Mensagem

"Não permita que aquilo que você chama de amor se transforme em obsessão.
Amor é liberdade.
Amor é vida.
Jamais prisão ou limitação."

Militão Pacheco

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Antipatia





Quantas vezes temos aquela primeira impressão marcante que pode nos afastar de uma pessoa?

Muitas são as ocasiões nas quais “batemos o olho” em alguém e a pessoa “não desce”, não é mesmo?

Então, será que a primeira impressão é a que fica? Será que essa situação confere com aquela colocação tão comum quando se diz “bem que eu não ´fui com a cara´!”

Será que somos tão poderosos assim? Nosso feeling é tão preciso que ao olhar para alguém já temos condições de dizer se a pessoa “presta” ou “não presta”?

Pois então, a situação citada é na verdade uma impressão que pode ser analisada de duas formas fundamentais que gostaria de citar de forma sucinta.

A primeira é quando captamos as emanações mentais da pessoa naquele momento, isto é, a ela passa por um problema e está com a qualidade dos pensamentos em faixa menos nobre. É um momento que não representa o que a pessoa é, mas como ela está: não é referência para a qualidade de sua personalidade. Não define se é alguém efetivamente com desvios de caráter, de modo algum.

A segunda é quando temos a “recordação” de uma experiência vivenciada com ela em outra reencarnação. Isso é muito raro de acontecer, mas eventualmente pode ser assim. Trata-se de uma lembrança inata, que traz à tona, de modo inconsciente algo perdido nos porões da existência de Espírito e que é tracionado pelas sintonias entre ambos.

Tanto em um como em outro, no entanto, há fatores importantes que certamente são abandonados em nossa sempre “precisa” análise (julgamento) a respeito do próximo.

Ninguém é congelado em sua personalidade e tampouco estanca em sua evolução espiritual.

Todos progredimos de alguma forma e em algum grau.

Se no passado nosso desafeto errou, assim como nós, passou por provas e pode ter se libertado de posições equivocadas caminhando para a evolução. Assim, na atualidade já não tem a mesma posição que tinha antes. É de se esperar que esteja melhor do que antes e é preciso dar tempo ao tempo para observar sua postura real na atualidade.

Há muitos outros fatores a considerar, mas este é o mais evidente e talvez o mais significativo.

Sentir a situação do momento de quem quer que seja é tirar uma fotografia que representa exatamente isso: um momento. No instante seguinte tudo pode ter retomado seu curso habitual e o indivíduo já retoma sua postura mental adequada, mostrando ser alguém de boa índole.

A verdade é uma só, nessas situações: não devemos julgar com material para isso e tampouco sem material algum.

Cabe a Deus o julgamento de cada um de nós, só a Ele. Não a nós.

Faça ao próximo aquilo que gostaria que fizessem por você.



Elizabeth.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Falar ou não falar?





Mentir é pecado!

Bem, pelo menos é assim que se acredita ainda que funciona, pois há uma intensa impregnação de “pecados” na vida.

As crenças atávicas, carregadas por gerações, motivam os seres humanos a corrigirem suas posturas. Era a forma que se tinha para coibir as tendências que faziam e fazem parte da chamada “natureza humana”.

Pecado é, na essência, errar o alvo, fugir do objetivo que traz benefícios.

Pecado não é um atentado contra Deus. É cometer erros diante dos outros, diante da própria consciência.

É gerar uma sombra para a si mesmo, algo que irá acompanhar o “pecador” até que ele possa corrigir o erro e retomar a paz de espírito necessária para uma Vida produtiva.

Mas algumas vezes é preciso “pecar”!

E a omissão é o pecado efetivamente necessário para se preservar algo.

A mentira pode ser o recurso para se preservar toda uma estrutura.

Mas, mentir não é “pecado”?

Não, mentir é um equívoco.

Entretanto, mais uma vez, precisamos abalizar a questão da intenção.

Quando se mente ou se omite para preservar uma vida, uma relação, para se ganhar algum tempo, até que a informação correta possa ser colocada, a intenção pode ser nobre e produtiva.

Ainda assim, haverá alguma conseqüência em função da omissão ou da mentira praticada.

Sempre há resultado não positivo em função delas, da mentira ou da omissão, pois as duas são erros de objetivo.

Adequado é poder expressar aquilo que parece correto.

Mas nem sempre a situação permite que se despeje sobre as circunstâncias o que parece autêntico.

Nem sempre as pessoas estão habilitadas para ouvir, ver ou sentir objetivamente os fatos.

Muitas vezes é preciso florear, dar a volta, aliviar, enfeitar, parafrasear o que efetivamente esteja a acontecer.

Então dispor o que parece ser “verdade” requer cuidados, pois o problema não é ela, a “verdade”, são as pessoas que ainda não têm preparação para enfrentá-la.

Ganha-se um tempo, as coisas são colocadas de modo sutil, cautelosamente, sem efetivamente mentir, e no momento oportuno retira-se o véu que encobria a situação, clareando todo o quadro.

A Vida é assim: precisa que se desenvolva técnicas para bem-viver. Ninguém é dono da “verdade”.

Portanto, arvorar-se o direito de disparar a “verdade” por todos os cantos é dar-se a capacidade de ser dono dela. E ninguém é!

E ainda, por mais que se tenha certeza de qualquer coisa, é preciso muita cautela para se falar sobre tal convicção. Particularmente quando é provável que se gere comprometimento de muitas Vidas na experiência da Vida.



Ângelo Lúcio.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Carmas alheios





A sensibilidade humana é uma característica bastante curiosa quando se trata de avaliar o sofrimento dos outros.

Costumam as pessoas avaliar a dor dos outros e desenvolver no pensamento uma piedade inconsistente quando diante de pessoas que em verdade têm pouco a ver com a própria realidade usual.

Não que as pessoas que sofrem não sejam dignas de compaixão: pelo contrário! São, sim, dignas de compaixão.

Mas acontece que muitas vezes se tem a oportunidade de desenvolver este tipo de sensibilidade por pessoas que estão bem próximas, mas isso não acontece.

Ao contrário, é bem comum observar que quem mantenha convívio bem próximo não receba qualquer traço de compaixão.

Mesmo tendo algum familiar uma enorme carga de dor, a pessoa é tida a conta de cínica ou fingida.

Há uma referência de que deveríamos endurecer o relacionamento com os parentes mais próximos, para impedir que abusem da liberdade e se acomodem com as situações.

Há uma indisposição natural para com os doentes da família, que podem passar a ser verdadeiros obstáculos para o livre trânsito dos demais.

Entretanto esquecem os intolerantes que aqueles que estão mais próximos são verdadeiramente o produto de suas vidas anteriores e é exatamente com eles que precisam desenvolver a compaixão e não para com aqueles mais distantes, não só do núcleo familiar como do convívio habitual.

É preciso desenvolver a compaixão dentro do lar.

Dentro de casa.

Na vida familiar.

Para com os pais, com os filhos, com os irmãos, com os pares dos irmãos, com os sobrinhos, enfim, com quem esteja aí, ao seu lado.

E compaixão leva sistematicamente ao perdão.

Pois todos cometem falhas, sem exceção.

Ter compaixão de quem não conhecemos pode até ser um erro, já que as aparências iludem. E muito, muitas vezes.

Mas quem está aí ao seu lado, tem menor chance de lhe enganar.

Você já sabe quem é.

Sabe que não pode esperar mais do que a pessoa consegue oferecer.

Afinal, cada um dá apenas o que tem.

Cumpra com seu carma: este que está aí ao seu lado.

Os outros, ajude sempre que possível, mas sem abandonar o seu, que lhe diz respeito e que você precisa cumprir para seu próprio desenvolvimento e evolução.


Ângelo Lúcio

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Igualdade





Olhar para o mundo exige exercício de bom senso, afinal tudo pode parecer injustiça diante dos olhos inexperientes do ser humano que não é mais do que uma criança diante do Universo, se chegar a tanto.

O encadeamento das situações que as várias reencarnações determinam foge aos nossos sentidos e também à nossa compreensão, então vemos o que vemos com olhos muito limitados, embora julguemos ter condições de compreender o que assistimos e muitas vezes julgamos os fatos como justiça ou injustiça, dentro de nossa compreensão.

Mas vemos apenas o palco da vida e não temos acesso aos bastidores que compreendem à formação do enredo que vai se formando na teia do livre-arbítrio humano.

Tudo tem razões para acontecer, embora possa não parecer.

Tudo se encadeia nas ligações mentais, afetivas e na lei de causa e efeito.

Não há efetivamente nada de fortuito nos fatos do mundo, por mais casual que possa parecer.

O acaso não é capaz de formular sentenças para a Vida Eterna.

Assim como não foi capaz de construir o Universo.

Acima dele há uma inteligência superior que realmente não temos como compreender ainda.

Aos poucos, lentamente, vimos recebendo condições de entender melhor o que esteja ao nosso alcance.

Mas parece que a arrogância humana permanece dentro de nós e impede que possamos absorver melhor os necessários conceitos que devemos ter para sustentar nossa compreensão.

Dentro de nós há uma chave que pode nos auxiliar a compreender melhor os entraves, as tragédias, a maldade, o vínculo de muitos com o pernicioso e esta chave se chama Resignação.

É com ela que se pode conquistar a Fé

Não a Fé irracional, mas ao contrário, a Fé lógica que permite compreender para viver em Paz, em Harmonia, em Equilíbrio em busca do Amor Real, que todos precisamos desenvolver em nós.

Com Resignação afastaremos de nós as impressões equivocadas que costumamos ter diante dos problemas e, serenos, poderemos superar para conquistar a Vida em sua plenitude, entendendo que nada é “por acaso”, mas tudo tem uma justificativa que ainda foge ao nosso entendimento.


Lúcio da Paz

domingo, 25 de setembro de 2011

Técnicas modernas





Células-tronco são a esperança de muitas criaturas humanas, para recuperar melhores condições de vida.

Elas são realmente um importante avanço da medicina com o qual muitas portas poderão se abrir para muitos doentes, como os portadores de câncer, paralisias, doenças degenerativas das mais variadas.

As fontes de células-tronco podem, entretanto, gerar polêmicas, não somente pelas questões legais, mas particularmente por conta de circunstâncias morais que envolvem determinados processos técnicos.

A retirada destas células diretamente de embriões é o grande ponto de dificuldade para a ciência atual e é exatamente aí o foco dos debates para muitos cientistas.

Para o espírita, evidentemente esse ponto não é motivo para qualquer dúvida, pois sabe perfeitamente que ao se retirar material de um embrião, tira-se também sua vida.

Mas não há motivos para preocupação, afinal de contas temos outras fontes para obter esta qualidade de células que poderão auxiliar tanto.

A medula óssea e o cordão umbilical são duas fontes importantes para se ter tal recurso tecnológico, felizmente. Há, ainda, outros recursos que a medicina vem aperfeiçoando para reverter o processo de especialização celular, isto é, os cientistas conseguem em determinadas condições fazer com que células já diferenciadas retomem suas características primitivas, comportando-se como se fosse efetivamente uma célula-tronco.

Certamente a evolução da ciência permitirá que se alcance aprimoramentos efetivamente resolutivos, favorecendo a humanidade em aliviar dores e reduzir sofrimentos.

Todos os embates provocados por questões éticas e morais serão superados conforme a ciência se aproxime da perfeição e ao mesmo tempo de Deus.

Questão de tempo.


Vinicius

sábado, 24 de setembro de 2011

Tratamentos





O Espiritismo é uma Religião que serve de diretriz para se compreender a Vida de modo mais amplo do que se entende rotineiramente.

Ele nos serve a todos, como excelente servidor que nutre os corações para o alívio e distinção das Almas doloridas nas provas mais variadas.

Abre os olhos para a compreensão das Eternas Verdades que estão sob nosso olhar admirado por conta do êxtase da surpresa diante de novidades que na verdade são muito antigas.

A reencarnação e a mediunidade são as motivações fundamentais para se envolver cada vez mais profundamente com a Doutrina Espírita, abençoada linguagem do Cristo nos tempos modernos.

Procurar a mediunidade, entretanto, nem sempre é buscar o Espiritismo.

Há muitas manifestações dela por todo o mundo, independente do credo a que se dedicam as pessoas.

Nem todo espírita é médium ostensivo e nem todo médium é espírita.

As buscas daqueles que sofrem de doenças da alma e do organismo são constantes e em todo Planeta e de todos os tempos.

Por isso, muitas vezes, temos notícias de médiuns fantásticos que promovem curas em grande escala em todos os tempos da história da humanidade. Desde os mais remotos tempos lembrados.

Falamos aqui da mediunidade mais celebrada pelas pessoas adoecidas: a mediunidade de cura.

Médiuns desta especialidade coabitam conosco a Vida terrena desde todos os tempos.

São, sempre, emissários do alto capacitados para distribuir bênçãos para quem os procure, por acréscimo de Bondade do Alto.

Mas nem todos os médiuns curadores têm conduta ilibada, infortunadamente.

Reencarnam com um propósito, mas suas convicções distorcidas sobre a experiência reencarnatória transformam-os em depositários de expropriação dos bens alheios. Não somente os bens perecíveis da Terra, mas também os imperecíveis bens da Vida Eterna, como a esperança por exemplo.

Submetem grande número de criaturas aos seus caprichosos desejos declarando que elas devem seguir modelo tal de conduta imprópria para sua melhoria ou mesmo cura dos processos pelos quais esteja passando em função de suas provas.

É o caso de médiuns que afastam doentes de tratamentos médicos ou psicoterápicos por conta de uma crença de que apenas o tratamento espiritual é o suficiente para dar conta do seu quadro clínico.

Ou ainda a situação delineada por aqueles que aplicam terapêuticas incoerentes gerando expectativas em corações aflitos, que não serão atendidos certamente.

O fanatismo e a vaidade são os focos dos mais importantes que determinam este tipo de postura nestes casos.

O médium impregna em sua vida o seu exclusivismo, sua personalidade tombada no egoísmo espelha sua puerilidade espiritual e denuncia as fraquezas das quais ainda em portador na atual reencarnação.

São os chamados falsos profetas, Espíritos pseudo-sábios que querem para si os louros da glória que em verdade não nos pertence, pois toda mediunidade é oportunidade de reparação atribuída à criatura humana por acréscimo de bondade designada por Jesus.

Os médiuns são emissários do Cristo e deveriam considerar a postura correta ética e moralmente falando, por menos que aceitassem a importância do Cristo em nossas vidas.

Aqueles que seguem ao Divino Mensageiro reduzem a carga de riscos e elevam as possibilidades de acertos.

Aqueles outros que guardam para si as aspirações de glórias indébitas aumentam a margem de erro e multiplicam os débitos para o futuro.

Por isso que podemos afirmar que a mediunidade só é correta quando praticada em consonância com o Evangelho do Cristo Jesus.


Alva Luzia

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Biografias do Espiritismo




Eusápia Paladino foi a primeira médium de efeitos físicos a ser submetida a experiências pelos cientistas da época, tais como César Lombroso, Alexandre Aksakof, Charles Richet e muitos outros.

Nasceu em Nápoles, Itália, em 31 de janeiro de 1854, e desencarnou em 1918, com a idade de sessenta e quatro anos.

Sua mãe morrera quando ela nasceu e o pai quando ela alcançou a idade de doze anos.

As primeiras manifestações de sua mediunidade consistiram no movimento e levitação de objetos, quando ainda muito jovem, pois contava apenas quatorze anos. Esses fenômenos eram espontâneos e se verificavam na casa de um amigo com quem ela morava. Somente aos vinte e três anos é que, graças a um espírita convicto, Signor Damiani, ela conheceu o Espiritismo.

Por volta do ano 1888 é que Eusápia tornou-se conhecida no mundo científico em virtude de uma carta do Prof. Ércole Chiaia enviada ao criminalista César Lombroso, relatando detalhadamente as experiências já realizadas por ele com a médium, carta essa publicada no jornal "Il Fanfulla dela Domênica".

Entre outras coisas, dizia o missivista:

"A doente é uma mulherzinha de modestíssima condição social, com cerca de trinta anos, robusta, iletrada e cujo passado, porque vulgaríssimo, não merece esquadrinhado; que nada apresenta de notável, a não ser as pupilas de fascinante brilho e essa potencialidade, que os criminalistas diriam irresistível."

Em outro trecho da carta , dizia:

"Quando quiserdes, essa mulherzinha será capaz de, encerrada numa sala, divertir durante horas, por meio de surpreendentes fenômenos, todo um grupo de curiosos mais ou menos céticos, ou mais ou menos acomodatícios".

Através dessa carta, convidava, também, o célebre alienista, a investigar, diretamente, os fenômenos por ele constatados na médium.

Três anos mais tarde, em 1891, Lombroso aceitou o convite, realizando, com Eusápia, uma série de sessões. Esses trabalhos foram seguidos pela Comissão de Milão, integrada pelos professores Schiaparelli, diretor do Observatório de Milão; Gerosa, Catedrático de física; Ermacora, Doutor em Filosofia, de Munique, e o prof. Charles Richet, da Universidade de Paris. Além dessas sessões, muitas outras foram realizadas, com a presença de homens de ciência, não só da Europa, como também da América.

Lombroso, diante da evidência dos fatos, converteu-se ao Espiritismo, tendo declarado:

"Estou cheio de confusão e lamento haver combatido, com tanta persistência, a possibilidade dos fatos chamados espíritas."

A conversão de Lombroso deveu-se também ao fato de o Espírito de sua mãe haver-se materializado em uma das sessões realizadas com Eusápia.

Antes de encerrarmos esta ligeira exposição sobre a preciosa mediunidade de Eusápia Paladino, convém citarmos um trecho do relatório apresentado pela Comissão de Milão que diz:

"É impossível dizer o número de vezes que uma mão apareceu e foi tocada por um de nós. Basta dizer que a dúvida já não era possível. Realmente, era uma mão viva que víamos e tocávamos, enquanto, ao mesmo tempo, o busto e os braços da médium estavam visíveis e suas mãos eram seguras pelos que achavam a seu lado."

Como se vê, a Comissão que ofereceu este relatório era constituída por homens de ciência, o que não deixa dúvida quanto à veracidade dos fenômenos por eles constatados.

O prof. Charles Richet, em 1894, também realizou várias sessões experimentais em sua própria casa, obtendo levitações parciais e completas da mesa, além de outros fenômenos de efeitos físicos.

Sir Oliver Lodge, prof. de Filosofia Natural do Colégio de Bedford, Catedrático de Física da Universidade de Liverpool, Reitor da Universidade de Birmingham, e que foi, também, por longos anos, presidente da Associação Britânica de Cientistas, após as experiências realizadas com Eusápia, apresentou um relatório à Sociedade de Pesquisas da Inglaterra, dizendo, entre outras coisas, o seguinte:

"qualquer pessoa, sem invencível preconceito, que tenha tido a mesma experiência, terá chegado à mesma larga conclusão, isto é, que atualmente acontecem coisas consideradas impossíveis... O resultado de minha experiência é convencer-me de que certos fenômenos geralmente considerados anormais, pertencem à ordem natural e, como um corolário disto, que esses fenômenos devem ser investigados e verificados por pessoas e sociedades interessadas no conhecimento da natureza".

Eis aí, em linhas gerais, o que foi a excepcional mediuni-dade de Eusápia Paladino, figura de destaque na história do Espiritismo, que veio à Terra para cumprir a sublime missão de demonstrar a sobrevivência do Espírito, após a desencarnação.

Novos caminhos





Ninguém reencarna para errar.

Embora carreguemos conosco o lastro de muitas vidas, quando estamos vivenciando a experiência terrena o fazemos para conquistar melhores condições para nós mesmos.

As tendências naturais precisam ser corrigidas em todas as ocasiões.

Na vida em família temos as maiores oportunidades para adquirir conquistas positivas.

Na vida profissional as ocasiões de desenvolver responsabilidades a conhecimento.

Na vida escolar situações para o convívio com afetos e desafetos do passado e do presente, para transformá-los em amigos para o futuro.

Na vida social possibilidades para ampliar horizontes e gerar ainda mais oportunidades para a construção do caminho.

Ainda que guardemos conosco as impressões e as tendências que fazem parte de nossa persona, precisamos ter em mente sempre o desprendimento dos equívocos e a conquista da liberdade.

A jornada é sempre repleta de obstáculos, independente de credo, raça, origem, posição social ou oportunidade de conhecimento.

Então é saudável fazer dela uma nova caminhada que conduza ao equilíbrio e à harmonia, afastando qualquer posicionamento que mantenha os hábitos antigos destrutivos ou que venha a levar a novos posicionamentos não construtivos.

A renovação é a melhor de todas as possibilidades. Principalmente se ela nos conduz para a sensação de serenidade e liberdade.

Façamos o máximo possível para afastar condições sombrias de nossas mentes e enriqueçamos o íntimo com possibilidades mais nobres voltadas para o Bem.

Sigamos nossos melhores instintos no cotidiano para que tenhamos cada vez mais possibilidades de encontrar a Paz de Espírito.

Nem o egoísmo, nem o orgulho e tampouco a vaidade são capazes de nos fazer felizes.


Alva Luzia

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Lealdade





Alguns detalhes fazem toda a diferença quando o assunto é amizade.

Lealdade faz parte do dicionário dos amigos e precisa ser utilizada com freqüência do relacionamento entre eles.

Nada de revelar minudências ou particularidades de um amigo a quem quer que seja.

Discrição é parceira da lealdade e impede que se perca a razão no convívio com outras pessoas ligadas à mesma amizade.

Companheirismo faz parte da estrutura de um relacionamento e eleva a condição a um patamar mais elevado, favorecendo o auxílio nos momentos de dificuldade.

Encorajamento é receita para esses momentos também e ampara o amigo em dor ou sofrimento.

Diante de um amigo com problemas seja positivo e construtivo.

Nem sempre a verdade crua pode ser colocada e precisa ser colocada de modo ameno, para não gerar ainda mais sofrimento.

A sabedoria nas palavras é excelente companheira que pode amparar , consolar, encorajar e dar segurança.

O amigo leal ama e não constrange, entrega-se sem nada cobrar em troca e dedica-se integralmente sempre que necessário.

O amigo verdadeiro é como um irmão que está ao lado na hora da alegria e junto na hora da dificuldade.

A solidariedade é fundamental. A dignidade sempre é recurso de engrandecimento de uma amizade.

Assim, amigos são amigos na construção de uma vida, partindo principalmente da lealdade.


Alva Luzia

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Gentileza cristã




Dizem que o espírita é o “exemplo” de postura diante da Vida.

Mas nem sempre testemunhamos este dito comum.

Algumas vezes encontramos seareiros em situações que poderiam ser evitadas.

Quando chamados ao testemunho perdem-se afoitamente e desarvoram-se em palavrório continuado demonstrando a falta de base cristã em seus corações.

Diante de uma provocação partem para respostas ostensivas ignorando os ensinamentos evangélicos.

Convidados ao trabalho declarativo, na propagação doutrinária, personalizam o teor das mensagens, esquecidos dos fundamentos ensinados relativos às questões de cunho ético.

No trabalho mais intenso, quando a participação em grupo é fundamental, esquivam-se convenientemente para comparecer quando tudo está pronto.

Ao presenciar o equívoco de companheiro nas lides espíritas entusiasticamente divulga o erro alheio, como se fosse portador de autoridade moral inatacável.

Alguns desses irmãos têm dentro do Centro Espírita uma postura bastante respeitável e fraterna, mas ao chegarem ao lar derramam postura ditatorial, com imposição de intolerância e incompreensão diante dos familiares.

Enfim, atitudes ambíguas que esquecem o maior de todos os propósitos do Espiritismo: a verdadeira transformação íntima.

O aspirante a espírita precisa mudar de atitude diante da Vida e permitir-se mudar para melhor a cada dia, dando efetivamente exemplos para as demais pessoas que ainda não conhecem esta proposta.

Seja você também um bom exemplo diante dos demais, seguindo as diretrizes doutrinárias de acordo com o que Jesus nos ensinou em seu Evangelho.

Mostre para todos, principalmente os que já são espíritas, como o espírita deve se comportar.


Alva Luzia

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Morte




Pessoas que se encontram com doenças chamadas irreversíveis, sem retorno, sem volta, enfrentam o problema situando-se como quem está submetido a uma sentença de morte, como quem está indo para o cadafalso, preparando-se para a forca ou para o muro para a execução.

Podemos encarar que a vida nestas circunstâncias poderá efetivamente ser esvaída e terminada, mas não podemos esquecer de que ao despertarmos para ela, no nascimento, já estamos certamente nos preparando para a morte.

Morrer, portanto, faz parte da Vida, naturalmente, sem que sequer se pense nisso, mas ela está ali, a morte, ao nosso lado, acompanhando cada momento, cada situação.

Não zombeteira e enfrentando nossa mente de modo ostensivo, mas simplesmente acompanhando, por fazer parte da evolução de qualquer ser vivente, impermanente como nós, aqui na Terra.

A morte não nos desafia. Nem mesmo nós a desafiamos. Ela simplesmente faz parte do processo evolutivo de cada um.

Somos, sim, imperecíveis, mas não por conta deste corpo que habitamos durante uma das nossas inúmeras reencarnações.

Somos Espíritos que preexistimos ao corpo e permaneceremos após ele, ainda que não consigamos crer nisso, pois este é o fato.

Então, encarar uma doença instransponível como sendo uma sentença de morte, um castigo, um fim, um término desgastante, é algo insensato, pois não há fim, não há término, nada se acaba e tudo tem continuidade.

Encare-se como você é: um Espírito. Imortal. Que não tem sua origem na carne, ao contrário! Você vem do mundo espiritual, você é do mundo invisível a este do qual está fazendo parte neste momento.

E deverá voltar à sua origem, queira ou não.

Morrer não é castigo, em qualquer circunstância que seja, jovem ou idoso, sadio ou doente, branco ou negro, bandido ou honesto, pobre ou rico. Morrer é da lei universal e não há como fugir deste fato.

Viva com realidade e intensamente, da melhor maneira que possa, para que seu aprimoramento enquanto Espírito aconteça o máximo possível. Não pense na morte como um castigo, uma pena, algo destrutivo. Encare-a como ela é: uma passagem para a Vida Real.


Albino.

domingo, 18 de setembro de 2011

Higienização do Lar




Nosso Lar é nosso refúgio bendito.

Mas pode se transformar em local de contendas e desequilíbrio.

Os pensamentos de todos.

Os anseios de cada um.

As frustrações que se pode enfrentar.

As necessidades pessoais iminentes.

Podem gerar um campo de batalha onde deveria ser um campo da Paz.

O hábito de gerar vibrações que amenizam.

Que sensibilizam e harmonizam.

É proposta feliz para a busca do equilíbrio de todos.

Nenhum recurso é mais adequado do que a prática da leitura do Evangelho no Lar.

Em alto e bom tom de voz.

Para que possam escutar os encarnados e os desencarnados.

Cultivando a educação do Amor trazida por Jesus.

Ao recitar as expressões do Senhor até a mais dura das almas vai progressivamente se deixando conduzir.

Vai aos poucos congregando com as propostas da gentileza, da boa-vontade, do amor ao próximo, do respeito para com aqueles com quem conviva.

Permite, então, que aconteça o que precisa acontecer: sua renovação para o Amor.

E mesmo que pareça inadequado, é a melhor de todas as ferramentas que pode começar uma verdadeira conversão em qualquer dos redutos da Terra, por mais humilde que seja, a se transformar de um local de contendas em um reduto do Amor.

Alva Luzia.

sábado, 17 de setembro de 2011

Adoção





Há quem venha à Terra para não gerar filhos.

Pode parecer um enorme castigo, mas na verdade é uma forma de se resgatar equívocos cometidos no passado.

Nem vale a pena se prender neste passado, entretanto. Se valesse, certamente recordaríamos de modo espontâneo, naturalmente.

Como em qualquer prova da Vida, é necessário a resignação diante desta prova.

Mais que isso: é preciso que se compreenda que há uma oportunidade enorme de se recuperar algo de dentro de si.

E uma das ferramentas mais apropriadas para isso e a prática do Amor.

Afinal de contas é uma oportunidade de muito valor para estender o amor para além da própria organização física.

O casal impossibilitado de gerar uma criança poderá adotar a criança sem lar.

Declarar seu amor a alguém que não seja parte de sua família consanguínea.

Abraçar uma causa de alguém que tenha outra prova, como por exemplo, não ter os pais para que possa cuidar.

Existe uma série enorme de possibilidades neste campo, mas certamente não se pode esquecer de que nesta pequena parcela de casos citados é um gesto de caridade acomodar um coração aflito no seio do lar.

Adoção é sempre um gesto de amor.

Há quem adote inclusive tendo filhos consanguíneos.

Haverá quem relute nesta proposta.

Mas que é um ato de elevação da Alma, não há dúvida.


Bia Orantas.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Acreditar

Santo Agostinho




Sempre temos alguém próximo que “em nada acredita”, que “não acredita em Deus” e que é “muito prático com relação às coisas da vida”.

Não é realmente uma situação incomum e, talvez até a gente mesmo pode já ter passado por alguma “fase” assim.

Afinal, em alguns momentos da vida, parece que está realmente tudo dando errado.

Quando a mente da gente fica neste estado geralmente há duas formas que se pode observar para compreender o que está acontecendo.

Ou a confusão de pensamentos é tão pronunciada que não se pode sequer pensar em Deus...

Ou endurecemos a forma de pensar e afastamos aquilo que nos pareça “ilógico” e que “demonstre que estamos jogados na vida mesmo”...

Bom, qualquer das duas posturas é equivocada, embora a segunda seja realmente a mais difícil, pois envolve a revolta contra as próprias forças.

Mas tem gente que simplesmente é assim mesmo: “não acredita em nada”!

Já desde pequeno, quando começam a correr os pensamentos a formação do caráter demonstra tratar-se de um Espírito mais, digamos, “lógico”. E esta situação é muito comum hoje em dia, por termos grande número de encarnados que são velhas Entidades na experiência da vida material.

Rebeldes, insatisfeitas e se debatendo contra as dificuldades que elas próprias criaram em vidas passadas, guardam dentro de si uma postura mais que defensiva com relação ao Criador. É uma atitude de rejeição, mesmo. Então, por conta da inata condição de inteligência adquirida no correr das experiências anteriores e com certa lucidez justamente por conta dela, colocam-se com alguma impermeabilidade diante da Vida.

Irão precisar passar por dificuldades para compreender que a Vida é muito mais do que esta passagem efêmera de apenas uma encarnação.

Mas, por outro lado, pode-se conviver com “ateus convictos” que têm uma postura muito curiosa.

Estas pessoas “do bem” não aceitam a Deus, mas têm uma atitude correta diante de todos, diante da Vida, das dificuldades e das conquistas. São pessoas que agem de acordo com princípios morais muito bem instalados em suas mentes serenas. São “ateus”, mas agem muito melhor do que muitos cristãos espalhados pela Terra.

Esses irmãos trazem consigo, de outras experiências, o desconsolo vivenciado pela desilusão causada por outras pessoas em círculos religiosos. A vivência fora tão dura que sua mente carrega consigo certa aversão pela questão da religiosidade. Desta maneira, implicitamente, de forma inata, transfere a questão da religiosidade para o ateísmo. Mas mesmo assim é mais acertado em termos éticos e morais do que outras pessoas que transitam pelos ambientes religiosos em curso de aprendizado.

Podem, inclusive, servir de exemplo para estes de nós que estamos cultivando a crença religiosa mas ainda falhamos na proposta de compreender realmente a essência de qualquer religião que é a proposta do amor.


Bia Orantas

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Sonhos





É algo fascinante o mundo dos sonhos para qualquer pessoa, sem qualquer duvida!

Muitos vivem para eles e por eles, de tal modo que se permitem interpretá-los, fazendo conexões vivas entre a realidade da vida e as lembranças referentes a eles.

Os mecanismos intrínsecos do sono estão extremamente distantes, entretanto, de serem compreendidos.

Há quem arrisque uma compreensão maior a respeito deste verdadeiro universo que os sonhos nos trazem com muita frequência, mas, em verdade, mesmo as teorias mais complexas não conseguem trazer à tona os fatos reais a respeito da liberdade do Espírito durante o ato de dormir do corpo físico.

As circunstâncias são de tal dimensão complexas, que mesmo André Luiz, desencarnado e habitando em Nosso Lar, relata ter dormido e sonhado.

Como abstrair a realidade de algo tão impalpável?

Certo que alguns deles sejam efetivamente premonitórios, mas em qual percentagem são realmente verdadeiros? Será que as premonições dos sonhos refletem mesmo algo real?

Como fazer para distinguir o real do surreal, quando se trata de um sonho?

Como viver a vida de relação, esta que temos habitualmente, conectados às perspectivas impregnadas por uma realidade espiritual ou a imagens desprendidas pelas estruturas mais profundas da mente, que nem mesmo temos como saber se têm algo de tácito?

Onde, em qual fonte, buscar a verdade sobre os sonhos, se nem mesmo a realidade sobre a Vida nós conseguimos alcançar de fato?

É imperioso viver a vida real e acompanhar sonhos, mas sem ter ligações mais profundas com este “lugar” ainda obscuro para a compreensão humana.

Quando tivermos mais lucidez espiritual, iremos adquirindo condições progressivamente mais adequadas para compreender e diferencias as reais vivências espirituais experimentadas nos sonhos das interferências cerebrais para com a mente de cada um de nós.

Para adquirir tal lucidez ainda teremos uma jornada relativamente longa, portanto, não devemos nos apressar. Enquanto isso, os sonhos são apenas sonhos, nada mais do que isso.

E a Vida é a Vida: a oportunidade de progredir no máximo de aspectos que possamos, para obtermos cada vez mais esclarecimentos, até alcançarmos a máxima consciência que possamos pela permissão Divina e não podemos prescindir de cada momento, de cada oportunidade.

Então... sonhou? Deixe o sonho arquivado e viva sua Vida com toda sua energia.


Vinicius

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Prisões





O homem anseia por liberdade continuamente e quando se sente aprisionado se debate de modo constrangedor.

Não é para menos, afinal, a liberdade é um fator dos mais importantes para que cada um possa dar diretriz para a própria vida, permitindo conquistar conhecimento e bens materiais, além de facilitar o intercâmbio entre as pessoas, enriquecendo as experiências de cada um na somatória da vida.

Entretanto seria interessante cada pessoa interrogar a si mesmo o que pode fazer com a liberdade eventualmente conquistada.

Adquirir autonomia material e poder financeiro gera a possibilidade de se fazer muitas coisas no mundo. Muitas coisas mesmo!

Se tal autonomia vem acompanhada da juventude, fazemos um périplo de aprendizado, muitas vezes acompanhado de algum sofrimento, em decorrência das escolhas feitas, pois a juventude ilude e faz com que a pessoa pense saber o que faz, embora ainda não tenha a necessária experiência para tomar certas decisões.

Aí é um exemplo no qual a liberdade pode gerar problemas dos mais variados tipos e o mais curioso é que jovem, o adulto jovem, livres eventualmente, podem acabar por gerar um aprisionamento em decorrência das atitudes tomadas, com ou sem recursos materiais, simplesmente por conta de suas escolhas.

A permissividade dos tempos atuais com relação às drogas tem produzido prisões para a juventude que têm as grades muito firmes e impeditivas de se ter novamente a liberdade em tempo hábil, habitualmente é claro, para se retomar a vida com normalidade.

Às vezes porque a pessoa se torna dependente de tal forma, que absolutamente consegue perceber a própria situação.

A fissura pela droga é incapacitante para a realidade, não permitindo racionalizar a própria dificuldade, isto é, não há a real percepção sobre a necessidade de se libertar novamente.

A criminalização do indivíduo o transforma em refém de si mesmo e o leva para o degredo social, ainda que ele julgue estar no domínio da situação, o que dificulta ainda mais sua situação.

Enfim, a liberdade se foi por conta das escolhas feitas.

Há inúmeras justificativas para que este quadro seja compreendido, como a ausência da família, a facilidade com que se encontra drogas lícitas e ilícitas, mas nada, absolutamente nada disso autentifica escolhas equivocadas para coisas que quem já tenha alguma lucidez sabe que prejudicam.

Mesmo crianças de oito, dez, doze anos já sabem que drogas fazem mal. Já têm algum grau de livre arbítrio, já podem distinguir o certo do errado e podem escolher mais adequadamente.

Entretanto o sonho da liberdade, a ilusão de ser livre, autônomo, poderoso, forte e superior às demais pessoas levam o ser humano a se aprisionar nas teias dos equívocos, das quais é muito complexo se ver livre novamente.


Vinicius

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Biografias do Espiritismo




Cairbar de Souza Schutel


No dealbar do século XX, quando eram ensaiados os primeiros passos no grandioso programa de divulgação do Espiritismo, e quando a Doutrina dos Espíritos era vista como uma novidade que vinha abalar os conceitos até então prevalecentes sobre a imortalidade da alma e a comunicabilidade dos Espíritos, dentre os pioneiros da época, surgiu um vulto que se destacou de forma inusitada, fazendo com que a difusão da nova Doutrina tivesse uma penetração até então desconhecida.

O nome desse seareiro era Caírbar de Souza Schutel, nome esse que se impôs, em pouco tempo, ao respeito e consideração de todos. Ele jamais esmoreceu no propósito de fazer com que a nova revelação, que vinha fazer o mundo descortinar novos horizontes e prometia restaurar, na Terra, as primícias dos ensinamentos legados por Jesus Cristo quase vinte séculos antes, pudesse conquistar os corações dos homens, implantando-se na face do nosso planeta como uma nova força cujo objetivo básico era de extirpar o fantasma do materialismo avassalador.

Biografar um vulto dessa estirpe não é fácil tarefa, uma vez que as suas atividades não conheciam limitações nem eram bitoladas por conveniências de grupos ou de pessoas. Conseqüentemente, tudo aquilo que se disser sobre Caírbar Schutel não passa de uma súmula muito apagada de uma vida cheia de lutas, de percalços e sobretudo de ardente idealismo.

Caírbar de Souza Schutel, aos nove anos de idade, ficava orfão de pai e, seis meses após, de mãe. Seu avô, Dr. Henrique Schutel, interessou-se pela sua educação, matriculando-o no Colégio Nacional, depois Colégio D. Pedro II, onde estudou durante dois anos.

Animado de novos propósitos, abandonou os estudos e a casa do avô, passando a trabalhar como prático em farmácia, o que fez com que, aos 17 anos de idade já se tornasse respeitável profissional desse ramo. Nessa época abandonou a antiga Capital Federal e rumou para o Estado de S. Paulo, onde se localizou primeiramente em Piracicaba e logo após em Araraquara e Matão. Esta última cidade era então um lugarejo muito singelo, com poucas casas e dependendo quase que exclusivamente do comércio de Araraquara, a cujo município pertencia.

Nessa humilde cidade, Caírbar Schutel acalentou o propósito de servir à coletividade, o que fez com que batalhasse arduamente para que Matão subisse à categoria de Município. Conseguindo colimar esse desiderato, foi eleito seu primeiro Prefeito. Homem dotado de ilibado caráter, de ampla visão e de grande humildade, conseguiu conquistar os corações de todos. Na política não enfrentava obstáculos. Deve-se a ele a edificação do prédio da Câmara Municipal, o que fez com seus próprios recursos financeiros.

A política, no entanto, não era o seu objetivo, por isso, tão logo ele teve a sua Estrada de Damasco, representada pela sua conversão ao Espiritismo, abandonou esse campo, passando a dedicar-se inteiramente à nova Doutrina.

Conheceu o Espiritismo através de Manoel Pereira do Prado, mais conhecido por Manoel Calixto, que na época era um dos poucos e o mais destacado espírita do lugar. Embora não sendo profundo conhecedor dos princípios básicos da Codificação Kardequiana, Manoel Calixto conseguiu impressionar o futuro apóstolo, com uma mensagem mediúnica de elevado cunho espiritual, recebida por seu intermédio.

Em seguida a esse episódio, Caírbar integrou-se no conhecimento das obras fundamentais da Doutrina Espírita e, tão logo se sentiu compenetrado daquilo que ela ensina, fundou, no dia l5 de julho de 1904, o primeiro núcleo espírita da cidade e da zona, denominando-o "Centro Espírita Amantes da Pobreza".

Não satisfeito com essa arrojada realização, no mês de agosto de 1905, lançou a primeira edição do jornal "O Clarim", órgão esse que vem circulando desde então e que se constituiu, de direito e de fato, num dos mais tradicionais e respeitáveis veículos da imprensa espírita.

Numa época quando pontificava verdadeira intolerância religiosa e quando o Espiritismo e outras religiões sofriam o impacto da ação exercida pela religião majoritária, Caírbar Schutel também teve o seu Calvário: um sacerdote reacionário e profundamente intolerante, resolveu promover gestões no sentido de fechar as portas do Centro Espírita, usando como arma ardilosa uma campanha persistente no sentido de fazer com que a farmácia de Caírbar fosse boicotada pelo povo.

Com o apoio do delegado de polícia, conseguiu deste a ordem para o fechamento do Centro onde se difundia o Espiritismo. Caírbar Schutel, no entanto, não era dos que se intimidam e, contra o padre e o delegado, levantou a barreira da sua autoridade moral e da sua coragem. A ordem do delegado não foi respeitada por atentar contra a letra da Constituição Federal de 1891, e o valoroso espírita foi à praça pública protestar contra tamanho desrespeito. O padre, não tolerando aquela manifestação promovida por Caírbar, também promoveu uma passeata de desagravo. Outros sacerdotes, nessa época, já estavam em Matão, apregoando a necessidade de se manter o "herético" circunscrito, de nada se adquirirem sua farmácia, e, sobretudo proibindo a todos a freqüência ao Centro Espírita.

Em face da tremenda pressão exercida, Caírbar anunciou que falaria ao povo em praça pública, refutando ponto por ponto todas as acusações gratuitas que lhe eram atribuídas pelos sacerdotes. O delegado proibiu-o de falar. Caírbar não acatou a proibição do delegado e, estribando-se na Constituição, dirigiu-se para a praça pública, falando aos poucos que, não temendo as represálias do padre, tiveram a coragem de lá comparecer. Este, por sua vez, expressou a idéia de que, se a liberalíssima Constituição brasileira permitia esse direito a Caírbar, a Igreja de forma alguma consentiria e, aliciando um grupo de homens fanatizados, marchou para a praça pública, cantando hinos e cantorias fúnebres, portando, além disso, vários tipos de armas. O objetivo da procissão noturna era de abafar a voz do orador e atemorizar o povo.

Essa barulhenta manifestação provocou a repulsa de algumas pessoas cultas da cidade, as quais, dirigindo-se à praça, pediram a aquiescência do orador para, de público, manifestarem a desaprovação àquelas manifestações e responsabilizando o padre pelas conseqüências danosas daquele desrespeito à Carta Magna, afirmando que o orador tinha todo o direito de falar e de se defender. Diante dessa reação, o padre ficou assombrado e decidiu dispersar os acompanhantes, o que possibilitou a Caírbar prosseguir na defesa dos seus direitos e dos seus ideais.

Caírbar sabia ser amigo até dos seus próprios inimigos. Sempre inspirava simpatia e respeito. Sempre feliz no seu receituário, tornou-se, dentro em pouco, o Médico dos Pobres e o Pai da Pobreza, de Matão. Além de prescrever o medicamento, ele o dava gratuitamente aos necessitados. Sua residência tomou-se um refúgio para os pobres da cidade. Muitas pessoas eram socorridas pela sua generosidade. Muitos recebiam socorros da mais variada espécie, em víveres, em roupas e sobretudo assistência espiritual.

O sentimento de amor ao próximo teve nele incomparável paradigma. Estava sempre solícito e pronto para socorrer um enfermo ou um obsediado. Atos de renúncia e de desapego eram comuns em sua vida. Sua residência chegou a ser transformada em hospital de emergência para doentes mentais e obsediados. Em vista do crescente número de enfermos, em 1912 alugou uma casa mais ampla, na qual tratava com maiores recursos e com mais liberdade todos aqueles que apelavam para a sua ajuda fraternal.

No dia 15 de fevereiro de 1925, lançou o primeiro número da "Revista Internacional de Espiritismo", órgão que desde então vem circulando sem solução de continuidade.

Quando foi rasgada a Constituição ultra-liberal de 1891, Caírbar Schutel foi à praça pública apoiando a Coligação Nacional Pró- Estado Leigo, entidade fundada no Rio de Janeiro pelo Dr. Artur Lins de Vasconcelos Lopes. Nesse propósito combateu sistematicamente a pretensão, esposada por alguns grupos, de se introduzir o ensino religioso obrigatório nas escolas. Certa vez programou uma reunião num cinema de cidade vizinha para abordar esse tema. Na hora aprazada ali estavam apenas alguns dos seus amigos, dentre eles José da Costa Filho e João Leão Pitta. Caírbar não se perturbou. Mandou comprar meia dúzia de foguetes e soltou-os à porta do cinema. Daí a 20 minutos o recinto estava repleto.

Foi pioneiro no lançamento de programa espírita pelo rádio, pois em 1936 inaugurou, pela PRD- 4 -- Rádio Cultura de Araraquara, uma série de palestras que mais tarde publicou num volume de 206 páginas.Como jornalista escreveu muito. Durante muito tempo manteve uma secção de crônicas e reportagens no "Correio Paulistano" e na "Platéia", antigos órgãos da imprensa leiga.

Sua bibliografia é bastante vasta, dela destacamos as seguintes obras: "Espiritismo e Protestantismo", "Histeria e Fenômenos Psíquicos", "O Diabo e a Igreja", "Médiuns e Mediunidade", "Gênese da Alma", "Materialismo e Espiritismo", "Fatos Espíritas e as Forças X", "Parábolas e Ensinos de Jesus", "O Espírito do Cristianismo", "A Vida no Outro Mundo", "Vida e Atos dos Apóstolos", "Conferências Radiofônicas", "Cartas a Esmo" e "Interpretação Sintética do Apocalipse".

Fundou também a Empresa Editora "O Clarim", que passou a editar livros de outros autores. Caírbar Schutel foi um homem de fé, orador convincente, trabalhador infatigável, dinâmico, realizador e portador dos mais vivificantes exemplos de virtude cristã.

Todo homem sábio é sereno.





A serenidade é conquista que se consegue com o esforço pessoal, passo a passo.

Pequenos desafios que são superados; irritações que conseguimos controlar; desajustes emocionais corrigidos; vontade bem direcionada; ambição freada, são todas experiências para a aquisição da serenidade.

Um espírito sereno, é aquele que já se encontrou consigo próprio, sabendo exatamente o que deseja da vida.

A serenidade harmoniza, exteriorizando-se de forma agradável para os que estão à volta. Inspira confiança, acalma e propõe afeição.

O homem que consegue ser sereno já venceu grande parte da luta.

Assim, não permita que nenhuma agressão exterior lhe perturbe, causando irritação e desequilíbrio.

Procure manter a serenidade em todas as realizações.

A sua paz é moeda arduamente conquistada, que você não deve atirar fora por motivos irrelevantes.

Os tesouros reais, de alto valor, são aqueles de ordem íntima, que ninguém toma, que jamais se perdem, e sempre seguem com você.

Quando esteja diante de alguém que engana, traindo a sua confiança, o seu
ideal, procure manter-se sereno.

O enganador é quem deve estar inquieto, e não a sua vítima.

No seu círculo familiar ou social, você sempre irá se defrontar com pessoas perturbadas, confusas e agressivas.

Não se desgaste com elas, competindo nas faixas de desequilíbrio em que se fixam. Elas são um teste para a sua paciência e serenidade.

Procure manter-se sempre em contato com o alto, através da prece e em contato consigo mesmo, buscando continuamente compreender as situações que a vida lhe apresenta, enxergando-as como oportunidades, e não como crises.

Quem consegue manter a serenidade diante das pequenas dificuldades que surgem, vence
mais facilmente os grandes desafios.

O homem sereno consegue viver mais feliz, pois nada parece afligí-lo a ponto de fazê-lo desistir dos sonhos que traçou para si mesmo.

O homem sereno jamais busca resolver suas questões através de comportamento violento, e por isso há mais paz em sua vida.

A serenidade que Jesus mantinha em seu coração era algo sublime.

Poucos eram aqueles que não se emocionavam em sua presença, pois esta virtude se exteriorizava pelo olhar tranqüilo e profundo; irradiava pelo semblante carinhoso e pacífico; emanava pelas palavras ditas com tanto amor, que pareciam beijar e abraçar aqueles que as ouviam.

Poucos foram aqueles que não tiveram seus olhares inundados, por estarem na companhia do espírito mais sereno que já esteve na face da terra.


Albino

Mediunidade e Saúde





Habitualmente podemos dizer que a prática da mediunidade não causa qualquer tipo de dano para a saúde, pelo contrário, durante a atividade mediúnica o médium recebe auxílio terapêutico que alivia seus sintomas e melhora seu estado geral físico.

Quem imagina que esta abençoada prática de caridade possa causar algum transtorno para quem atue nela o faz por mal conhecimento ou por vivenciar algum tipo de desequilíbrio que possa ter causado embaraço para algum médium ou mesmo para si próprio.

Ela só traz efetivamente desequilíbrio para o médium quando este mantenha um nível de descontrole durante sua prática e antes e após ela, ou seja, o estado de agitação de alguma espécie que o portador mantenha em períodos parciais ou gerais em termos de qualidade do nível de pensamento é que gera algum processo de adoecimento para ele mesmo e não a mediunidade em si.

A mediunidade é inerte no sentido fundamental da palavra, mas a forma como ela é conduzida é que faz com que seu portador colha frutos inadequados para si mesmo e venha a adoecer rápida ou progressivamente.

Esses quadros de moléstias da alma nada têm a ver com a faculdade mediúnica por ela mesma, mas o estado físico e moral do médium sim.

Em função de como ele se coloca diante da vida e mesmo de como ele encara o próprio trabalho mediúnico é que o levarão para o equilíbrio ou para o adoecimento. Trata-se de causa e efeito.

Mas não podemos esquecer de que a prática prolongada de qualquer atividade para o ser humano pode levar à exaustão, fadiga. E com a mediunidade não é diferente. Então cabe recordar que mesmo sua prática deve ser conduzida de maneira equilibrada, sem excessos, mesmo alegando tratar-se de “ganhar tempo enquanto se está saudável”, pois este exagero certamente irá causar
transtornos futuros, já que há um dispêndio de fluído na sua execução.

Desta maneira, em circunstâncias habituais, quando o médium esteja em adequadas condições de saúde, sua prática pode ser rotineira desde que não conduza à exaustão física, com o devido equilíbrio.

Mas se o indivíduo está com limitações de ordem física natural da vida, é importante que a pratique com a adequada moderação, para não desgastar o corpo físico propriamente dito.

Podemos afirmar também que a mediunidade não causa doenças de ordem mental, pelo simples fato de colocar os médiuns em contato com o mundo espiritual. Se assim o fosse, a imensa maioria da humanidade teria esse tipo de desordens, pois tem inata a capacidade de se comunicar com os mortos.

Entretanto, quem já tenha algum transtorno mental não deve se expor ao trabalho mediúnico, para não agravar sua situação. A não ser que esteja adequadamente tratado e em situação de equilíbrio para tal tarefa, além da dedicada supervisão dos demais médiuns, já que a oportunidade de trabalho também é uma forma abençoada de redenção para todos.

Sempre atuar na mediunidade com bom senso e com acompanhamento de quem seja mais experiente.


Vladas

sábado, 10 de setembro de 2011

Assunto Delicado





A abordagem sobre sexualidade transcende a atualidade, embora pareça ser apenas assunto em voga de poucos anos para cá.

A humanidade sempre apresentou discussões e postura muitas vezes agressivas sobre as questões de opções sexuais, gerando carmas e dificuldades que poderiam ser evitadas caso o livre arbítrio de cada um fosse efetivamente respeitado, o que desde sempre não acontece, a não ser para espíritos muito bem orientados ou que tenham adquirido consciência de suas possibilidades e responsabilidades naturais para com a vida e com a vida das outras pessoas.

Cada um de nós tem dentro de si sua expressão de necessidades fundamentais que precisa ser externada para satisfazer nossas aspirações quanto ao presente e quanto ao futuro e, desta maneira, não há qualquer indício de que seja o caminho direcionado por outrem, ainda que nos pareça ser certo determinado caminho, como pregam os idealistas do purismo secular que vem carregando as mentes de idéias preconcebidas e deformando o relacionamento humano por muitas gerações seguidas.

Não há como invadir a mente de quem quer que seja sem que se colham frutos amargos por desrespeitar sua liberdade de expressão íntima. Não há como julgar quem quer que seja sem que se exponha a ser julgado da mesma forma. Não há como passar impune diante da Vida quando se atue como impositor de ideais ou de princípios.

Antes de corrigir o suposto erro alheio é necessário corrijamos os nossos próprios equívocos, que são muitos ainda. Quiçá um dia possamos efetivamente ter postura cristã e não cogitarmos de atuar como censores do alheio para agirmos como amparadores das dores dos outros, quando estes realmente estejam com elas, as dores.

Cada mente é um universo particular que tem um direcionamento peculiar e único, assim como cada átomo tem suas particularidades, embora guarde semelhanças com átomos similares.

Cada indivíduo escolhe seu caminho por conta de sua vontade própria. E Deus deu a cada um de nós o livre-arbítrio para seguirmos nossa própria jornada.

Não é lícito para ninguém tolher a liberdade alheia, em nenhum campo da vida humana.

Quanto à escolha de caminho da vida em termos de sexualidade, ninguém é igual a ninguém. Cada um de nós tem sua expressão particular, que inclusive varia durante a própria experiência, não sendo, por tanto uma constante. Há oscilações naturais e comuns a todos os seres humanos.

Certo ou errado só cabe à própria consciência de cada criatura analisar e compreender, no correr das experiências que venha a vivenciar.

O que sempre temos ecoando em nossa mente, já há mais de vinte séculos, é a recomendação de Jesus: “faça ao próximo somente aquilo que você desejaria que fosse feito para você”. Agindo assim, certamente iremos agir corretamente e não iremos gerar mais dificuldades para nós mesmos.


Militão Pacheco

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Treino





É comum ouvirmos a expressão “desenvolver a mediunidade” nos centros espíritas de todos os recantos. É algo que leva inclusive a dar a impressão de que existe certo mal estar para quem seja portador dela, da mediunidade, pois, não procedendo ao “desenvolvimento” correria o risco de ser submetido ao jugo de dificuldades e dores, como uma espécie de castigo peculiar e típico de médiuns que não se deixam conduzir pelo “desenvolvimento mediúnico”.

Na verdade, a mediunidade é uma faculdade humana comum, que faz parte do cotidiano de todo mundo, praticamente sem exceção, mas algumas pessoas a têm em maior expressão, assim como existe quem enxergue melhor, quem ouça melhor, quem tenha melhor sensibilidade olfativa ou com relação ao paladar.

Desta forma, como qualquer destas que citamos, para que se tire melhor proveito, para que se faça melhor uso, ela exige treino, treinamento, dedicação e disciplina. Um pouco mais além, ela pede que se estude para compreendê-la, para que se afaste os condicionamentos inerentes aos costumes de outras encarnações, quando ainda estávamos atrelados ao misticismo, coisa que o Espiritismo nos ensina bem tratar-se de algo desnecessário.

Conhecer bem seus mecanismos é um fantástico recurso para se aproveitar bem da mediunidade.

Da mesma forma, conhecer bem a si mesmo é fundamental para que se mantenha um adequado nível de moral para a adequada prática da mediunidade. Sim, porque o médium que esteja em sintonia com bons princípios morais é recurso de intercâmbio espiritual para a prática do bem, enquanto que aquele que se desarvore em desatinos é voltado para os equívocos da vida.

Compreendemos, então que a mediunidade necessita, sim, de um processo de maturação e desenvolvimento no que diz respeito à sua compreensão e entendimento, mas ela está ali, junto do médium e, ela em si, não precisa ser desenvolvida. Quem precisa de desenvolvimento é a compreensão do médium, o entendimento do médium, o conhecimento a ser adquirido, o aprimoramento das questões morais, a prática em si mesma e não a faculdade em si que está ali, como já disse, à disposição para ser adequadamente utilizada.

Quanto mais o médium se aprimore, melhor uso e melhores frutos ele recolherá de sua faculdade mediúnica.

Assim como o médico, que necessita de anos de estudo e prática para desenvolver suas técnicas profissionais, apurando inclusive seu olfato, sua acuidade visual e auditiva, além de seu bom senso, o médium também precisa de estudo e prática para que seja adequado para a prática de servir ao próximo voltado para o Bem.

E não há caminho melhor para o médium do que seguir as diretrizes pautadas por Jesus em seu Evangelho.


Elizabeth.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Mais felicidade!





No meio espírita as pessoas repetem um refrão baseado em uma afirmativa do Evangelho Segundo o Espiritismo: “a felicidade não é deste mundo”!

Muitas pessoas, por conta desta frase, crêem que então estamos na Terra para sofrer, para expiar, para pagar nossas dívidas, de tal modo que aqui não respiraremos nenhum arzinho de felicidade.

Mas é preciso levar em conta, na verdade, que a felicidade é uma forma de se colocar diante da vida.

Se tivermos o bastante para viver e desejarmos mais, aquilo que é motivo para ser feliz se transforma em motivo para desequilíbrio.

Quem valoriza a própria situação, aproveitando as dificuldades para crescer, certamente terá possibilidade de entender e conquistar a felicidade.

O autoconhecimento é o melhor de todos os recursos para conquistar a paz interior que leva à felicidade.

Quem efetivamente sabe o que esperar de si e da própria vida, sem se incomodar com a felicidade alheia ou com a desgraça de outrem, está livre para trilhar a jornada em rumo para a harmonia.

Quando se tem convicção de que a vida é um ato contínuo, repetindo as oportunidades a cada reencarnação, parte-se para as conquistas mais importantes para o Espírito, que são as de cunho moral, o que invariavelmente leva ao estado de felicidade almejado por todas as criaturas em todos os lugares do Universo.

Por mais amargo que seja sua tarefa em sua vida, almeje ser feliz de verdade, afastando do íntimo os fantasmas do orgulho e do egoísmo que são os maiores obstáculos para as conquistas necessárias na jornada da Vida Eterna que permite a conquista da felicidade real expressa pelo Amor Universal.

As aparências do mundo terreno, como títulos, roupas, imóveis, veículos, aplausos, prazeres efêmeros, vaidade, presunção, orgulho e egoísmo não são bons companheiros para auxiliar nesta jornada que é efetivamente evolutiva.


Vladas

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Exaustão





Há quem se sinta o tempo todo no limite de suas forças físicas.

Há quem se sinta exaurido de suas forças mentais.

Ainda assim mantém-se na labuta, dia a dia, correndo para defender sua vida, sua prole, sua família. Enquanto isso sente como se algo drenasse suas energias, sem saber explicar a razão de tais sensações.

A rotina da vida realmente é algumas vezes dura e difícil, particularmente quando se tem de enfrentar trabalho árduo e imutável, quer dizer, “sempre a mesma coisa”!

Mas interferências espirituais que desequilibram podem se fazer presentes justamente por conta do padrão mental da pessoa, isto é, em função da sensação de solidão, da projeção da mesmice mental, da insatisfação diante dos obstáculos naturais da vida, que na verdade nem são tão gigantescos assim, a pessoa abre avenidas imensas que predispõem ao mal estar tanto físico como espiritual e mental.

Daí para a depressão, tomando conta da mente e do organismo, é apenas mais um passo, já que existe uma espécie de intoxicação mental gerada pelas entidades espirituais que se sintonizam com os níveis de lamentação externadas pela própria pessoa, em concomitância com o cansaço físico e mental já existentes.

Mas quem se sente assim deveria parar um instante, refletir sobre a própria situação, reorganizar os pensamentos, as tarefas, as atitudes mentais e práticas da vida, buscar compreensão sobre a realidade da vida e suas necessidades, além de olhar para o lado, para as outras pessoas e, mesmo diante de tantas dificuldades, tomar o cuidado de não gerar ainda mais problemas por conta de sua postura mental equivocada e presa na lamentação viciosa.

Este padrão de pensamento é, muitas vezes, silencioso, quieto, calado. Mas os pensamentos são força viva que se derrama por todo o organismo físico e espiritual, facultando adoecimentos variados em decorrência do próprio padrão de pensamentos nascidos da ignorância, no bom sentido da palavra.

Uma vez geradas as forças mentais, há um contágio em todas as células orgânicas, em todo perispírito, que também se irradia no campo mental da pessoa, mostrando para a vida espiritual quais suas impressões íntimas, pois nela não há esconderijo, tudo é transparente.

Assim, espalhando a notícia de seu estado mental para todos os lugares por onde transite, a pessoa acaba se denunciando e “convidando” entidades espirituais com afinidades a partilharem de suas infelicidades particulares.

Depois de instalado o conluio de lamentações, aqueles que podem sugam mesmo as energias de quem se lamente sem qualquer necessidade, ainda que passando por provas duras.

Excetua-se deste quadro os naturais quadros de exaustão física a que muitos se submetem por conta de se entregarem demasiadamente a um trabalho qualquer, o que também configura algum tipo de desequilíbrio.

Entretanto, sentir-se cansado o tempo todo é sinal de que algo está errado e que precisa ser corrigido.

Jesus nos informa que Deus não pára seu trabalho. Tampouco Ele, o Cristo, repousa, mas sem qualquer cansaço, pois é portador de infinita harmonia ligada ao Amor Universal.

O trabalho precisa ser fonte de harmonia e graças a ele a Vida adquire sentido e objetivo na construção da própria Vida.


Militão Pacheco

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Biografias do Espiritismo





Emmanuel Swedenborg


Um dos precursores do Espiritismo, Swedenborg era um homem culto e de grande inteligência. Suas visões do mundo espiritual geraram relatos que foram comprovados posteriormente pelos trabalhos de Allan Kardec e André Luiz.

De acordo com uma definição brilhante do Prof. José Herculano Pires no livro O Espírito e o Tempo, o Espiritismo se formou como uma estrela no seio de uma nebulosa e faz parte de uma verdadeira galáxia que se estende até o infinito, abrangendo desde os mundos inferiores até os mais elevados. Os estudiosos se detiveram, então, na procura do foco de onde teria sido irradiada a elaboração da doutrina espírita propriamente dita e isso remeteu, segundo Sir Arthur Conan Doyle, a Emmanuel Swedenborg.

O célebre escritor inglês disse ainda que a elaboração da doutrina vinha sendo preparada cuidadosamente, mencionando "batedores" e "patrulhas de vanguarda" que prepararam o terreno para uma "invasão espiritual organizada" de nosso mundo. Como não poderia deixar de ser, Swedenborg pode e deve ser considerado o primeiro desses batedores, pois se lançou literalmente na elaboração de uma doutrina, alavancado por sua magnífica cultura e poderosa inteligência. Pode ser considerado como um dos precursores do Espiritismo.

Emmanuel Swedenborg nasceu em Estocolmo, na Suécia, em 1688, portanto, 169 anos antes do lançamento da primeira edição de O Livro dos Espíritos, em 18 de abril de 1857. Em sua época, foi considerado na Europa como uma pessoa de grande cultura e inteligência. Atuava em várias especialidades, como engenharia de minas, zoologia, anatomia, metalurgia, física e astronomia, destacando-se ainda como homem versado em finanças e política.

Swedenborg foi um dos médiuns mais proeminentes na produção mediúnica e deu inúmeras informações sobre o mundo espiritual, confirmadas posteriormente através do consenso universal, quando foi feita a codificação do Espiritismo. Consta que ele costumava ter visões desde criança, fenômeno que ocorria esporadicamente e que foi se apagando ao atingir a puberdade e a juventude. Entretanto, em abril de 1744, quando estava em Londres, suas forças psíquicas desabrocharam súbita e impetuosamente, permanecendo nesse nível durante muitos anos, até seu desencarne, em 1772, aos 84 anos de idade.
Aparecimento da Mediunidade:

Conan Doyle o chamava de "pai do nosso novo conhecimento dos fenômenos sobrenaturais". Com relação ao desabrochar de sua mediunidade, Swedenborg costumava descrever como ocorria o fenômeno que o mantinha em contato permanente com o mundo espiritual, dizendo que, em uma certa noite, o mundo dos espíritos se abriu para ele, encontrando muitas pessoas de seu conhecimento e de todas as condições. "Desde então, diariamente o Senhor abria os olhos de meu espírito para que eu pudesse ver, perfeitamente desperto, o que se passava no outro mundo e conversar, em plena consciência, com anjos e espíritos", afirmava.

Sobre sua primeira visão espiritual, Swedenborg dizia que "uma espécie de vapor se exalava dos poros do corpo, era um vapor aquoso que caía sobre o tapete". Essa era uma perfeita descrição do ectoplasma, considerado a base dos fenômenos físicos produzidos pelos espíritos. Essa substância foi chamada também de ideoplasma, pois toma a forma que o espírito lhe dá instantaneamente. No caso do médium, conforme sua descrição, o ideoplasma se transformou em vermes, interpretando como um sinal de que seus guias espirituais lhe desaprovavam o regime alimentar, pois tal fenômeno era acompanhado por um aviso, pela clarividência, de que deveria ser mais cuidadoso a esse respeito.

Mas como Swedenborg interpretava os fenômenos mediúnicos, considerando-se que ainda não havia sido feita a codificação do Espiritismo, que explica cientificamente estes fatos? Ele considerava que seus poderes psíquicos se relacionavam com o sistema respiratório, raciocinando que, como o ar atmosférico e o éter nos envolvem, seria possível que algumas pessoas respirassem mais éter do que ar e, assim, alcançassem um estado psíquico mais etéreo. É bom lembrar que o sistema indiano do yoga repousa sobre essa mesma idéia.
A missão de Swedenborg:

Tudo indica que a tarefa atribuída a Emmanuel Swedenborg pelos dirigentes espirituais foi de divulgar os conhecimentos que adquirisse em contato com o mundo dos espíritos. No entanto, sua mente privilegiada em relação ao nível de inteligência e cultura foi prejudicial em certo sentido, adulterando os resultados do que lhe foi permitido observar nesse mundo além-túmulo e levando-o a querer criar uma teologia própria, não aceitando opiniões contrárias aos seus próprios pontos de vista. Swedenborg tentou criar uma nova religião fundamentada em suas opiniões pessoais e, infelizmente, por não saber usar o bom senso que sua inteligência lhe proporcionava, fracassou no cumprimento da missão que teria sido confiada pelos espíritos superiores.

Para que fiquem mais claros os motivos que levaram Swedenborg a pretender criar uma teologia própria, vamos tentar explicar suas razões. Ele conhecia profundamente a Bíblia e a aceitava como sendo a palavra e a verdade de Deus, mas, ao mesmo tempo, fazia uma ressalva, sustentando que o significado do que está escrito é inteiramente diferente de seu sentido evidente e que somente ele, Swedenborg, ajudado pelos anjos, era capaz de entender e transmitir o verdadeiro sentido do que está escrito. Entretanto, não devemos tratá-lo como um pretensioso, pois ele era inteligentíssimo e culto. Para julgá-lo, o que não devemos fazer de maneira alguma, seria necessário ter também uma mente privilegiada, pois ele seria considerado como um "fora de série".

Desconsiderando sua pretensão de ser o único capaz de interpretar a Bíblia, chega-se à conclusão de que Swedenborg falou a verdade quando disse que o significado do que está escrito é inteiramente diferente de seu sentido óbvio. No livro A Caminho da Luz, psicografado por Chico Xavier, Emmanuel, mentor espiritual do médium mineiro, esclarece que o Antigo Testamento é um repositório de conhecimentos secretos dos iniciados do povo judeu e que somente os grandes mestres da raça poderiam interpretá-los fielmente, nas épocas mais remotas.

Portanto, a primeira elaboração teórica de Swedenborg não foi filosófica nem científica, mas teológica. Ele chegou a construir uma complicada interpretação da Bíblia por meio de um sistema de símbolos, dizendo-se o único detentor da verdade, à qual tinha acesso com o auxílio dos anjos. Essa pretensão o levou, naturalmente, à convicção da infalibilidade, ou seja, suas explicações deveriam ser aceitas sem discussões. Swedenborg via o mundo espiritual, conversava com os espíritos, recebia deles instruções diretas e, por isso, julgava-se capaz de explicar tudo, sem maiores preocupações. Tornou-se um místico, distanciando-se da experiência científica a que se dedicava anteriormente.

Essa curiosa posição de Swedenborg o transformou em um elo entre dois períodos da evolução espiritual humana. De um lado, temos o horizonte profético, carregado de misticismo, impondo-lhe o seu peso. De outro, o horizonte civilizado, que abre suas perspectivas em direção ao cenário espiritual. Ele permaneceu no limite desses dois mundos. Através de sua teologia, firmou-se no passado e com sua doutrina das esferas, que formularia logo a seguir, projetou-se ao futuro. Escrevia seus livros complicados em latim, mas, apesar disso, apresentava uma nova visão do problema espiritual.
Semelhança de Informações:

O que faz Emmanuel Swedenborg ser um precursor do Espiritismo é a sua posição diante do mundo espiritual, que ele considerava de maneira quase positiva. Segundo ele, após a morte, os homens vão para esse mundo e não são julgados por tribunais, mas por uma lei que determina as condições nas quais passarão a viver, ou seja, em planos superiores ou inferiores nas diferentes esferas da espiritualidade. Para Swedenborg, anjos e demônios nada mais eram do que seres humanos desencarnados em diferentes fases de evolução.

Suas descrições do mundo espiritual se assemelham bastante às que encontramos nas comunicações passadas a Allan Kardec ou recebidas atualmente por nossos médiuns. O inferno não é um lugar de castigo eterno, mas um plano inferior do qual os espíritos podem seguir para outros mais elevados, purificando-se. É impressionante também como suas informações do mundo espiritual são absolutamente semelhantes às que André Luiz nos passou muito tempo depois em seus livros, descrevendo uma das cidades do mundo espiritual e seus habitantes. Swedenborg nos fala da arquitetura, do artesanato, das flores, dos frutos, da arte, da música, da literatura, da ciência, dos esportes etc. Sustentava também que uma densa nuvem havia se formado ao redor da Terra devido à grosseria psíquica da humanidade e que, de tempos em tempos, ocorria um julgamento e uma limpeza.

Dessa forma, as atitudes proféticas de Swedenborg são indiscutíveis. Diante dos fenômenos observados por esse homem extraordinário, dotado de vastos conhecimentos em diversas áreas e interesse por outros ramos científicos, não se coloca posição de crítica, mas de passiva aceitação. Ele se considerava eleito para uma missão espiritual, senhor de uma revelação pessoal e, portanto, incumbido de ensinar de forma dogmática o que lhe era revelado. Neste ponto, diferenciava-se de Kardec, que não se julgava um profeta, mas um pesquisador, um observador dos fatos, dos quais deveria deduzir a necessária interpretação de forma racional.

No entanto, tiramos uma importante lição da vida e da obra de Emmanuel Swedenborg: o Espiritismo está certo em condenar a formulação de teorias pessoais pelos videntes e encarecer a necessidade da metodologia científica para verificação da verdade espiritual. Swedenborg foi o último dos reveladores pessoais e abriu perspectivas para a nova era, que deveria surgir com Kardec. O que vale em sua obra não é a interpretação pessoal dos fatos, mas estes em si, confirmados posteriormente pela observação e pela experimentação espírita, dando aos homens uma concepção nova da vida presente e futura.
Conheça algumas das informações passadas por Emmanuel Swedenborg que descreu em suas visões do mundo espiritual.

* Somos julgados automaticamente por uma lei espiritual e o resultado é determinado pela soma dos nossos atos durante a vida, de forma que a absolvição ou o arrependimento no leito de morte tem pouco proveito.

* O mundo para onde vamos depois da morte consiste em várias esferas, representando outros tantos graus de luminosidade e felicidade. Cada um de nós irá para aquela que se adapte à nossa condição espiritual.

* Nessas esferas, o cenário e as condições de vida são idênticas às da Terra, assim como a estrutura da sociedade. Existem casas onde vivem famílias, templos onde se praticam cultos religiosos, auditórios onde se realizam reuniões para fins sociais, palácios onde parecem morar os chefes etc.

* A morte é suave, dada a presença de seres celestiais que ajudam os recém-chegados em sua nova existência. Estes passam imediatamente por um período de repouso e alguns reconquistam a consciência em poucos dias, segundo a nossa contagem de tempo.

* Há anjos e demônios, mas não são de ordem diversa da nossa. São seres humanos que tinham vivido na Terra e que são almas retardatárias, como demônios, ou altamente desenvolvidas, como anjos.

* O homem nada perde nem se modifica com a morte. Sob todos os pontos de vista, ainda é um homem, porém, mais perfeito do que quando na matéria. Leva consigo seus hábitos adquiridos, preocupações e preconceitos.

* Todas as crianças são recebidas igualmente, sejam batizadas ou não. Crescem no outro mundo. Jovens lhes servem de mães até chegarem às suas mães verdadeiras.

* Não há penas eternas. Os que se acham no inferno podem trabalhar para sua saída, desde que sintam vontade. Os que se acham no céu trabalham por uma posição mais elevada.

* Aqueles que saem da Terra velhos, decrépitos, doentes e deformados recuperam a juventude e o completo vigor. Os casais continuam juntos se os seus sentimentos recíprocos os atraem, caso contrário, a união fica desfeita.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Solidão





Em épocas tão modernas, com a tecnologia atuante na vida de todos, com a facilidade de intercâmbio através dos mais variados meios de comunicação, vemos muitas pessoas isoladas em ilhas criadas por elas mesmas, enquanto se artificializam em aparência diante de outras pessoas, tentando ser quem na verdade não são.

Essas pessoas, solitárias, se aventuram a gerar avatares que projetam uma imagem surreal, como ícone de um mito idealizado em seu íntimo, por conta de suas aspirações ou frustrações.

Coloca-se, então, no mundo virtual, como alguém que não é e derrama para os outros sua imagem inexistente, enquanto não sai de seu próprio mundo, isolando-se, por qualquer razão que seja, como a timidez, a vergonha, o medo ou a insegurança de vencer o próprio orgulho.

São os solitários cibernéticos que envergam a capa do isolamento voluntário em detrimento das necessidades reais que tem o ser humano de viver efetivamente em sociedade.

Tal comportamento é ineficiente diante da Vida e transforma criaturas sensíveis em pessoas impermeáveis que impedem a aproximação real de outras pessoas em função de seus medos incoerentes, nascidos na infância ou mesmo em outras experiências, em outras vidas.

Como tudo na experiência humana tem dois lados de aproveitamento, a tecnologia, que deveria facilitar as comunicações – e o faz – também pode isolá-las, graças aos equívocos cometidos, pode isolar as pessoas que vivem uma vida virtual excessiva, viciante e improdutiva.

A tecnologia e as comunicações devem ser úteis para o congraçamento de almas em virtude de sua facilitação na aproximação das criaturas humanas.

Seria bom que todos pudessem recolhe-lha como ferramenta de serviço para progredir e prosperar.

Não é adequado que ela seja utilizada para o isolamento e para a viciação do ser humano, pois, do modo como está sendo disposta por muitos, tem causado vício e solidão.

Atentemos para a utilidade do que pode nos servir e iniciemos uma nova postura prática que nos auxilie na evolução em cada detalhe que tenhamos ao nosso dispor na vida.


Albino Teixeira

sábado, 3 de setembro de 2011

Memória





Característica de todos os seres da Natureza, ela auxilia muito no processo de condicionamento e de aprendizagem, favorecendo na finalidade de condução das criaturas para seu direcionamento contínuo em sentido de evolução progressiva.

Modula as experiências de modo que favorece ou desfavorece, de acordo com a qualidade de uso que se faça dela, isto é, o uso adequado facilita as experiências, mas o uso inapropriado gera obstáculos muitas vezes difíceis de serem transpostos.

Quando armazenamos as vivências construtivas, de modo a produzir algo, a memória é recurso abençoado que nos leva ao automatismo, permitindo que adquiramos outras possibilidades, por conta da liberação efetuada nas aquisições pregressas.

Quando ficamos retidos em recordações desconstrutivas, paralisamos a vontade e impermeabilizamos o pensamento, desestruturando a caminhada por período indefinido, dependente apenas da própria vontade de largar as recordações para retomar a caminhada.

Memória é assim mesmo: recurso fantástico na jornada da criatura, do Ser, desde as fases primordiais de sua formação, ou obstáculo criado pela própria criatura que impede sua jornada transitoriamente.

Os maiores obstáculos gerados pela memória estão ligados à formação da falta de perdão com relação às circunstâncias, às experiências, às pessoas e à própria Vida.

Para melhorar o astral, quando a amargura ditada pela memória nos domine, usemos a própria memória para evocar o Cristo: “Bem aventurados os que sofrem...”.


Alva Luzia