza em luta contra uma ordem social corrompida e injusta.

Michel de Montaigne trata a hipocrisia do ser, em seus Ensaios - Da Vaidade:

“Para que servem esses píncaros elevados da filosofia, em cima dos quais nenhum ser humano se pode colocar, e essas regras que excedem a nossa prática e as nossas forças? Vejo frequentes vezes proporem-nos modelos de vida que nem quem os propõe nem os seus auditores têm alguma esperança de seguir ou, o que é pior, desejo de o fazer. Da mesma folha de papel onde acabou de escrever uma sentença de condenação de um adultério, o juiz rasga um pedaço para enviar um bilhetinho amoroso à mulher de um colega”.

La Rochefoucauld trata a hipocrisia do conselho, em Reflexões:

“Nada é mais hipócrita do que pedir ou dar conselhos. Quem pede, parece ter um respeito venerando pelos sentimentos do amigo a quem os pede, mas, no fundo, quer é fazer aprovar os sentimentos próprios e, assim, tornar o outro responsável pela sua conduta. Por outro lado, o que presta os conselhos retribui a confiança que lhe é dada, com um zelo ardente e desinteressado, apesar de, quase sempre, querer, através dos conselhos que dá, satisfazer os seus interesses ou a sua glória”.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Bons e maus...


"E respondendo Jesus, lhes tornou a falar segunda vez em parábolas, dizendo: O Reino dos Céus é semelhante a um rei, que desejando fazer as bodas a seu filho, mandou os seus servos a chamar os convidados para a bodas, mas eles recusaram ir. Enviou de novo outros servos, com este recado aos convidados: Eis aqui tenho preparado o meu banquete, os meus touros e os animais cevados estão já mortos, e tudo está pronto; vinde às bodas. Mas eles desprezaram o convite, e se foram, um para a sua casa de campo, outro para o seu tráfico. Outros porém, lançaram mão dos servos que ele enviara, e depois de os haverem ultrajado, os mataram. Mas o rei, tendo ouvido isto, se irou; e tendo feito marchar seus exércitos, acabou com aqueles homicidas, e pôs fogo à sua cidade. Então disse aos seus servos: As bodas com efeito estão aparelhadas, mas os que foram convidados não foram dignos de se acharem no banquete. Ide pois às saídas das ruas, e a quantos achardes, convidai-os para as bodas. E tenho os seus servos pelas ruas, congregaram todos os que acharam, maus e bons; e ficou cheia de convidados a sala do banquete de bodas. Entrou depois o rei para ver os que estavam à Mesa, e viu ali um homem que não estava vestido com veste nupcial. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? Mas ele emudeceu. Então disse o rei aos seus ministros: Atai-o de pés e mãos e lançai-o nas trevas exteriores: aí haverá choro e ranger de dentes. Porque são muitos os chamados e poucos os escolhidos." (Mateus, XXII: 1-4)

Uma das parábolas mais "famosas" de Jesus é esta, do "festim de bodas", também conhecida como "o grande banquete" e mostra os reiterados convites do Senhor em relação ao Reino de Deus.

Primeiramente os israelitas; depois os pobres, os aleijados, os cegos e os mancos.

Os primeiros a serem chamados foram os israelitas, os mais indicados para aceitar a boa nova.

Eles, contudo, recusaram o convite e se excluíram por si mesmos do reino de Deus, certamente por se julgarem sabedores da "verdade"...

Em seu lugar o Senhor mandou chamar os mancos, os pobres, os pagãos, considerados heréticos pelo povo judeu na época.

O convite à "grande ceia", ao "banquete", à "veste nupcial" nada mais é do que o pedir para que as pessoas aceitem o Evangelho.

A veste nupcial é a imagem da pureza de coração, de sentimento, de pensamento e de ações.

Mas as recusas continuam a acontecer, pelas razões mais estranhas: eu não posso, preciso ganhar dinheiro para sustentar a minha família; espere um pouco mais, ainda não estou preparado para o grande banquete; preciso cuidar dos interesses materiais; comprei um campo e preciso cuidar dele;
peço que aceite as minhas desculpas e outras mais inconsistentes ainda...

A separação dos "bons" e dos "maus" é falar sobre a vida.

A Bíblia diz que os bons vão para o céu e os maus para o inferno.

Pode-se entender que haverá uma ruptura, uma seleção, em que uns não podendo permanecer no Planeta Terra deverão encarnar em outros mundos.

É a lei do progresso e isso pode soar insólito para quem não tenha se estruturado em compreender a Doutrina Espírita...

Por que os “muitos” e os “poucos”?

Em hebraico, “muitos” significa multidão.

Na época, os “muitos chamados” eram os israelitas que não ouviram a palavra.

Os “poucos” indica mais uma relação qualitativa que numérica; são aqueles que, pelo livre arbítrio, decidem pelo caminho proposto pelo Cristo, o caminho do Amor.

São aqueles que, depois de ouvirem a palavra a colocam em prática.

A lei de Deus resume-se nestas palavras: "Fora da caridade não há salvação" - Paulo de Tarso.

Entre todos, porém, que ouvem a palavra divina, quão poucos são os que a guardam e a aplicam proveitosamente!

Quão poucos se tornam dignos de entrar no reino dos céus!

Eis por que disse Jesus: "Chamados haverá muitos; poucos, no entanto, serão os escolhidos".

Entenda-se como "escolhidos" quem escolheu seguir o caminho do Amor e não "designados por Deus" para seguir!


Mensagem recebida em 14 de novembro de 2014
Herculanum

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Figueira seca


Jesus se utiliza muito do recurso das parábolas para ensinar a gente de sua época.

Parábolas são como paralelos, situações hipotéticas que exemplificam uma ideia através das comparações.

Uma destas parábolas é a da "figueira seca", como podemos observar no Evangelho do Senhor; leia a seguir:

"No dia seguinte, saindo eles de Betânia, teve fome – vendo ao longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se, porventura, acharia nela alguma coisa. Aproximando-se, nada achou senão folhas; porque ainda não era tempo de figos. Disse-lhe: Nunca jamais coma alguém fruto de ti; e seus discípulos ouviram isto. Quando chegava a tarde saíram da cidade. Ao passarem de manhã, viram que a figueira estava seca até a raiz. Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Olhe, Mestre, secou-se a figueira que amaldiçoaste!" (Marcos, XI, 12-14 19-21.)

A Parábola da Figueira Seca faz parte da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. O título bíblico é Figueira Seca: a Purificação do Templo.

Nessa passagem, Jesus teria expulsado os vendilhões do templo, ensinando que a sua casa é casa de oração e não de perdição.

Evidente que o gesto de expulsar, com agressividade, não condiz com a realidade da consciência cósmica do Cristo, mas certamente Ele ensinou que não deveria se transformar aquela estrutura que representava a Casa do Pai em um local de trocas e interesses quase que exclusivamente.

Há mais ensinamento do Cristo, referente a esta passagem:

“Por isso vos digo que tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis, e tê-lo-eis; e quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai que está nos céus vos perdoe as vossas ofensas; mas, se vos não perdoardes, vosso Pai que está nos céus também não o perdoará”. (Marcos, 11, 1 a 26)

Tudo que diz respeito aos ensinamentos de Jesus tem algo que condiz com a realidade da época.

Assim, vale recordar que na antiga Palestina, diziam que os primeiros brotos de frutos da figueira aparecem dois meses antes das folhas.

Nesse caso, mesmo não sendo época de figos, a figueira já tinha estrutura para, mesmo fora de época, possuir frutos.

Cristo se baseia nessa premissa para lançar uma “praga” à figueira.

A morte de uma árvore pode estar conectada ao uso do magnetismo.

Se Jesus destruiu as células prejudiciais e causadoras de enfermidades – curas dos dez leprosos, a mulher que sofria de hemorragia, por que não poderia destruir as células de uma árvore?

Mas, será que foi isso mesmo que ocorreu?

Ou seria mais uma metáfora evangélica?

Parece-nos que o mais provável é: Jesus, conhecedor das leis da natureza, e sabendo que ela iria morrer, disse-lhe para não dar mais frutos.

Não foi ele que matou a figueira, mas ela que já estava a definhar.

Isso, sim, é muito mais coerente com o grau evolutivo do Espírito que é o Cristo.

Mas, o que isso poderia significar?

Pessoas que aparentam o bem, mas na realidade nada produzem de bom;

Pessoas que podem ser úteis e não o são;

Médiuns que se desviam de sua missão.

Estes três tipos de símbolos estão devidamente explicados nos itens 9 e 10 do capítulo 19 de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.

Uma coisa estéril nada produz.

Com o tempo, a obra estéril desaparece, evidentemente.

Jesus está, nesta passagem evangélica, chamando a nossa atenção para as boas obras, não de aparência, mas de real valor para a Humanidade.

O verniz da caridade nada vale, pois a "salvação" da Alma está ligada à sua essência, não àquilo que aparenta ser.

Um Centro Espírita, se não servir de lenitivo aos que o procuram, pode se tornar uma “figueira seca”, pois deixou de atender às necessidades de seus frequentadores.

Por isso, cada um de seus integrantes deve se sacrificar para que o todo prevaleça sobre as suas opiniões, e no caso do Espiritismo, os princípios doutrinários devem sempre estar em primeiro lugar.

Uma árvore deve ser conhecida pelos seus frutos.

Não é o tamanho, a configuração, as ramagens, os rebentos verdes, as pontas ressequidas, o aspecto brilhante, a vetustez do tronco, a fragilidade das folhas, o aroma atraente.

Não é pela aparência exterior, mas pelos frutos, utilidade e produção.

O que realmente vale é a substância de nossa colaboração no progresso comum, pela importância de nosso concurso no bem geral.


A vida de aparência caridosa pode enganar aos homens, pode até praticar o Bem, mas não consegue ludibriar a Deus, que é eminentemente sabedoria e justiça.

Esta é a lição que devemos extrair dessa parábola.



Mensagem recebida no NEPT em 13 de novembro de 2014
Cornélius

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Como chegar lá


Muitos questionam "como perdoar?" e pode-se observar que o caminho para o perdão é realmente pedregoso, íngreme e trabalhoso, mas nunca impossível, felizmente!

Há que se dizer que é necessário consolidar instâncias mais elevadas no íntimo da própria criatura, pois sem determinados pré-requisitos o perdão não "sai" de modo algum.

Os degraus necessários para que se alcance o dito perdão começam pelo primeiro de todos: olhar para o próximo como se olha para um filho do mesmo Pai!

Isso mesmo!

Apesar das inúmeras divergências, das inúmeras diferenças que podem existir entre duas criaturas, há um pouco de contato indelével: ambos são filhos de Deus, têm a mesma origem, os mesmos princípios de Vida dentro de si e necessitam caminhar pelas mesmas trajetórias para alcançar o mesmo objetivo, que é a evolução, o aprimoramento e o aperfeiçoamento, buscando tangenciar a Divindade Suprema.

A isso se dá o nome de Fraternidade!

Sem compreender isso e julgando-se em condição de superioridade com relação ao desafeto, não há como iniciar a jornada do perdão...

A partir daí, pode-se enumerar, não necessariamente em situações numericamente sucessivas, ou seja, não necessariamente na ordem citada, mas condições fundamentais para que se possa gerar no íntimo o autêntico perdão, conquistas para a Alma que, enquanto aprende a perdoar, sem que se dê conta está evoluindo na direção da Luz Divina, circunstâncias como a Indulgência, a Generosidade, a Humildade, a Bondade, a Caridade e a Misericórdia.

Orientam os Espíritos Superiores que a mais difícil destas conquistas é a Humildade...

O verdadeiro perdão é algo raro no seio da Humanidade, por ser condição moral de difícil acesso para se conquistar, entretanto, quando alguém alcança minimamente tais condições em seu íntimo, eleva-se diante de si mesmo e sente felicidade intraduzível para o senso comum das Criaturas Humanas.

Por isso, ao perdoar efetiva e incondicionalmente, o indivíduo torna-se, de alguma forma, invulnerável aos acharques que os adversários possam infringir e sua jornada passa por patamares admiráveis de evolução, podendo estampar em sua fisionomia delicado e respeitoso sorriso de vitória sobre si mesmo!

É uma das melhores sensações que uma Criatura Humana pode sentir em seu íntimo!



Mensagem recebida em 12 de novembro de 2014
Militão Pacheco

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Liberdade e perdão


É uma arte muito complexa a de perdoar, isso todo mundo sabe!

Mas, ao mesmo tempo é uma arte linda, pois, aquele que consegue obter tal ordem de circunstâncias dentro de si mesmo, aquele que obteve tal resultado em função de seu esforço, no término do processo está liberto das algemas da mágoa, do ressentimento e do desejo de justiça.

Pode parecer algo estranho instigar ao perdão em mundo tão refratário á complacência, mas vê-se tantas pessoas que andam na Vida com uma espécie de âncora presa à mente, dificultando sua jornada, que inspira a se falar um pouco mais sobre o dito perdão!

A sensação que se tem, quando não se consegue perdoar, é aquela na qual se vive com a pessoa, ou com as pessoas que foram razão para o problema, ao lado, não conseguuindo libertar-se de todas através do exercício "mágico" da indulgência, da compreensão e do reconhecimento de que seria também capaz de se equivocar da mesma maneira, por ser tão falível quanto aquele, ou quanto aqueles que se deixaram levar pelo equívoco.

E a realidade é exatamente esta: quem não perdoa vive evocando a presença do Ser não perdoado, ainda que inconsciente.

Basta uma pequena lembrança para desencadear todo um processo de memórias e recordações que fazem jorrar pelo organismo uma série de substãncias neuroquímicas e vibrações sutis que desestabilizam o corpo em vários sentidos, como dores de cabeça, redução da capacidade imunológica, dores musculares, agitação, taquicardia, e muitas outros desconfortos.

Em verdade, há quem "se alimente" destas lembranças nefastas e desnecessárias, remoendo todo o problema repetidas ou inúmeras vezes, em algumas oportunidades ampliando os fatos e "conversando consigo mesmo" no intuíto de reforçar as próprias razões para o evento em questão, como se fora uma vítima, quando na verdade pode estar se transformando em algoz em função da postura tomada diante das situações vividas.

Assim, reverte dentro de si mesmo os valores e, mesmo que tenha sido "vítima" de uma aparente injustiça (aparente diante da Justiça divina, pois não se sabe as razões para que tudo tenha acontecido), passa a ser perseguidor, clamando por algum tipo de "justiça" que engendra dentro de si mesmo.

Isso é um mecanismo de aprisionamento íntimo: transforma a criatura em prisioneiro de si mesmo, passando a ser sequestrado pelas suas emoções mais difíceis.

Não há nada melhor do que, em recurso de catárse, devolver-se a liberdade para viver sem pensar em algozes ou em traumas passados, como se fossem fatos presentes!

Não há nada mais compensador do que expandir a consciência através do efetivo e real perdão!

Não aquele perdão hipotético que "esquece" as ofensas, mas aquele pragmátíco que permite seguir a Vida sem se importar com nada que não seja tão importante como a liberdade!

Perdoar não é esquecer, é mais do que isso: é viver livre, desimpedido de amarrias e de celas construídas pela mente da própria criatura!

É necessário gerar tal consciência para se desprender de fatos que podem ser despojados da memória, ainda que guardados dentro dela em algum lugar que não seja de fácil acesso.

Em resumo: perdoar é libertar-se para a Vida!




Mensagem recebida em 11 de novembro de 2014
Militão Pacheco

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Memória e Perdão


Após passar por uma situação não muito agradável e ter suas esperanças para com alguém ruídas por uma atitude menos feliz, nossas emoções desabam para com este alguém e passamos a guardar algum tipo de reserva nesta relação, seja ela qual for, de maior profundidade, como um filho, uma filha, um companheiro ou companheira, ou mesmo um irmão ou uma irmã, ou, ainda, uma grande amizade, ou mesmo alguém com quem se mantenha apenas as relações sociais, tanto faz.

Esta reserva nada mais é do que a quebra de um valor importante e fundamental para as relações humanas: a confiança.

Quando o laço da confiança é rompido por uma experiência não construtiva é necessário que reavalie a relação em si.

Quando a pessoa causadora do afastamento é alguém que não traz tanta importância para a Vida, a reação habitual é afastar-se dela, evitando mais contatos e reduzindo a possibilidade de que se volte a ter nova experiência complexa e desalentadora.

Mas, quando a pessoa tem alguma importância, as circunstâncias mudam de aspecto e pode se iniciar uma série de eventos conflitivos para a mente de quem tenha se desapontado eventualmente.

Fica-se entre o sincero desejo da aproximação e o receio de alguma nova decepção...

Mas, inúmeras vezes declina-se de receios e volta-se a aprofundar a relação, de tal modo que o perdão é efetivamente colocado em prática.

Não que se esqueça o evento causador do desconforto, mas releva-se e segue-se adiante.

A imagem do problema fica como se estivesse guardado em algum lugar não disponível para averiguação e, portanto, ela não é evocada.

Assim, a Vida pode seguir seu rumo sem maiores problemas para que a relação entre as pessoas mantenha sua normalidade, afinal, todo mundo pode errar e, verdadeiramente, todo mundo erra.

É necessário avaliar a situação em si e observar atentamente a intenção de quem tenha cometido o equívoco, pois muitas vezes não houve a mínima intenção de cometer qualquer desatino e o erro foi involuntário e, muitas vezes, cometido por ingenuidade.

Nesses casos fica ainda mais fácil de relevar, felizmente.

Mas, quando o erro é proposital, aí fica-se à mercê das emoções, pois é muito, mas muito difícil de efetivamente perdoar, mesmo que seja um filho ou uma filha.

A limitação que a criatura humana tem para discernir estes fatos é profunda.

Muitas vezes aquilo que foi involuntário é tido à conta de uma atitude proposital, aí...

Fico pensando no melhor de todos os exemplos: Jesus.

Ele foi execrado, vilipendiado, massacrado, humilhado, espancado e sacrificado em praça pública!

Ainda assim, perdoou!

Qual a razão para tal grau de complacência para com a humanidade à época?

A consciência cósmica do Mestre permite que ele enxergue a criatura humana da Terra com olhos universais, o que o diferencia de todos e permite que, ainda que passando por tudo o que já sabia que iria passar, tenha plena ciência de que a humanidade da época (e ainda hoje) tenha uma imensa limitação de compreender o que é divino, ou mais elevado.

Assim, o medo toma conta e a criatura humana se torna agressiva, como foi para com Ele.

Mas, nenhuma criatura humana encarnada ou não na Terra é como Jesus!

Ainda...

Todos chegarão lá!

Enquanto isso a recomendação sempre é a de seguir suas pegadas: tentar pelo menos!

Não se esquece uma falta, é verdade!

É difícil resgatar a confiança e muitos fatores colaboram para isso, como, por exemplo, a reinciência do erro.

Ainda assim, é recomendável libertar o coração e perdoar sempre!

Mas, recorde o Evangelho Segundo o Espiritismo: "Se o amor do próximo constitui o princípio da caridade, amar os inimigos é a mais sublime aplicação desse princípio, porquanto a posse de tal virtude representa uma das maiores vitórias alcançadas contra o egoísmo e o orgulho.
Entretanto, há geralmente equívoco no tocante ao sentido da palavra amar, neste passo. Não pretendeu Jesus, assim falando, que cada um de nós tenha para com o seu inimigo a ternura que dispensa a um irmão ou amigo. A ternura pressupõe confiança; ora, ninguém pode depositar confiança numa pessoa, sabendo que esta lhe quer mal; ninguém pode ter para com ela expansões de amizade, sabendo-a capaz de abusar dessa atitude. Entre pessoas que desconfiam umas das outras, não pode haver essas manifestações de simpatia que existem entre as que comungam nas mesmas idéias. Enfim, ninguém pode sentir, em estar com um inimigo, prazer igual ao que sente na companhia de um amigo."

Por isso, vê-se que, certamente se tem muito maior complacência com aqueles que são mais amados e menor indulgência para com os mais distantes!

Natural, enquanto o Ser humano não apresente condições para a amar a humanidade como uma família, como faz o Cristo!

Entretanto, faz parte do aprendizado de cada um iniciar o exercício do Amor por um grupo mais restrito, até que possa alcançar sua própria espécie como sendo sua família, afinal todos são filhos de um mesmo Criador!

Tudo é evolução no Universo, inclusive o perdão!

Esforçar-se para aprender a perdoar é lutar para libertar-se de prisões íntimas que não permitem elevar-se acima das paixões humanas!



Mensagem recebida em 10 de novembro de 2014
Militão Pacheco

sábado, 8 de novembro de 2014

Perdão!


A Vida é cheia de percalços, todos nós sabemos disso e um dos mais comuns é ser "traído" na própria confiança por alguém de quem se espera somente algo de bom.

Habitualmente a reação é a indignação e a raiva, algo absolutamente normal para qualquer Ser humano.

Passa-se, então, por um período de adaptação, no qual a raiva vai sendo "trabalhada" até que se possa "digerir" o fato e a Vida tome seu rumo habitual.

Mas, a memória evoca com certa frequência a agressão e o agressor e, aí, as "viagens" pela terra da imaginação promovem enorme bombardeio na mente e, por consequência, no organismo também!

A cada chamada do fato, o cérebro é bombardeado por toxinas destrutivas que danificam os circuítos neurais, derramando ainda mais toxinas, que alcançam, pela circulação sanguínea, outras regiões do corpo e, portanto, outros órgãos.

A dificuldade tende a se cronificar de tal modo, que as células cerebrais "se acostumam" com os pensamentos insalubres de fazendo com que que se comportem como se fossem viciadas naquela faixa de vibração, "pedindo", "clamando" pelas emoções infelizes que são provocadas pelas lembranças infelizes das experiências da memória.

Isso interfere na qualidade do sono, gerando sonhos viciantes e aterrorizadores.

Altera a qualidade da digestão, pois o fígado é atingido por venenos invisíveis que circulam por suas células, as chamadas energias desnecessárias antigas conhecidas da medicina chinesa e ayurvédica.

As articulações vão se enrijecendo progressivamente, refletindo a rigidez dos pensamentos infelizes.

O comportamento vai se alterando, assim como o olhar e a própria fisionomia, graças aos mesmos pensamentos crônicos inadequados.

A falta de perdão é uma das enfermidades mais graves com a qual o Ser humano convive.

E pior: criado por ele mesmo e alimentado por ele mesmo!

Só há uma forma de evitar o adoecimento provocado pela falta de perdão: a vontade de ser feliz!

A falta de perdão é uma enfermidade que funciona como se fosse uma jaula aprisionando os instintos primitivos da criatura humana dentro de si mesma.

Tranca seu progresso.

Constrange sua vontade.

Impede a visão para o futuro, ou seja, a esperança.

A chave para que se liberte deste adoecimento todo é QUERER viver em Paz e PERDOAR.

Perdoar é a chave para a liberdade da Vida!

Não é somente um gesto de caridade para com aquele que provocou o ensejo do erro, mas também e principalmente, um gesto de caridade para consigo mesmo, no ensejo de libertar-se das amarras do ódio ou das âncoras da mágoa.

Só vive bem e plenamente quem perdoa inteligentemente.




Mensagem recebida em 08 de novembro de 2014
Militão Pacheco

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Lamennais

Nascido em uma família de armadores de Saint-Malo, foi educado por seu irmão João e tornou-se padre escritor brilhante, tornou-se uma figura influente e controversa na história da Igreja católica  francesa. Juntamente com seu irmão Jean, concebeu a ideia de reviver o Catolicismo Romano como uma chave para a regeneração social. Chegaram a esboçar um programa de reforma, sob o título "Reflexão do estado da Igreja…", no ano de 1808.

Cinco anos mais tarde, no auge do conflito entre Napoleão Bonaparte e o Papado, os irmãos produziram uma defesa do Ultramontanismo (doutrina e política dos católicos franceses que buscavam inspiração na Cúria Romana, defendendo a autoridade absoluta do Papa em matéria de fé e disciplina). Esta obra valeu a Lemennais um conflito com o Imperador, forçando-o a uma precipitada fuga para a Inglaterra em1815.

Um ano depois, com 34 anos de idade, Lamennais retornou a Paris, onde foi ordenado padre.

Escritor fluente, político e filósofo, esforçou-se para combinar a política liberal com o Catolicismo Romano, após a Revolução Francesa. Desse modo, já em 1817 publicou "Ensaios sobre a indiferença em matéria de religião considerada em suas relações com a ordem política e civil", além de uma tradução da "Imitação de Jesus Cristo".

O ensaio lhe valeu fama imediata. Nele, Lamennais argumentava a respeito da necessidade da religião, baseando seus apelos na autoridade da tradição e a razão geral da Humanidade, em vez do individualismo do julgamento privado. Embora advogasse o Ultramontanismo na esfera religiosa, em suas crenças políticas era um liberal que advogava a separação do Estado da Igreja, a liberdade de consciência, educação e imprensa.

Depois da revolução de Julho de 1830, Lamennais, junto com Henri Dominique Lacordaire e Charles de Montalembert, além de um grupo entusiástico de escritores do Catolicismo Romano Liberal, fundou o jornal "L'Avenir". Neste periódico diário, defendia os princípios democráticos, a separação da Igreja do Estado, o que lhe criou embaraços tanto com a hierarquia eclesiástica francesa quanto com o governo do rei Luís Filipe de França.

Papa Gregório XVI desautorizou as opiniões de Lamennais na Encíclica"Mirari vos", em Agosto de 1831. Não houve uma citação específica a ele e nem a seu jornal, mas tão somente uma censura implícita a ambos. Inicialmente, Lamennais suspendeu a distribuição do jornal, submetendo-se; mais tarde deixou a Igreja e defendeu a própria posição na obra "Paroles d'un croyant" (Palavras de um crente), condenada explícitamente na Encíclica "Singulari nos", em Julho de 1834, sendo citados tanto o autor quanto a obra.

Incansável, ele se devotou à causa do povo, colocando sua pena a serviço do Republicanismo e do Socialismo. Escreveu obras como "O Livro do Povo" (1838), "Os afazeres de Roma" e "Esboço de uma Filosofia". Chegou a ser condenado à prisão mas, já em 1848 foi eleito para a Assembleia Nacional, aposentando-se em 1851.

Por ocasião de sua morte, não desejando se reconciliar com a Igreja, foi sepultado em uma cova de indigente.

Na obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, encontram-se mensagens atribuídas tanto a Lamennais quanto a Lacordaire. Também em O Livro dos Espíritos, obra espírita, na questão 1009, pode-se encontrar uma mensagem atribuída a Lammenais.



quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Lacordaire

Jean-Baptiste-Henri Lacordaire Em junho de 1853, quando as mesas girantes e falantes agitavam os salões da Europa, depois de terem assombrado a América, em missiva a Mme. Swetchine, datada de Flavigny, ele escreveu: "Vistes girar e ouvistes falar das mesas? _ Desdenhei vê-las girar, como uma coisa muito simples, mas ouvi e fiz falar. Elas me disseram coisas muito admiráveis sobre o passado e o presente. Por mais extraordinário que isto seja, é para um cristão que acredita nos Espíritos um fenômeno muito vulgar e muito pobre. Em todos os tempos houve modos mais ou menos bizarros para se comunicar com os Espíritos; apenas outrora se fazia mistério desses processos, como se fazia mistério da química; a justiça por meio de execuções terríveis, enterrava essas estranhas práticas na sombra. Hoje, graças à liberdade dos cultos e à publicidade universal, o que era um segredo tornouse uma fórmula popular. Talvez, também, por essa divulgação Deus queira proporcionar o desenvolvimento das forças espirituais ao desenvolvimento das forças materiais, para que o homem não esqueça, em presença das maravilhas da mecânica, que há dois mundos incluídos um no outro: o  mundo  dos  corpos  e  o mundo  dos  espíritos." O missivista era Jean-Baptiste-Henri Lacordaire, nascido em 12 de maio de 1802, numa cidade francesa perto de Dijon. A despeito de seus pais serem religiosos fervorosos, o jovem Lacordaire permaneceu ateu até que uma profunda experiência religiosa o levou a abraçar a carreira de advogado, na Teologia. Completando os estudos no Seminário, na qualidade de professor pôde constatar o relativo descaso dos seus estudantes pela religião. No intuito de despertar a afeição pública para a Igreja, como colaborador do jornal L'Avenir, passou a lutar pela liberdade daquela da assistência e proteção do Estado. Vigário da famosa Catedral de Notre-Dame, em Paris, a força da sua oratória atraía milhares de leigos para o culto.Em 1839 entrou para a Ordem Dominicana na França, trabalhando pela sua restauração,  desde  que  a  Revolução  Francesa  a  tinha  largamente  subvertido. Discípulo de Lamennais, preocupou-se em afirmar que a união da liberdade e do Cristianismo seria a única possibilidade de salvação do futuro. Cristianismo, por poder dar à liberdade a sua real dimensão e a liberdade, por poder dar ao Cristianismo os meios de influência necessários para isto. Insistia que o Estado devia cercear seu controle sobre a educação, a imprensa, e trabalho de maneira a permitir ao Cristianismo florescer efetivamente dentro dessas áreas . Foi Membro da Academia Francesa e o Codificador inseriu artigo a seu respeito na Revista Espírita de fevereiro de 1867, seis anos após a sua desencarnação, que se deu em 21 de novembro de 1861. Nele, reproduz extrato da correspondência que inicia o presente artigo, comentando: "Sua opinião sobre a existência e a manifestação dos Espíritos é categórica. Ora, como ele é tido, geralmente, por todo o mundo, como uma das altas inteligências do século, parece difícil colocá-lo entre os loucos, depois de o haver aplaudido como homem de grande senso e progresso. Pode, pois, ter-se senso comum e crer nos  Espíritos." Em sessão realizada na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas em 18 de janeiro daquele ano, o médium "escrevente habitual" Morin, descreveu a presença do espírito do padre Lacordaire, como "um Espírito de grande reputação terrena, elevado na escala intelectual dos mundos (...) Espírita  antes  do  Espiritismo  (...)"  e  concluiu: "Ele pede uma coisa, não por orgulho, por um interesse pessoal qualquer, mas no interesse de todos e para o bem da doutrina: a inserção na Revista do que escreveu há treze anos. Diz que se pede tal inserção é por dois motivos: o primeiro porque mostrareis ao mundo, como dizeis, que se pode não ser tolo e crer nos Espíritos. O segundo é que a publicação dessa primeira citação fará descobrir em seus escritos outras passagens que serão assinaladas, como concordes com os princípios do Espiritismo." Mas ele mesmo, Lacordaire, retornou de Além-Túmulo, para emprestar à obra da Codificação a sua inestimável e talentosa contribuição. Fonte: site: www.caminhosluz.com.br

Enquanto puder


Enquanto você tem possibilidade, pratique o Bem que possa;

Sempre que puder ilumine o caminho alheio com bons exemplos, recordando que as palavras se perdem ao vento;

Lembre-se de que, se hoje é você quem ajuda, amanhã você talvez possa ser auxiliado;

Faça uso do corpo físico para recolher as bênçãos da vida Mais Alta, enquanto a vitalidade lhe permite harmoniosamente;

O desgaste natural leva a limites orgânicos com o tempo, que deverão ser respeitados;

O aprendizado é uma bênção e há milhares de irmãos, não longe de você, aguardando uma "bolsa de estudos" na reencarnação, pois ela nada mais é do que um curso para a Existência Verdadeira;

A fila para o retorno à matéria é imensa e contínua, mas, enquanto mergulhados nela, costumamos não dar o devido valor para a experiência;

Acerte suas contas com todos, enquanto a hora é favorável;

Amanhã, todos os quadros podem ser transformados e será necessária outra experiência material para reparar erros que já podem ser fixados;

Enquanto você guarda oportunidade de recolher recursos superiores para a vida espiritual, aumente os seus valores próprios e organize tesouros da alma, convicto de que sua viagem para Verdadeira Vida é inevitável.



Mensagem recebida em 05 de novembro de 2014
Militão Pacheco

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Apocalipse


Apocalipse significa propriamente "manifestação do que estava oculto" e, por isso, fala-se em revelação, pois revelar é trazer à luz algo que estava escondido. Figuradamente, grande cataclismo, terrível flagelo.

Aplica-se também à final aparição de Cristo, como juiz e triunfador.

O "Apocalipse" de João (Evangelista) não foi o único na literatura antiga; no judaísmo, por exemplo, os grandes períodos desta literatura, vão de 200 a.C. a 100 d.C.; no cristianismo, de 50 d.C. a cerca de 350.

O de João constitui o fim do Novo Testamento, e consiste na revelação tida por João, o Evangelista, na Ilha de Patmos, acerca dos futuros acontecimentos que envolverão o Planeta e a Humanidade.

Assim:

- escreve sete cartas a várias Igrejas;
- relata a visão do trono da majestade divina;
- diz que somente o Cordeiro é digno de abrir o livro dos sete selos;
- fala da besta que subiu do mar e da terra;
- discorre sobre a queda da Babilônia, enumerando a visão da grande prostituta assentada sobre a besta, as lamentações sobre a terra, a alegria e triunfo nos céus e as vitórias de Cristo sobre a besta e sobre o falso profeta;
- vaticina sobre o juízo final, enaltecendo os novos céus, a nova terra e a nova Jerusalém;
- por fim, faz algumas admoestações e conclui com as promessas finais.

O Apocalipse de João aparece ligado à profecia (predição do futuro), mas distingue-se de uma simples profecia, tanto pelo conteúdo como pela forma.

Pelo conteúdo, é a vitória final do reino messiânico; pela forma, pois não é uma simples iluminação subjetiva, mas uma exposição objetiva, e com forma de visão permanente.

Esta é a estrutura do Apocalipse de João:

1) Anúncio da Revelação e saudação ao leitor;

2) Prólogo. João, desterrado em Patmos, saúda as sete Igrejas da Ásia.

3) Visões mandadas transmitir às igrejas.

4) Epílogo. Cristo confirma a verdade destas predições e diz que não tardarão em cumprir-se.

"João era médium, clarividente, profeta, possuidor de várias formas de mediunidade, em alto grau. Mas era, também, iniciado no conhecimento da época, quer da cultura grega, como da lei e da ritualística judaica. Por isto, autor de um dos evangelhos, uma versão sapiencial ou gnóstica. Nele se tem a primeira aproximação com a contemporânea filosofia do Neo-Platonismo grego e a ligação à literatura judaica de Filão, também contemporânea, que completa a tarefa de interpretar a Bíblia, segundo a filosofia grega".

O Espírito Emmanuel, comentando o Apocalipse de João, em A Caminho da Luz, diz que "O Divino Mestre chama aos Espaços o Espírito João, que ainda se encontrava preso nos liames da Terra, e o Apóstolo, atônito e aflito, lê a linguagem simbólica invisível. Recomenda-lhe o Senhor que entregue os seus conhecimentos ao planeta como advertência a todas as nações e a todos os povos da Terra, e o Velho Apóstolo de Patmos transmite aos seus discípulos as advertências extraordinárias do Apocalipse.Todos os fatos posteriores à existência de João estão ali previstos. É verdade que freqüentemente a descrição apostólica penetra o terreno mais obscuro; vê-se que a sua expressão humana não pode copiar fielmente a expressão divina das suas visões de palpitante interesse para a história da Humanidade. As guerras, as nações futuras, os tormentos porvindouros, o comercialismo, as lutas ideológicas da civilização ocidental, estão ali pormenorizadamente entrevistos. E a figura mais dolorosa, ali relacionada, que ainda hoje se oferece à visão do mundo moderno, é bem aquela da igreja transviada de Roma, simbolizada na besta vestida de púrpura e embriagada com o sangue dos santos".

"Identifica a besta como sendo o papado e o número 666 como sendo o ‘Sumo-Pontífice’ da igreja romana quem usa os títulos de ‘VICARIVS GENERALIS DEL IN TERRIS’, ‘VICARIVS FILII DEI’ e ‘DVX CLERI’ que significam ‘Vigário-Geral de Deus na Terra’, ‘Vigário do Filho de Deus’ e ‘Príncipe do Clero’. Bastará ao estudioso um pequeno jogo de paciência, somando os algarismos romanos encontrados em cada título papal, a fim de encontrar mesma equação de 666, em cada um deles".

Quanto aos cataclismos futuros, Allan Kardec, em A Gênese, diz-nos: "Fisicamente, a Terra teve as convulsões da sua infância; entrou agora num período de relativa estabilidade: na do progresso pacífico, que se efetua pelo regular retorno dos mesmos fenômenos físicos e pelo concurso inteligente do homem. Está, porém, ainda, em pleno trabalho de gestação do progresso moral. Aí residirá a causa das suas maiores comoções. Até que a Humanidade se haja avantajado suficientemente em perfeição, pela inteligência e pela observância das leis divinas, as maiores perturbações ainda serão causadas pelos homens, mais do que pela Natureza, isto é, serão antes morais e sociais do que físicas".

O Apocalipse de João é uma exortação à mediunidade, a maior ferramenta da revelação divina.

João, possuidor de vários tipos de mediunidade, pode se desdobrar, visualizar o futuro e registrar essas informações.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Crianças prodígio


É a criança que apresenta um quociente de inteligência elevado.

Suas atividades intelectuais (leitura, resolução de problemas e perseverança no estudo) estão acima da média.

Criança é o ser humano na infância, pessoa jovem.

Diz-se, também, das pessoas adultas que agem como se fossem crianças.

Alguns autores preferem o termo criança bem-dotada em vez de criança-prodígio, havendo também as discriminações criança-excepcionalmente superior (para diferenciar da excepcional com atraso no desenvolvimento) e criança precoce.

Léon Denis, no item 15 da 2.ª parte ("As vidas sucessivas. As crianças-prodígio e a hereditariedade") do livro O Problema do ser, do Destino e da Dor, cita-nos alguns exemplos de crianças-prodígio.

Entre eles, estão:

1) William Hamilton estudava o hebraico aos 3 anos, e aos 7 possuía conhecimentos mais extensos do que a maior parte dos candidatos ao magistério;

2) Willy Ferreros, com 4 anos e meio dirigia com mestria a orquestra do “Folies-Bergêre”, de Paris e depois a do Cassino de Lyon.

“O trabalho anterior que cada Espírito efetua pode ser facilmente calculado, medido pela rapidez com que ele executa de novo um trabalho semelhante, sobre um mesmo assunto, ou também pela prontidão com que assimila os elementos de uma ciência qualquer. Deste ponto de vista, é de tal modo considerável a diferença entre os indivíduos, que seria incompreensível sem a noção das existências anteriores.” (dele mesmo)

“Duas pessoas igualmente inteligentes, estudando determinada matéria, não a assimilarão da mesma forma; uma alcançar-lhe-á à primeira vista os menores elementos, a outra só à custa de um trabalho lento e de uma aplicação porfiada conseguirá penetrá-la. É que uma já tem conhecimento dessa matéria e só precisa de recordá-la, ao passo que a outra se encontra pela primeira vez dentro de tais questões.” (dele mesmo)

Qual é a origem das faculdades extraordinárias dos indivíduos que, sem estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos coma as línguas, o cálculo etc.? (pergunta 219 de O Livro dos Espíritos)

"Lembrança do passado; progresso anterior da alma, mas do que ela mesma não tem consciência. De onde queres que elas venham? Os corpos mudam, mas o Espírito não muda, embora troque de vestimenta".

Qual é o elemento básico para a compreensão da criança-prodígio?

Reencarnação. Sem esse princípio, fica difícil entender porque certos Espíritos vêm a este mundo com aptidões fora do comum.

sábado, 1 de novembro de 2014

Esmola e Caridade


Escusam-se muitos de não poderem ser caridosos, alegando precariedade de bens, como se a caridade se reduzisse a dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus e proporcionar um teto aos desabrigados.

Além dessa caridade, de ordem material, outra existe - a moral, que não implica o gasto de um centavo sequer e, não obstante, é a mais difícil de ser praticada.

Exemplos? Eis alguns:

Seríamos caridosos se, fazendo bom uso de nossas forças mentais, vibrássemos ou orássemos diariamente em favor de quantos saibamos acharem-se enfermos, tristes ou oprimidos, sem excluir aqueles que porventura se considerem nossos inimigos.

Seríamos caridosos se, em determinadas situações, nos fizéssemos intencionalmente cegos para não vermos o sorriso desdenhoso ou o gesto disprezivo de quem se julgue superior a nós.

Seríamos caridosos se, com sacrifício de nosso valioso tempo, fôssemos capazes de ouvir, sem enfado, o infeliz que nos deseja confiar seus problemas íntimos, embora sabendo de antemão nada podermos fazer por ele, senão dirigir-lhe algumas palavras de carinho e solidariedade.

Seríamos caridosos se, ao revés, soubéssemos fazer-nos momentâneamente surdos quando alguém, habituado a escarnecer de tudo e de todos, nos atingisse com expressões irônicas ou zombeteiras.

Seríamos caridosos se, disciplinando nossa língua, só nos referíssemos ao que existe de bom nos seres e nas coisas, jamais passando adiante notícias que, mesmo sendo verdadeiras, só sirvam para conspurcar a honra ou abalar a reputação alheia.

Seríamos caridosos se, embora as circunstâncias a tal nos induzissem, não suspeitássemos mal de nossos semelhantes, abstendo-nos de expender qualquer juízo apressado e temerário contra eles, mesmo entre os familiares.

Seríamos caridosos se, percebendo em nosso irmão um intento maligno, o aconselhassemos a tempo, mostrando-lhe o erro e despersuadindo o de o levar a efeito.

Seríamos caridosos se, privando-nos, de vez em quando, do prazer de um programa radiofônico ou de T.V. de nosso agrado, visitássemos pessoalmente aqueles que, em leitos hospitalares ou de sua residência, curtem prolongada doença e anseiam por um pouco de atenção e afeto.

Seríamos caridosos se, embora essa atitude pudesse prejudicar nosso interesse pessoal, tomássemos, sempre, a defesa do fraco e do pobre, contra a prepotência do forte e a usura do rico.

Seríamos caridosos se, mantendo permanentemente uma norma de proceder sereno e otimista, procurássemos criar em torno de nós uma atmosfera de paz, tranquilidade e bom humor.

Seríamos caridosos se, vez por outra, endereçássemos uma palavra de aplauso e de estimulo às boas causas e não procurássemos, ao contrário, matar a fé e o entusiasmo daqueles que nelas se acham empenhados.

Seríamos caridosos se deixássemos de postular qualquer benefício ou vantagem, desde que verificássemos haver outros direitos mais legítimos a serem atendidos em primeiro lugar.

Seríamos caridosos se, vendo triunfar aqueles cujos méritos sejam inferiores aos nossos, não os invejássemos e nem lhes desejássemos mal.

Seríamos caridosos se não desdenhássemos nem evitássemos os de má vida, se não temêssemos os salpicos de lama que os cobrem e lhes estendêssemos a nossa mão amiga, ajudando-os a levantar-se e limpar-se.

Seríamos caridosos se, possuindo alguma parcela de poder, não nos deixássemos tomar pela soberba, tratando, os pequeninos de condição, sempre com doçura e urbanidade, ou, em situação inversa, soubéssemos tolerar, sem ódio, as impertinências daqueles que ocupam melhores postos na paisagem social.

Seríamos caridosos se, por sermos mais inteligentes, não nos irritássemos com a inépcia daqueles que nos cercam ou nos servem.

Seríamos caridosos se não guardássemos ressentimento daqueles que nos ofenderam ou prejudicaram, que feriram o nosso orgulho ou roubaram a nossa felicidade, perdoando-lhes de coração.

Seríamos caridosos se reservássemos nosso rigor apenas para nós mesmos, sendo pacientes e tolerantes com as fraquezas e imperfeições daqueles com os quais convivemos, no lar, na oficina de trabalho ou na sociedade.

E assim, dezenas ou centenas de outras circunstâncias poderiam ainda ser lembradas, em que, uma amizade sincera, um gesto fraterno ou uma simples demonstração de simpatia, seriam expressões inequívocas da maior de todas as virtudes.

Nós, porém, quase não nos apercebemos dessas oportunidades que se nos apresentam, a todo instante, para fazermos a caridade.

Porquê?

É porque esse tipo de caridade não transpõe as fronteiras de nosso mundo interior, não transparece, não chama a atenção, nem provoca glorificações.

Nós traímos, empregamos a violência, tratamos ou outros com leviandade, desconfiamos, fazemos comentários de má fé, compartilhamos do erro e da fraude, mostramo-nos intolerantes, alimentamos ódios, praticamos vinganças, fomentamos intrigas, espalhamos inquietações, desencorajamos iniciativas nobres, regozijamo-nos com a impostura, prejudicamos interesses alheios, exploramos os nossos semelhantes, tiranizamos subalternos e familiares, desperdiçamos fortunas no vício e no luxo, transgredimos, enfim, todos os preceitos da Caridade, e, quando cedemos algumas migalhas do que nos sobra ou prestamos algum serviço, raras vezes agimos sob a inspiração do amor ao próximo, via de regra fazemo-lo por mera ostentação, ou por amor a nós mesmos, isto é, tendo em mira o recebimento de recompensas celestiais.

Quão longe estamos de possuir a verdadeira caridade!

Somos, ainda, demasiadamente egoístas e miseravelmente desprovidas de espírito de renúncia para praticá-la.

Mister se faz, porém, que a exercitemos, que aprendamos a dar ou sacrificar algo de nós mesmos em benefício de nossos semelhantes, porque "a caridade é o cumprimento da Lei."

* * *

Rodolfo Calligaris. Da obra: As Leis morais.