Mensagem

"Não permita que aquilo que você chama de amor se transforme em obsessão.
Amor é liberdade.
Amor é vida.
Jamais prisão ou limitação."

Militão Pacheco

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O chapéu é de Quem?

O Centro Espírita, habitualmente, tem em suas fileiras de propostas de serviço, a assistência social. Serviço, aliás, da maior relevância diante da comunidade à qual a Instituição tem a oportunidade de servir, não só para levar a Doutrina Consoladora, mas também, para consolar os famintos, os que passam fome e os doentes, além de gerar excelentes oportunidades para os trabalhadores do Centro Espírita para que exercitem a caridade, a dedicação e o amor ao próximo, além de aprenderem com o convívio de pessoas a valorizar a própria vida e as pessoas mais próximas, os parentes, os amigos, os vizinhos, enfim, todos com quem convivam.

Esse trabalho é fundamental para o desenvolvimento da consciência e prática da caridade para quem freqüente o Centro. Há a teoria, no Evangelho e a prática, nos serviços de assistência social dos mais variados.

Entretanto, há alguns equívocos perniciosos que podem promover desequilíbrio nesses trabalhos e é necessário ficar atento para com eles.

Um exemplo é a questão do que se costuma chamar de “Bazar da Pechincha”, que muitas Casas Espíritas têm, no intuito de auxiliar a arrecadação voluntária de verbas para a manutenção da Instituição. Sim, pois uma regra comum nas Casas Espíritas atualmente: é a de não se fazer arrecadação de recursos materiais de modo direto, solicitando, digamos, uma “contribuição” mensal ou algo que o valha. Então, valendo-se do trabalho voluntário, de pessoas de boa vontade, há instalações internas na Casa, para que se possa recolher fundos materiais, sempre como fruto de trabalho e não efetivamente pedindo dinheiro de modo claro e direto, como fazem algumas religiões, apesar de o recurso financeiro ser necessário para que se pague as despesas de qualquer Instituição.

Bom, enfim, dentro dessas propostas, o “Bazar da Pechincha” é um firme recurso para o recolhimento de recursos materiais para o Centro Espírita. O material, as roupas, as bijuterias, os eletrônicos e outras coisas chegam à Casa através de doações. Algumas vezes elas chegas em enormes quantidades e abarrotam a Instituição, transformando-a em depósito de coisas que precisam ser canalizadas para um bom uso. Mas isso é só um detalhe. Um equívoco mais sério, dentro desta proposta de recolher condições para manter o Centro, é quando uma pessoa doa algo e determina o valor pelo qual essa doação deverá ser vendida.

Mas, vamos entender algo: quando alguém doa algum objeto, está dando esse objeto para a Instituição e, portanto, esse objeto não mais lhe pertence. Tal doação deve ser vendida por um valor que seja coerente com um “Bazar da Pechincha” e esse valor não deve confrontar-se com a “vida real” de lojas ou, mesmo, do valor real agregado da doação. Se, por exemplo, alguém produziu um produto em trabalho manual, fez as contas e o objeto tem um valor real, ao doá-lo, não deve fazê-lo sob condições de valor de venda.

Se quiser doar (dar), que o faça e a Instituição, na pessoa do seu representante no “Bazar da Pechincha”, irá determinar o valor de venda de acordo com sua experiência ou em acordo com a opinião das demais pessoas que trabalhem em conjunto no mesmo setor.

Mais uma “armadilha” nos trabalhos, agora considerando o que seja assistencial, mesmo, deixando um pouco de lado as questões de necessidade de manutenção da Casa, são os trabalhos “paralelos” constituídos por freqüentadores. Vou explicar: uma pessoa, ou um casal, resolve promover um movimento, à parte da Casa, para distribuir algo nas ruas, a título de exemplo. Combinam, recolhem doações, doam por si mesmos e vão às ruas para distribuir para os moradores de rua.

Volto a afirmar que é apenas um exemplo. Nas primeiras vezes em que saem, conhecem alguns moradores de rua, o se vão a alguma comunidade, a algum asilo, orfanato, ou seja lá o que for, ganham mais entusiasmo e ficam contentes com o resultado do trabalho. Prefiro me referir, mais uma vez a título de exemplo, a distribuir algo nas ruas. Vamos lá, então, entusiasmados, convidam mais um casal da própria Casa Espírita que freqüentam. Depois mais um, dois, três e formam uma equipe, com rodízio e tudo mais. Pronto: está criado um organismo paralelo e parasita do Centro Espírita.

E aí reside um dos mais comuns problemas, não só em Centros Espíritas, mas também em Instituições de outras religiões e, quem sabe, independentes de religião.

Mesmo sendo munidos de boa vontade, a ingenuidade dessas pessoas abre uma enorme avenida de responsabilidades para a Instituição que elas freqüentam, pois as pessoas que participam deste trabalho de caridade paralelo levam consigo o convívio com o Centro Espírita do qual participam de algum modo, então, se algo der errado neste trabalho, a Instituição poderá, sim, responder até mesmo perante a justiça humana por este erro, até que se prove que este grupo que faz trabalho paralelo efetivamente não “tem nada a ver” com o Centro em questão.

Mas tem. E aí reside mais um problema deste novo organismo criado com boa vontade, mas ingenuamente e que não se cobre das necessárias disciplinas dispostas pelo Centro Espírita que os acolhe. São pessoas que fazem parte do quadro de freqüentadores, estão dentro do contexto e participam de alguma atividade. Serão vistos em outros locais, quando reunidos para um trabalho, como representantes deste Centro, mesmo que digam que não é o caso.

Como se vê, fica criado um mal estar, um desconforto. Mas, além desta questão há algo mais a se considerar: quando se convida pessoas que estão dentro do mesmo Centro Espírita para um trabalho externo, retira-se mão de obra para trabalhos que podem ser desenvolvidos dentro dele. E não fora dele, para trabalhos não dirigidos pelo próprio.

É necessário que as pessoas envolvidas com boa vontade tenham disposição de propor trabalhos para os dirigentes da Casa que freqüentam assiduamente e, se houver uma negativa, que procurem entender que deve efetivamente haver alguma razão para isso aconteça. É preciso que saibam entender que nem sempre as idéias podem ser aplicadas em determinados contextos. Mas, se por outro lado, a idéia do trabalho seja realmente aplicável e adequada para as propostas desta Casa, que compartilhem, então, com esta Casa e que o façam dispostos a compartilhar, como é necessário.

Nem sempre, quando há disposição de praticar a caridade, esta prática venha a ser efetuada com o “próprio chapéu” daquele que a efetua. Algumas vezes as pessoas com as mais impressionantes boas intenções, acabam se aproveitando da estrutura pré-existente e lança mão de um gesto que seria nobre, se respeitassem a Instituição da qual participam. Fazem, estão "caridade com o chapéu alheio".

5 comentários:

Ivani Silva disse...

Os trabalhos paralelos que eventualmente possam acontecer na casa espírita e que fogem às diretrizes da Casa,,talvez se deva a falta de um conhecimento mais profundo do assunto em questão.Acho que seria importante ,uma maior divulgação à esse respeito pois quando começamos a nos envolver com os trabalhos assistenciais ,somos invadidos por uma energia maravilhosa que nos faz querer cada dia trabalhar mais e mais, surgem idéias brilhantes que nos inspiram a colocar em prática e acabamos seguindo caminhos que fogem às diretrizes da Casa. As idéias de renovação são boas,mas acho que o que falta é um maior esclarecimento de que mesmo para se praticar qualquer tipo de caridade é indispensável a disciplina para que não prejudiquemos à Casa que nos acolhe com tanto amor.Às vezes os próprios trabalhadores acabam se afastando ,simplesmente por falta de esclarecimento do assunto...Um texto como este ,revisado em algum momento dos estudos da Casa ,já seria bastante esclarecedor...

Aurora disse...

Desejo deixar bem claro que o bazar promovido por Marta e Aurora nada teve de CARIDADE. Foi feito apenas com o intuito de vendermos os trabalhos feitos por nós em aulas de artesanato, a fim de recuperarmos um pouco das despesas que tivemos naquelas aulas. Portanto não houve o uso de chapéu nenhum, pois não houve intenção de fazer CARIDADE.
É bom ver as coisas como elas são, e não como as imaginamos.
Me admira que uma pessoa TÃO INTELIGENTE não tenha notado que no convite enviado a algumas pessoas do Nept, inclusive para essa pessoa, não se fala em bazar beneficente nem rem angariar fundos para o Nept.
Que tal parar para refletir e aceitar que desta vez se enganou redondamente?

Carlos Alberto Rey disse...

Estou passando textos variados a cerca de problemas existentes em um Centro Espírita. Não uso este espaço para picuinhas de espécie alguma. É lícito pensarem o que querem pensar, mas é um engano ofender em ter razão. Pena perder tempo de forma inútil com bobagens assim. Os textos irão para a página, como hoje mesmo, com os mais variados temas referentes ao cotidiano de um Centro Espírita, baseados em uma experiência de trinta anos de atividades mediúnicas e administrativas em Centros Espíritas.

Jacqueline disse...

Acho bom termos estes textos para ler.
Não acredito que a empolgação de um trabalho faça com que sigamos caminhos diferentes da casa que frequentamos.
É só manter o bom senso e participar, com alegria, de acordo com o grupo da casa que vc está. Fora disso, já é indisciplina e desorganização, mesmo tendo a intenção da caridade.
Disciplina e organização também é caridade...

Monica disse...

O texto é esclarecedor. Gostei!
Que bom que estamos aqui na "Terra" para aprendermos uns com os outros.
Aprendizado faz parte do nosso processo de transformação espiritual. Boas vibrações !